Sindan é contra proposta da Abiec para banir ionóforos da pecuária

Entidade que representa os frigoríficos teme interrupção das exportações para a União Europeia. Indústria veterinária diz que a proibição dos ionóforos coloca em risco a saúde dos animais e trará prejuízo aos produtores. Confira a entrevista com Emílio Salani, vice-presidente do Sindan.

O setor produtivo foi pego de surpresa esta semana. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) solicitaram ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a ampliação das restrições ao uso de antimicrobianos, incluindo os ionóforos, como a monensina e a lasalocida, amplamente utilizados na produção pecuária.

O pedido ocorre em meio às discussões entre Brasil e União Europeia sobre o uso de antimicrobianos melhoradores de desempenho na produção animal. O tema, apesar de não ser novo, ganhou relevância nos últimos meses após o bloco anunciar a retirada do Brasil da lista de fornecedores de carne a partir do dia 3 de setembro. A medida pode impactar diretamente as exportações brasileiras de carne bovina e de frango.

Em entrevista concedida ao repórter Renato Villela, no programa DBO Destaca, Emílio Salani, vice-presidente do Sindan, diz que a entidade é contra a proibição do uso dos antimicrobianos na produção animal. “Banir as moléculas poderia nos trazer, inclusive, um problema de imagem, porque já apresentamos a outros países documentos que mostram que somos capazes de segregar nossas produções (com ou sem o uso de antimicrobianos promotores de crescimento)”, diz. Confira a entrevista completa acima.

Prejuízo aos produtores

A expectativa do setor produtivo é de que o Mapa não encampe a proposta da Abiec e da ABPA, uma vez que muitos produtores utilizam os ionóforos para modular a fermentação ruminal, visando maior eficiência alimentar e maior ganho de peso. “A indústria tem feito investimentos, assim como os produtores, buscando índices de produtividade nunca vistos antes. Não podemos abrir mão das ferramentas que nos trouxeram até aqui”, afirma.

Para Salani, a preocupação não se restringe aos efeitos negativos de eventual proibição dos antimicrobianos sobre o desempenho dos animais, mas também sobre o controle e prevenção de doenças e distúrbios metabólicos. “A gente não pode nem pensar em um animal não ter acesso a um arsenal terapêutico adequado”, diz.

Produção segregada

As entidades representativas do setor, dentre elas a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), a ABCAR (Associação Brasileira das Empresas de Certificação) e a própria Abiec, elaboraram um “protocolo de segregação” para ser apresentado à União Europeia. O documento, homologado pelo Mapa no dia 29 de maio, tem caráter privado e adesão voluntária, e discorre sobre as medidas de segregação para as indústrias e produtores interessados em destinar animais à exportação para o mercado europeu.

Entre as garantias oferecidas aos europeus, estão o sistema de identificação e cadastro no Sisbov, banco de dados em plataforma própria, concessão de certificação dos bovinos e avaliação sistemática do manejo/controle do uso de antimicrobianos e aditivos nutricionais nas propriedades aderentes. Uma reunião estava programada para a última terça-feira (16/06) entre representantes do Mapa e da União Europeia para tratar do tema. Até o momento, a pasta não se manifestou sobre o encontro.

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