O reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação pelo governo da China, anunciado nesta terça-feira (2/6), deve abrir uma nova fase para a indústria frigorífica de Mato Grosso, principal produtor e exportador de carne bovina do país.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), Paulo Bellincanta, a decisão representa um avanço estratégico para toda a cadeia produtiva da carne e é resultado de décadas de investimentos em sanidade animal e rastreabilidade.

“A decisão da China consolida um trabalho que vem sendo construído há muitos anos pelo setor produtivo e pelos órgãos de defesa sanitária. Mato Grosso possui um dos maiores rebanhos bovinos do mundo e reúne condições para ampliar sua participação no mercado internacional com ainda mais competitividade”, afirma, em nota.
Segundo Bellincanta, além de reforçar a confiança dos compradores chineses na produção brasileira, o reconhecimento sanitário cria condições para avançar em negociações envolvendo produtos que possuem maior valor agregado.
“Não estamos falando apenas de manter os volumes atuais de exportação. Essa decisão abre caminho para ampliar o portfólio de produtos exportados, incluindo miúdos, carne com osso e outros itens que possuem demanda crescente no mercado asiático. Isso significa mais oportunidades para a indústria, melhor aproveitamento da matéria-prima e geração de valor para toda a cadeia”, destaca.
A expectativa do setor é que a medida também tenha reflexos positivos em outros mercados internacionais. “O reconhecimento por parte da China, que é um dos mercados mais exigentes do mundo, funciona como uma chancela importante para a pecuária brasileira. Isso tende a facilitar negociações com outros países e ampliar as perspectivas de crescimento das exportações nos próximos anos”, avalia o presidente do Sindifrigo, em comunicado à imprensa.
Mato Grosso alcançou em 2025 o status de zona livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), após quase três décadas sem registros da doença. O último caso no Estado foi registrado em 1996.
A China é atualmente o principal destino da carne bovina mato-grossense. Apenas entre janeiro e abril deste ano, o Estado exportou US$ 797,17 milhões para o país asiático, respondendo por quase 30% de toda a carne bovina brasileira embarcada para aquele mercado, informa o Sindifrigo-MT.




