Pela primeira vez na história, o Brasil ultrapassou a Austrália como o maior fornecedor mundial de carne bovina para os Estados Unidos, destaca reportagem publicada no site australiano Beef Central.
Nas últimas quatro décadas, a Austrália tem sido a principal fornecedora de carne bovina importada para o mercado norte-americano, chegando a ultrapassar 400.000 toneladas/ano em alguns momentos. No ano passado, a quantidade ficou um pouco abaixo disso, em 395.000 toneladas, informa o portal.
Em abril/25, os embarques de carne bovina do Brasil atingiram 48.000 toneladas, ante as irrisórias 8.000 toneladas computadas em abril/24.
Por sua vez, as exportações de carne bovina a Austrália para os EUA somaram 37.200 toneladas em abril/25, enquanto os embarques de maio/25 ao mercado norte-americano totalizaram 38.431 toneladas (um aumento de 23% em relação ao mesmo período do ano passado).
“Embora ainda bem abaixo do recorde mensal recente de 47.000 toneladas estabelecido em outubro/24, maio/25 ainda foi um mês com volume muito alto”, destaca o site australiano, acrescentando a tarifa adicional de 10% imposta pelas medidas “retaliatórias” de Trump, em 10 de abril/25, “teve praticamente zero impacto nas exportações de carne bovina australiana para os EUA”.
A reportagem da Beef Central exibe um gráfico, elaborado pelo economista Richard Koch, da Elders, que mostra o desempenho expressivo das vendas de carne bovina do Brasil (em vermelho escuro) ao mercado norte-americano ao longo deste ano, em comparação aos embarques da proteína australiana efetivados no mesmo período.
“A China continua sendo o principal destino das exportações de carne bovina do Brasil, absorvendo cerca de 45% de todos os embarques em volume, mas a crescente escassez de gado nos EUA impulsionou a demanda por importações de carne bovina, fortalecendo as vendas da proteína produzida no Brasil e na Austrália”, relatou o portal.
A reportagem lembra que, desde fevereiro/25, o Brasil tem exportado carne bovina aos EUA fora da cota de 65.000 toneladas (com isenção de tarifas e que foi preenchida rapidamente, em janeiro/25).
Isso significa que a carne bovina brasileira direcionada aos EUA recebe a antiga taxa (fora da cota) de 26,4%, além de mais uma nova tarifa recíproca de 10% (estabelecida em abril/25 pelo governo Trump), somando um imposto total de 36,4%.
Em contrapartida, a indústria de carne bovina australiana se beneficia de uma enorme cota isenta de tarifas de 448.000 toneladas, negociada sob o Acordo de Livre Comércio EUA-Austrália de 2005.
A Austrália, ressalta o portal australiano, ainda está sujeita à tarifa recíproca de 10% imposta pelos EUA mas isso ainda está muito longe da taxa de 36,4% estabelecida para a carne bovina brasileira.
Carne brasileira é mais barata
Segundo o analista da Elders, Richard Koch, a carne bovina sul-americana é comercializada com um desconto de US$ 9-10 centavos/lb em relação ao produto australiano, indicando que ela tem “uma vantagem de custo significativa sobre a proteína da Austrália (principalmente devido aos menores valores de terra e custos de mão de obra)”.
Recentemente, o Brasil foi declarado livre da vacinação contra a febre aftosa pela OMS, o que abriu caminho para o País acessar valiosos mercados de carne bovina da Ásia, como o Japão e a Coreia do Sul, observa o analista.
“Curiosamente, o Japão tem uma das maiores populações de expatriados brasileiros do mundo, e há uma pressão real para abrir o mercado para a carne bovina brasileira, com a Coreia provavelmente seguindo os passos dos importadores japoneses”, disse Koch.
O Japão deve enviar uma missão técnica ao Brasil nos próximos 60 dias para inspecionar o sistema sanitário e as plantas de processamento de carne bovina do país, lembrou o portal.
Nichos de mercado da carne brasileira nos EUA
Segundo apuração da Beef Central, muito pouco, ou nada, da carne bovina brasileira importada pelos EUA é direcionada para o varejo (supermercados) do país.
Grandes redes nacionais de hambúrgueres, como McDonald’s ou Burger King, também não utilizam produtos sul-americanos, optando por se abastecer exclusivamente de carne bovina importada da Austrália e da Nova Zelândia, acrescenta a reportagem.
No entanto, esclarece a Beef Central, existe uma vasta legião de pequenas redes de hambúrgueres e outros fast-foods, além de fabricantes de produtos de valor agregado nos EUA, que agora estão claramente dispostos a usar carne bovina brasileira para controlar custos.
De acordo com o portal, há dezenas de redes de hambúrgueres menores e de nicho nos EUA, com algo entre 50 e 200 lojas em todo o país.
A popular rede de hambúrgueres Five Guys, por exemplo, tem 1.800 lojas, principalmente na América do Norte, mas também na Europa, Austrália e outros lugares, informa o site.
Fonte: Beef Central




