Com um El Niño de forte intensidade mexendo dramaticamente com o regime de chuvas, especialmente no Brasil, a colheita da soja avança com cenário de quebra da safra de “forma irreversível”.
Essa é a sentença da Agroconsult, segundo levantamento prévio do Rally da Safra 2024. As estimativas foram divulgadas em 18 de janeiro.
Com clima irregular ao longo do plantio e durante o desenvolvimento das lavouras nas diferentes regiões – falta de chuvas e altas temperaturas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste e excesso de chuvas no Sul do país – a safra apresenta quebra em todos os Estados que já supera 15,3 milhões de toneladas.
Diferente da temporada 2015/16, quando o fenômeno El Niño também foi de alta intensidade, nessa temporada os estragos foram maiores, principalmente devido à maior precocidade das lavouras.
Uma das consequências foi o replantio recorde de 2,9 milhões de hectares, sem contar as áreas abandonadas para dar lugar ao algodão.
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Mato Grosso sente o golpe – A quebra de safra estimada pelo Rally está estampada na diferença da previsão de colheita. Em setembro, ela sinalizava 169,1 milhões/t.
Agora, o número caiu para 153,8 mmt, queda de 9%. Todos os Estados produtores mostraram o mesmo comportamento, puxados pelo líder de plantio, Mato Grosso, onde se prevê redução de 7,4%.
No MT, o plantio foi muito desuniforme, devido à irregularidade climática: a região Oeste arriscou com pouca umidade e algumas áreas foram abandonadas e cultivadas com algodão safra. O replantio foi o maior da história, cerca de 8,5% da área destinada à cultura, equivalente a mais de 1 milhão de hectares.
Houve perdas de potencial em todas as fases. As precoces apresentaram encurtamento de ciclo, causado pelas altas temperaturas que acarretaram perda de estande e abortamento de vagens.
O clima seco favoreceu também a alta incidência de pragas (mosca-branca). As lavouras de ciclo médio e tardio apresentam melhores condições pois receberam chuvas após a 2ª quinzena de dezembro.
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O receio agora está no excesso de chuvas na colheita nas próximas semanas. No restante do Brasil, o cenário de quebra de safra é certo, mas menos duro: Goiás e Paraná com respectivamente menos 2,25% e 1,8% que as estimativas iniciais. Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, MAPITO (Maranhão, Piauí e Tocantins), Bahia, Minas Gerais e Santa Catarina apresentam redução inferior a 1%.
As perdas aparecem na produtividade esperada. Nacionalmente, a média da última safra foi de 60 sacas por hectare, mas a esperada pela Agroconsult, por enquanto, é de 56,1 sacas/ha.
Contudo, depois da última colheita, a área plantada de soja cresceu 2,9%, saindo de 44,4 milhões de hectares para 45,7 (mi ha)




