
Renato Villela
Vilã do combate ao carrapato, a resistência avança também em outras frentes. A exemplo desse parasita externo, que se mostra cada vez mais resistente aos acaricidas, os vermes estão “driblando” os anti-helmínticos. Pior ainda: enquanto a presença de carrapatos no animal evidencia a baixa efetividade dos produtos usados, alertando o produtor para uma eventual resistência, nas verminoses o diagnóstico não é tão simples. Sorrateiros, os helmintos dificilmente se fazem notar. Na maioria das vezes, o produtor não vê o que está acontecendo com o animal, mas sente no bolso o prejuízo.
De acordo com Elio Moro, veterinário e gerente técnico de bovinos da Zoetis, vários estudos já demonstraram que animais tratados com anti-helmínticos cuja eficácia foi inferior a 60% apresentaram desempenho similar ao dos que não receberam tratamento algum. “Nestas circunstâncias, que denotam uma resistência anti-helmíntica bastante disseminada na propriedade, usar ou não produto não faz qualquer diferença”, relata. Para que um anti-helmíntico seja considerado eficaz, é preciso reduzir a carga parasitária em, no mínimo, 85%-90%.
O impacto financeiro causado pela presença de vermes resistentes no rebanho já foi comprovado por pesquisas. Trabalhos constataram que um animal não vermifugado ganha 30-34 kg a menos por ano do que o tratado. Como o medicamento não faz efeito em animais com alta resistência anti-helmíntica, pode-se dizer que eles também deixam de ganhar a mesma quantidade de peso, equivalente a uma arroba líquida por ano.
Na íntegra desta reportagem do DBO Select, você também confere:
- Entenda por que a maior parte do prejuízo com vermes resistentes acontece de forma silenciosa, sem sinais clínicos evidentes no rebanho.
- Veja como montar um programa de vermifugação alinhado à epidemiologia das verminoses, às categorias mais sensíveis e às épocas-chave do ano.
- Saiba quais são as bases técnicas do protocolo 5-8-11 e por que determinados meses são considerados estratégicos para o controle dos vermes.
- Entenda em que situações a vermifugação deve ser feita mesmo fora do calendário, especialmente em lotes de animais de compra com histórico sanitário desconhecido.
- Conheça o desenho de um programa rígido de controle de verminoses em fazenda de seleção, do pré-desmame à fase adulta.
- Veja como o teste de OPG (ovos por grama de fezes) pode ser incorporado à rotina da fazenda para dimensionar o desafio parasitário e escolher o fármaco mais adequado a cada momento.
- Saiba de que maneira repetir o OPG após o tratamento ajuda a medir a eficácia dos produtos e a decidir quando trocar a base química do vermífugo.
- Entenda como ajustar a frequência de vermifugação em animais mais velhos, levando em conta a resistência natural à verminose e o escore corporal.
- Veja por que antecipar a primeira vermifugação para antes da desmama pode mudar o desempenho dos bezerros ao longo de todo o ciclo.
- Conheça os resultados de pesquisas que compararam bezerros vermifugados na fase pré-desmame com animais não tratados, em ambiente experimental e em fazendas comerciais.