RADAR SANITÁRIO | Surto de babesiose no Ceará

CONFIRA o que está no 'Radar Sanitário' em setembro; coluna do médico veterinário e professor Enrico Ortolani trata das rotinas no manejo dos rebanhos de corte

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Por Enrico Ortolani – Professor titular de Clínica de Ruminantes da FMVZ-USP (ortolani@usp.br)

SURTO DE BABESIOSE NO CEARÁ


Um surto de babesiose está ainda acometendo um grande número de bovinos, principalmente adultos com mais de 10 meses de idade, na região de Quixeramobim e de Jaguaribara, no Ceará. A babesiose é uma doença causada por um protozoário (Babesia bigemina), que é transmitido pelo carrapato comum (Rhipicephalus microplus).

Tal protozoário se multiplica nas células vermelhas do sangue, causando seu rompimento dentro dos vasos sanguíneos, o que provoca a eliminação de uma urina achocolatada ou cor de vinho do Porto (foto), podendo levar a morte em casos graves. Os bovinos doentes têm febre, anemia, desânimo, perda de apetite, cor amarelada da parte branca do olho (foto), deitam e podem morrer.

Esse grande número de casos no CE é decorrente de uma alta infestação de carrapatos a partir do mês de abril deste ano até o momento. Como a infestação de carrapatos, nessa região, fica tradicionalmente bem diminuída a partir de julho, quando acaba o período chuvoso, até o próximo ano (geralmente até o final de março) a falta de contato com este parasita gera uma menor produção de anticorpo contra a B. bigemina, tornando os bovinos adultos mais propensos a terem a doença.

Acontece que no primeiro semestre de 2023, nos municípios citados acima, foi muito chuvoso, tendo uma pluviosidade acima de 850 mm (mais do que média anual de 700 mm), o que facilitou a sobrevivência das formas jovens do carrapato nas pastagens.

Foi citado que algumas dessas propriedades trataram os bovinos com carrapaticidas, mas sem sucesso devido à grande resistência dos carrapatos aos medicamentos empregados. A Embrapa Gado de Leite faz teste gratuito com seus carrapatos para saber qual é o carrapaticida mais eficiente para seu rebanho.

Para saber mais detalhes escreva para  marcia.prata@embrapa.br e cnpgl.carrapato@embrapa.br. Posso garantir que os resultados obtidos por esse teste laboratorial de eficiência dos vários carrapaticidas “funciona e é pra lá de bom!”

Olho amarelado em bovino com babesiose.
Urina de bovino com babesiose.

INTOXICAÇÃO POR BARBATIMÃO NO MT

Vários animais adultos morreram por alta ingestão de favas de “barbatimão” (Stryphnodendron obovatum) (foto) numa grande propriedade no município de Curralinho, na divisa dos Estados do MT e de GO. O quadro é crônico. Os bovinos vão aos poucos emagrecendo, se tornando mais apáticos, diminuem seu apetite, alguns tem salivação espumosa, pode ter inchaço debaixo da ganacha (região submandibular), diminuem a ruminação e as fezes aos poucos vão ficando secas, bem escuras, mal cheirosas e eliminadas em menor quantidade.

Na fase final do quadro, os animais quando bamboleiam as cadeiras, semelhante a um quadro de raiva paralítica, ficam muito desidratados e morrem. É comum o aborto em vacas prenhes no decorrer do terço final de gestação.

A intoxicação é causada pela alta ingestão das favas de barbatimão, que caem no solo no começo da estação de seca, coincidindo com a diminuição da oferta de capim. Alguns animais se tornam viciados e passam a comer de forma incontroladas tais favas. Estas favas contem saponinas e taninos, que em excesso são cáusticos para os intestinos fazendo, que o órgão fique danificado e perca sangue.

Esse tipo de barbatimão é uma árvore nativa do cerrado, com copa arredondada, podendo crescer até 6 m de altura. Ela é encontrada em vastas áreas do MT, MS, Triângulo Mineiro e noroeste de SP.

