Estudos apontam que as lesões dos cascos levam prejuízos econômicos e financeiros em torno de 20% da produção leiteira e 25% da produção de pecuária de corte. As doenças decorrentes causam desconfortos, principalmente, dores e claudicações.
Na observação a campo, fazem com que os animais caminhem cada vez menos para comer e ingerir água, o que reduz a produção de leite e o ganho de peso, além de apresentar custos com tratamentos, produtos veterinários, consultas médicas e tempo.

Os cascos desempenham importante papel no corpo dos bovinos, pelo suporte estrutural, proteção das extremidades e composição do aparelho locomotor no deslocamento dos animais. Por isso, problemas nos cascos podem descartar animais precocemente.
Quem introduz o assunto é o médico veterinário e professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), Fabio Celidonio Pogliani. O especialista começa por uma classificação dos problemas que envolvem cascos de bovinos.

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Um dos pontos impactantes é a gestão de manejo. Conforme citado, Pogliani destaca a natureza multifatorial das doenças de cascos, quando ela não é infecciosa. Alterações de manejo sempre podem trazer problemas. Como por exemplo, ele cita que um lote de tourinhos, dispostos em altas, gera disputa maior por cocho, o que é sempre prejudicial, em função da hierarquia bovina.
Por outro lado, caso não haja um manejo sanitário adequado, onde se tem formação de um ambiente com muita umidade, muito barro e que eventualmente exista um animal com uma lesão infecciosa, no casco, acaba-se gerando um ambiente muito favorável a proliferação bacteriana, o que traz problemas sérios.

Pogliani continua no raciocínio quando no manejo nutricional inadequado, onde você acaba prejudicando, por exemplo, a qualidade do estojo córneo dos cascos que, uma vez fragilizado, fica mais sujeito a lesões e traumas, podendo provocar o surgimento de pequenas lesões no espaço interdigital, por exemplo, abrindo portas para infecções.
Para Leandro Martins, zootecnista e gerente de Pesquisas da Nutripura, a dieta pode sim refletir em problemas de casos, conforme sua observação no campo experimental da empresa. E é mais constatado em sistemas de confinamento e semiconfinamento, manifestando-se como laminite.
Ela pode ser decorrente de um excesso de energia na dieta ou mesmo má adaptação a uma nova realidade nutricional. A laminite decorre de uma falta de circulação sanguínea nos cascos, agravada ainda por uma alta concentração de micotoxinas no arraçoamento.

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De fato, conforme Martins, tudo que potencialmente danifica o casco, como um manejo mal executado, piso no curral de má qualidade e o próprio estresse, reduz a resposta imunológica do bovino, abrindo a porta para os problemas de cascos. Em uma oportunidade assim, algum microrganismo é contaminante.
Outro fator é o genético. O gerente relata que em experimento passado, a incidência de problemas de cascos em animais com algum grau de sangue taurino foi maior do que nos zebuínos. Nossos meio-sangues eram Nelore x Angus. Tudo foi observado em ambiente de piquetes e instalações de confinamento, onde a incidência ainda foi maior.
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