Considerações sobre o ágio do bezerro e o que isso pode sinalizar

CONFIRA a análise do médico veterinário Hyberville Neto, consultor e diretor da HN AGRO

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Por Hyberville Neto – consultor e diretor da HN AGRO

Em relação à viabilidade da compra, obviamente, quanto menor o ágio, melhor, mas deixo aqui algumas ponderações, focando na parte gerencial, depois falaremos do ágio do ponto de vista do mercado e o que ele pode estar indicando.

O ágio do bezerro tem aumentado nos últimos meses, com os recuos do mercado do boi gordo até março e o bezerro praticamente estável, nas médias mensais. Mais recentemente, inclusive, com as categorias jovens esboçando uma reação maior.


Com isso, o ágio do bezerro ganhou espaço nas discussões, assim como a viabilidade ou não de trazer esse ágio para o sistema.

Em relação à compra da reposição, obviamente, quanto menor o ágio, melhor, mas deixo aqui algumas ponderações, focando na parte gerencial, depois falaremos do ágio do ponto de vista do mercado e o que ele pode estar sinalizando.

Do ponto de vista da análise de investimento

Quanto maior a sua eficiência econômica da engorda (custo da arroba engordada) e maior o peso adicionado (que dilui o ágio em mais arrobas produzidas), mais espaço você terá para trabalhar e gerar seu resultado, sua TIR (taxa interna de retorno) da operação.

Esse retorno, por sua vez, é comparado à taxa mínima de atratividade (TMA), cujo piso normalmente é um investimento de renda fixa seguro. Mas nada impede que o investidor (produtor) opte por definir uma taxa maior, que valha sair de algo “garantido” como um investimento de baixo risco.

Perceba que como estamos falando de uma taxa, o tempo é importante. Em outras palavras, uma arroba barata, mas “demorada”, carrega mais “custo de oportunidade” do capital, seja esse considerado no custo ou ao ser avaliado como alternativa.

O ágio que o sistema pode assumir depende de como a engorda é feita e até do peso do bezerro. Quanto menos arrobas de bezerro, com ágio, mais arrobas (da recria e engorda) pagarão a conta.

Essas ponderações consideram o ágio analisado frente ao mercado vigente. Como estamos falando de bezerros, o horizonte até o abate não está na B3, então não é possível travar as cotações.

Aproveitando, usar a B3 para avaliar o mercado sem travar efetivamente é inútil. Considerando que a bolsa (compradores e vendedores) tentam “acertar” o preço no mês de referência, se a tela fosse sinônimo de bola de cristal, o gráfico seria uma reta, no valor “correto”, lá do vencimento. Se a B3 não pode ser usada para travar as cotações, comprar um bezerro em um ágio que não é viável no seu sistema hoje depende de valorizações do boi gordo adiante.

A seguir vamos ponderar o que o ágio pode nos dizer sobre o mercado.

O ágio do bezerro e o mercado

Se o ágio está elevado, o preço do bezerro está relativamente mais firme, em relação ao boi gordo. Em outras palavras, ágio elevado é sinônimo de uma relação de troca menos atrativa com a reposição.

Isso é resultado de um cenário de bezerro subindo mais ou caindo menos que o boi gordo.

Aqui analisaremos em médio prazo, a lógica do movimento, e não o cenário pontual.

Como quem define os preços do boi gordo, na prática, é a oferta de fêmeas, temos um cenário de volume relevante de fêmeas indo para o gancho para fazer com que o mercado do boi esteja mais frouxo (ou menos firme) que o do bezerro.

Mas quem define a oferta de fêmeas não é a cria (como sistema ou parte dele)? Ou seja, após algum tempo de abate de fêmeas em alta, a oferta de bezerros começa a enxugar e a relação de troca (ou ágio) fica menos interessante ao recriador.

Isso ocorre porque o bezerro está relativamente mais firme, consequentemente, a rentabilidade da cria começa a melhorar e aquelas fêmeas que produziam bezerros baratos e iam para o gancho já começam ser vistas com outros olhos, para a produção de bezerros.

Saem fêmeas dos abates e o mercado dos animais terminados ganha fôlego, “acalmando” o ágio em um segundo momento.

Em outras palavras, a relação de troca boa dos últimos anos tende a ficar menos interessante, exigindo mais eficiência do recriador e invernista. Por outro lado, quando a fase de alta ocorre, a troca com os diversos insumos fica melhor, na média.

Com isso, fica mais caro comprar o bezerro, mas como a arroba vendida está mais valorizada, há espaço para as outras contas. A margem de contribuição de cada animal pode estar maior, mesmo com troca pior.

Para ilustrar, a figura 1 apresenta o ágio médio do bezerro, em relação ao boi gordo, nos doze meses anteriores, e a variação da participação de fêmeas nos abates, frente ao mesmo mês do ano anterior.

Figura 1. Ágio do bezerro e variação da participação de fêmeas nos abates (p.p.), na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Obs.: ágio calculado considerando o preço Cepea para bezerro em MS e boi gordo em SP, média dos doze meses anteriores | a variação da participação de fêmeas compara a variação em p.p. da participação acumulada em 12 meses, frente ao mesmo mês do ano anterior.
Fonte: CEPEA / IBGE / HN AGRO

Utilizamos as médias de 12 meses, tanto para o ágio, como para a participação de fêmeas nos abates, para demonstrar as tendências, sem tanto ruído de oscilações pontuais.

O ágio do bezerro até abril está em 28,1% (média de 12 meses), com as variáveis usadas (bezerro MS e boi SP). A última vez que essa relação superou os 28,0% foi em fevereiro de 2020 e ficou acima desse patamar até junho de 2022.

Coincidentemente – ou não – em quase todo o intervalo houve retenção de fêmeas, na comparação apresentada, exceto em maio e junho de 2022. Dali em diante, o ágio diminuiu e as fêmeas foram a mais para o gancho.

Entre dezembro de 2014 e dezembro de 2016, o ágio também ficou acima de 28,0%, com retenção em todo o período, nas comparações anuais.

Considerações

Em março de 2024, tivemos a primeira queda mensal na participação de fêmea em doze meses, considerando dados preliminares do SIF.

Quando analisamos o ágio, ele também começa a mostrar que o desinvestimento na cria e os abates de fêmeas dos últimos anos parecem começar a serem sentidos. Isso vai na direção de um cenário de preços mais promissor, com uma ajuda do mercado externo.

Se esse esboço de reação do bezerro se confirmar, é provável que a tendência de retenção de fêmeas também seja chancelada, diminuindo a oferta e animando as cotações.

 


Convite: Na próxima semana estarei em Cuiabá (30/4) e Tangará da Serra (2/5), participando dos eventos regionais da MFG Agropecuária. Apresentarei a visão da HN AGRO sobre o mercado da pecuária de corte e insumos, o professor Zequinha (UNESP Botucatu) vai tratar sobre tecnologias reprodutivas e a equipe da MFG e patrocinadores vão falar do desempenho na produção. Para mais informações e inscrição gratuita, acesse as redes sociais da MFG (@mfgconfinamentosbr).

Você gostou desta coluna? Tem alguma sugestão ou informação nova?  Por favor, me escreva no e-mail hyberville@hnagro.com.br.

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