Na referida propriedade existia uma grande quantidade de barbatimão, sendo que na necropsia foi encontrada no bucho (rúmen) grande quantidade de sementes, e as alterações fecais consideradas indicativas da doença. As queimadas não matam a planta, mas, segundo a Embrapa, o anelamento (descascamento da planta em grande área do tronco), faz com que a planta morra. O combate a essa árvore é vital para encerrar a mortandade.

Vaca magra na propriedade citada. No fundo a esquerda árvore de barbatimão.
Conteúdo ruminal, abomasal e intestinal de cor escura, odor fétido e relativamente seco.
Foto da árvore, ramo e fava de barbatimão. Imagem de Carlos H. Tokarnia
Vaca morta pela ingestão de barbatimão.
Abertura da semente de uma fava de barbatimão.

CASO HUMANO DE MORMO NO RN, APÓS CONTATO COM ÉGUA CONTAMINADA

Segundo informações sigilosas, mas confiáveis e técnicas, ainda não confirmadas oficialmente pelo SESAP-RN (Secretaria Estadual de Saúde Pública), isolou-se de um paciente humano a bactéria Burkholderia mallei, causadora de mormo em equídeos (cavalos, burros, mulas e jumentos) e que ocasionalmente pode causar doença em seres humanos.

A pessoa infectada é um criador de equinos numa cidade do interior do RN. Segundo o que foi apurado, o criador recebeu uma égua para ser coberta por seu garanhão. Alguns dias após o contato com a égua, aparentemente sem sintomas de mormo, o fazendeiro começou a ter um quadro de febre, fortes dores de cabeça e no corpo. Procurou o hospital local que encaminhou para um hospital de grande porte na capital do estado.

Após informar que teve contato com um equino, além da evolução da doença, os médicos suspeitaram de mormo, iniciando o tratamento para essa enfermidade. O quadro clínico se agravou inicialmente, mas aos poucos cedeu e a pessoa melhorou bastante e já retornou a sua residência, embora ainda não esteja andando.

Segundo a literatura existem quatro diferentes quadros clínicos de mormo em pessoas: a pulmonar, a generalizada, a que forma abscessos pelo corpo e os quadros crônicos. Nos dois primeiros a morte acontece em 80% dos pacientes, enquanto que nos dois últimos ao redor de 50 %.  Um trabalho recente (2022) publicado na Revista Brasileira de Doenças Infecciosas já identificou pela primeira vez essa zoonose em seres humanos no Brasil, com o isolamento da bactéria causadora, num garoto sergipano de 11 anos, que cuidava de cavalos, e que após uma longa internação conseguiu se livrar da enfermidade.

Segundo dados da fonte consultada, isolou-se da égua potiguar a mesma bactéria, sendo recomendado seu sacrifício. Dados oficiais indicam que só neste ano já foram confirmados 20 casos de mormo em equídeos no RN, sendo interditado 13 fazendas com casos positivos, para evitar a disseminação da doença. Com exceção do Acre, Tocantins e Roraima, o mormo já foi diagnosticado em todos os estados brasileiros, estando muito alastrado nos estados nordestinos.

Equídeos com mormo podem ter febre, abatimento, tosse, eliminação de catarro ou pus pelas narinas e pelos olhos, presença de feridas pelo corpo, formação de abscessos, íngua e muita dificuldade para respirar. Os animais com quadro crônico emagrecem e pode morrer.

Para conter a doença, que aos poucos se espalha pelo Brasil, o MAPA recomenda o sacrifício dos animais positivos, a interdição das fazendas com casos comprovados, e resultado de exame laboratorial negativo para permitir o transporte de equídeos. Sugere-se também que todo cavalo comprado seja isolado (quarentena) por um tempo da tropa, para que no caso de exibir a doença não a transmita para outros animais. Evite manipular animais suspeitos da doença. Como diz o ditado popular: “Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém!”

Sintomas clínicos em cavalos com mormo. Foto: Gustavo N. Diehl

Mande sua notícia da presença de focos ou surtos recentes dos mais variados tipos de doenças em gado de corte para o seguinte email: ortolani@usp.br

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