Ao que os números de abate indicam, o ano de 2021 pode levar o Brasil a registrar um volume inferior do registrado em 2011: 27,6 milhões de bovinos, levando a uma queda de 7,7% sobre os abates de 2020. Segundo o IBGE, foram 28,8 milhões de animais ao gancho em 2011; se o cenário não pode ser o dos mais animadores, o mesmo não se pode dizer da guinada esperada para 2022 e 2023.
As previsões são do engenheiro agrônomo e doutor em economia Alexandre Mendonça de Barros, sócio consultor da MB Agro, que falou sobre as tendências de médio prazo para a pecuária brasileira, durante o quarto e último encontro virtual do “Tour DSM de Confinamento 2021”, promovido em 16 de novembro.
Foto: Divulgação
“Vamos ter mais bezerros no próximo ano, mas principalmente em 2023. Acho que esse número vai ser muito alto, e com isso vamos voltar a ter um volume de abate na casa dos 34 a 35 milhões de cabeças”, prevê Barros.
As projeções fazem parte de uma simulação elaborada pelo consultor, levando em conta a tendência de bovinos abatidos, além de uma nova safra de bezerros e a oferta de boi magro que não foi abatido esse ano.
Segundo Barros, muitos animais deixaram os confinamentos este ano para voltar ao pasto, por conta da paralisação das vendas de carne bovina para a China em setembro.
A avaliação do consultor é que esse rebanho seja terminado no ano que vem. Se isso de fato ocorrer, os abates voltariam a patamares dos anos de 2013 e 2014, quando foram abatidos respectivamente 34,4 milhões e 33,9 milhões de bovinos, segundo dados do IBGE.
“As perspectivas da pecuária brasileira são excelentes, por sermos o único país com potencial relevante de expansão da oferta”, avalia Barros.
Durante o evento, o analista mostrou que a demanda por carne vermelha será muito impactada por novos consumidores nos países asiáticos.
Todos as tendências de estudos internacionais mostram um crescimento populacional acompanhado de um crescimento do poder aquisitivo nessa região.
Quanto maior for o poder aquisitivo, maior também passa a ser a melhora a dieta das pessoas; e a melhoria da dieta leva um maior consumo de proteína vermelha, uma das mais nobres na cadeia de alimentos.
E é o Brasil que terá a maior oportunidade de ser o principal fornecedor de carne bovina em função de disponibilidade de área, água, relevo, genética e técnicas de produção animal.
“Todo o crescimento nas próximas décadas vai encontrar muita dificuldade nos principais países produtores de carne. É lógico que o Brasil é o único que vai atender essa demanda. Conforme a classe média asiática continuar crescendo, essa demanda certamente virá”, afirma Barros.
Clique aqui e acompanhe a apresentação final do “Tour DSM de Confinamento 2021”, bem como os demais encontros deste ano.
Daniel Gaia, zootecnista e proprietário da DG Assessoria Pecuária, comenta os preços da reposição, a oferta de boi magro e as tendências do mercado pecuário no Tocantins.
A zootecnista Janaina Martuscello analisa os benefícios e os desafios das leguminosas em pastagens, destacando os principais cuidados para o sucesso do sistema.
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