O papel transformador do crédito de carbono e da ILPF sobre as mudanças climáticas

LEIA o artigo de Sergio Schuler, vice-presidente do negócio de Ruminantes da dsm-firmenich e presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável

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Por Sergio Schuler – Vice-presidente do negócio de Ruminantes da dsm-firmenich e presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável.

A pecuária brasileira tem um papel de destaque na economia do país e contribui significativamente para a geração de riqueza e de empregos, além da atividade primária que é fornecer proteína animal de alta qualidade. No entanto, o setor enfrenta desafios importantes relacionados à sustentabilidade e à preservação do meio ambiente, especialmente quando se trata das mudanças climáticas.


Nesse sentido, a discussão sobre a relação da pecuária com o clima deve ser levantada por diversos atores da sociedade, a fim de identificar medidas que contribuem para a preservação dos recursos naturais do nosso planeta, ao mesmo tempo em que são adotadas soluções com foco no bem-estar animal. Entre as ações dessa pauta – e muitas delas já são vistas nas fazendas brasileiras –, destaco a adoção do crédito de carbono e do sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), temas que terão um foco especial nessa conversa, uma vez que tornam a atividade mais amigável ao ambiente e economicamente viável.

O desafio das mudanças climáticas

As mudanças climáticas representam uma realidade a ser enfrentada em todo o mundo e têm causado impactos na natureza e, consequentemente, em diversos setores econômicos, incluindo a pecuária. No Brasil e no mundo, a atividade tem enfrentado uma pressão crescente para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE), consideradas um dos impulsionadores do aquecimento global.

No caso brasileiro, que tem o maior rebanho comercial do planeta, cujos animais são criados majoritariamente em sistemas de pastagens, a pressão ainda é maior, com os olhos das autoridades ambientais voltadas ao nosso segmento, apesar dos grandes avanços do agronegócio brasileiro em termos ambientais.

Isso acontece em decorrência das emissões, principalmente de metano (CH4), produzido pelo processo digestivo do gado – conhecido como fermentação entérica –, e do óxido nitroso (N2O), associado à fertilização de pastagens e, nesse aspecto, o setor deve olhar para a movimentação em torno desse tema para buscar soluções que sejam eficientes em todos os aspectos, incluindo os pontos relacionados aos índices de produtividade.

O crédito de carbono como incentivo à sustentabilidade e o papel da ILPF

O crédito de carbono surge como uma ferramenta promissora para incentivar a redução das emissões de GEE. Esse mecanismo permite que produtores que adotam práticas sustentáveis, como o manejo adequado do rebanho ou a implementação da ILPF, sejam recompensados financeiramente por suas ações na redução da pegada de carbono.

O Brasil, com sua vasta extensão territorial e grande rebanho bovino, possui um potencial significativo para gerar créditos de carbono certificados, os quais podem ser comercializados em mercados nacionais e internacionais. Certamente a pressão por neutralidade de emissões e conversões vai aumentar por parte dos consumidores e consequentemente ser cada vez mais cobrada por órgãos reguladores.

O sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta é uma prática agropecuária que, ao combinar atividades agrícolas, pecuárias e florestais em uma mesma área, gera benefícios tanto ao meio ambiente quanto os produtores, tornando a pecuária mais resiliente aos impactos das mudanças climáticas. Isso acontece porque a presença de florestas e árvores em pastagens reduz as emissões de carbono e, ao mesmo tempo, contribui para o sequestro desse elemento químico da atmosfera, compensando parte das emissões geradas pelo gado e nutrindo o solo.

A ILPF melhora a fertilidade do solo, aumentando a produtividade das pastagens e reduzindo a necessidade de abrir novas áreas para o cultivo de forragens e grãos. Alinhado a isso, as árvores proporcionam sombra e conforto térmico aos animais, reduzindo o estresse térmico e melhorando a produtividade do rebanho. É um sistema de economia circular que gera ganho para todas as safras, incluindo futuramente a mais jovem safra do crédito de carbono que traz benefícios não só para o bolso de quem pratica a sustentabilidade, mas também ao planeta.

O desafio da implementação e incentivos

Apesar das inegáveis vantagens do crédito de carbono e da ILPF, a implementação em larga escala dessas duas estratégias na pecuária brasileira ainda enfrenta desafios. Questões relacionadas ao acesso ao crédito, falta de informações técnicas e a necessidade de capacitação dos produtores e sistemas de apuração cientifica são algumas das barreiras a serem superadas. Adicionalmente, políticas públicas eficazes e incentivos governamentais são essenciais para estimular a adoção dessas práticas sustentáveis.

A relação da pecuária brasileira com o clima é uma questão central para a busca de um desenvolvimento sustentável no país. Através do crédito de carbono e da ILPF, é possível enfrentar esse desafio de forma inovadora e eficiente. A promoção de práticas sustentáveis na pecuária contribuirá para a redução das emissões de GEE, mitigando os impactos das mudanças climáticas e garantindo a preservação do meio ambiente. E a economia circular vai garantir a produtividade e sustentabilidade para as gerações futuras. Cabe aos governos, produtores e à sociedade como um todo trabalharem em conjunto para viabilizar a transição para um modelo de pecuária mais sustentável e responsável.

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