O portal Beef Central publicou reportagem relatando o preenchimento da cota de exportação anual da Austrália para a China, fixada em 205 mil toneladas.
O Brasil está perto de atingir 100% de sua cota para 2026, de 1,1 milhão de toneladas — analistas brasileiros acreditam que o esgotamento ocorrerá entre as últimas semanas de junho e início de julho.
“Fomos informados de que o percentual de preenchimento de 100% da cota foi atingido”, diz a Beef Central, acrescentando que, até o momento, o governo chinês não divulgou um comunicado oficial confirmando a informação.
Com o fim da cota, todas as importações chinesas de carne australiana realizadas pelo restante do ano passarão a ser tributadas com uma pesada tarifa de 55%.
Outros fornecedores, como o Brasil, enfrentarão a mesma sobretaxa quando atingirem seus limites nos próximos meses.
A Beef Central recorda que a adoção do mecanismo de salvaguarda, válido pelos próximos três anos, teve como objetivo proteger a indústria bovina chinesa do aumento da concorrência das importações.
Outros analistas, diz o portal, interpretam as cotas deste ano como uma espécie de válvula de escape para compensar o enorme crescimento da produção doméstica de carne suína — e a consequente queda dos preços do suíno — após os esforços do governo para reconstruir o rebanho devastado pela epidemia de peste suína africana ocorrida há alguns anos.
O marco alcançado este mês pelos exportadores australianos não chegou a surpreender o setor, observa a Beef Central.
“Há meses, o mercado já apontava meados de junho como o período mais provável para o esgotamento da cota australiana”, ressalta a reportagem.
Até o fim de março, cerca de metade do volume autorizado já havia sido utilizada, e o ritmo só acelerou desde então, lembra o texto.
Também há meses os exportadores da Austrália vêm elaborando planos de contingência e estratégias de gestão para lidar com o cenário.
A expectativa é que a cota de 2027 seja preenchida ainda mais rapidamente, diz a Beef Central.
“Isso porque haverá uma avalanche de carne australiana chegando ao mercado a partir de 1º de janeiro, após seis meses e meio de restrições tarifárias”, justifica o portal.
Comércio vai virar pó
O comércio de carne bovina australiana para a China deve desacelerar drasticamente até o final do ano, relata a reportagem.
“Num primeiro momento, os clientes utilizarão os estoques acumulados anteriormente em câmaras frigoríficas para amortecer o impacto da tarifa”, observa o texto, acrescentando: “Quando esses volumes se esgotarem, apenas alguns cortes específicos ainda poderão ser comercialmente viáveis sob a sobretaxa de 55%”, afirma um grande operador de exportação à Beef Central.
“Pequenos volumes de Wagyu premium ainda poderão ser embarcados para determinados clientes do setor de food service. Além disso, alguns cortes de peito e short plate ainda podem seguir para a China, mas todo o ‘açúcar’ desse mercado desapareceu”, diz a fonte.
Segundo ele, quando os estoques congelados atualmente disponíveis começarem a diminuir, outros cortes poderão eventualmente voltar a fazer sentido econômico, mesmo sob a penalidade tarifária de 55%. “Mas, até janeiro do próximo ano, será apenas um gotejamento, não um fluxo.”




