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Os pilares da suplementação eficiente na recria e para o boi de 24 meses

Especialista detalha os pontos essenciais para alavancar o desempenho dos bovinos na fase de recria e encurtar a idade de abate dos animais
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A idade de abate é, cada vez mais, um divisor de águas na pecuária de corte brasileira e a recria tem protagonismo direto em quando o animal sairá da fase final de engorda para o frigorífico.

De modo geral, o período de cria tende a ficar próximo de sete meses e a terminação, num contexto intensivo, costuma se resolver entre 90 e 120 dias.

Onde o relógio realmente aperta é na recria, fase que pode ser de 8 meses (na RIP) ou ultrapassar a barreira dos 30 meses em sistemas pouco tecnificados, o que não os torna elegíveis ao fornecimento do boi China.

Justamente em relação ao atendimento do mercado chinês, o consultor de Serviços Técnicos da Agroceres Multimix, José Rodolfo Reis de Carvalho, enfatiza que a recria é o grande gargalo desta conta.

“Se considerarmos os períodos médios de cria e terminação, temos 11 meses somados. Sobram, portanto, 19 meses para a recria, o que é um intervalo bastante longo diante das tecnologias já disponíveis”, alerta o especialista.

“Por isso, a proposta atual é organizar o sistema para que a recria dure 12 meses e o animal seja terminado aos 24 meses, naturalmente dentro da janela do boi China.”

O caminho para isso, segundo José Rodolfo, passa pelo que ele chama de “ecossistema da suplementação”, definido pela escolha correta do suplemento a ser usado na recria e do bom manejo de pilares essenciais para que esse recurso nutricional seja bem aproveitado.

Programar o nascimento para o “cedo”

O primeiro pilar nasce ainda na cria, com a programação dos nascimentos. A recomendação do consultor da Agroceres Multimix é privilegiar o chamado “período do cedo”, concentrando os nascimentos entre agosto e setembro.

Com o bezerro nascendo nesse intervalo, o terço médio de gestação da vaca ocorre na transição de águas para seca, quando ainda há oferta de pasto, garantindo bezerros ao nascer com maior quantidade de fibras musculares e, portanto, maior potencial de ganho de peso.

E, quando esse bezerro começa a pastejar “ruminante funcional”, os pastos estão em pleno período de águas, com boa oferta e qualidade de forragem, permitindo, assim, um bezerro mais pesado à desmama.

Já o bezerro que nasce no “tarde” (dez/jan) passa pelo terço médio de gestação no auge da seca, com pasto ruim e pouco disponível, tendo um menor potencial de ganho quando comparado ao animal que nasce no “cedo”. E quando ele começa a pastejar, o capim já está seco, com menor digestibilidade e menor desempenho.

O bezerro do “cedo” tem outra vantagem: não pega a fase de maiores chuvas logo após o nascimento, o que reduz a incidência de miíases e bernes. E a programação fetal não se limita à musculatura.

“A quantidade de células de gordura (adipócitos) também é definida no final da gestação e logo após o parto. Se o animal não passou por boas condições uterinas e após o nascimento, muito mais difícil será dar acabamento em 90 dias de confinamento, por melhor que seja a dieta.”

A infraestrutura que destrava (ou trava) a recria

Ao entrar na recria, José Rodolfo vê dois erros se repetirem com frequência: estrutura de cocho inadequada e o descuido com a água.

O cocho precisa ser pensado para que o animal vá até ele sem restrições. Espaço linear adequado por cabeça e cobertura são fundamentais. “Cocho coberto é essencial o ano todo. Se o suplemento esquenta demais no sol ou recebe chuva, o consumo cai”, afirma. 

A água, por sua vez, é o ponto em que mais se erra, segundo o especialista. Se o animal não tem acesso a uma água de qualidade, ele reduz o consumo do suplemento, o que afeta tanto o metabolismo, quanto o seu desempenho. Ele destaca que a água precisa ser abundante e de boa qualidade química, física e microbiológica.
“O produtor, geralmente, enxerga apenas o lado físico, como barro, lodo e algas. Mas, quando isso aparece, a parte microbiológica e química (pH alterado pela fermentação de matéria orgânica) já está comprometida há tempos”, observa.

“Não basta ter bebedouro: é preciso monitorar a água. Na prática, isso significa recorrer às assistências técnicas, coletar amostras e analisar o pH e outros parâmetros com frequência. Uma importante pesquisa (Willms et. al – 2002), inclusive, mostrou que machos ao sobreano que tiveram acesso à água de boa qualidade obtiveram um GMD de 0,150g a mais do que aqueles com acesso direto ao açude.” 

A relação entre água e consumo de suplemento passa pela palatabilidade e pela própria fisiologia. O sal e a ureia aumentam a sede. Se a água é ruim ou de difícil acesso, o animal evita o cocho.

“Quem quer fazer uma recria intensiva não pode errar na água. Um boi de 400 kg precisa beber de 40 a 50 litros por dia. Não adianta dar 4 kg de ração e deixar esse animal beber água barrenta ou com gosto ruim”, adverte.

Por que o proteinado é o protagonista

Na recria, a base da nutrição continua sendo o pasto, que, como o produtor bem sabe, precisa ser bem manejado para oferecer boa massa de forragem aos animais. A suplementação, por sua vez, não corrige problema de pasto, ela apenas o complementa.

Nesta seara, o consultor indica o uso dos proteinados e conta que praticamente não trabalha mais com os suplementos básicos, a chamada linha branca.

“O mineral simples é pouco atrativo. Se o animal tiver um pasto melhor, ele nem encosta no cocho”, afirma o consultor. “Já no proteinado de 1 g/kg (0,1% do peso vivo), entram farelos, como de soja e milho, que funcionam como tempero da dieta. O proteinado leva o boi ao cocho com mais frequência. É ali que ele consome o mineral de que precisa.”

Na seca, quando a proteína do pasto costuma ficar abaixo de 8%, o rúmen “trava”. O proteinado entra, justamente, para corrigir essa deficiência.

“Com a linha branca na seca, o boi chega a perder 50g por dia. Com o proteinado, ao contrário, ele passa a ganhar entre 150 e 200 g/dia. O custo adicional é de R$ 0,60 por cabeça, porém, o retorno líquido gira em torno de R$ 1,40/animal, considerando o valor atual da arroba”, calcula.

Há ainda um efeito de “arranque” nas águas. O animal que não perdeu peso na seca entra no período chuvoso metabolicamente preparado, com melhor escore corporal e flora ruminal ativa. O resultado é um ganho de peso mais rápido logo no início das águas.

Desenho de seca, desenho de águas

Um ponto técnico que o consultor faz questão de frisar é que o proteinado de seca não deve ser o mesmo das águas. Na seca, com pasto de baixa qualidade e talvez baixa oferta, o boi tende a buscar mais o cocho.

Para evitar consumo exagerado, o produto leva mais sal branco e mais ureia, o que ajuda a travar o consumo, ao mesmo tempo em que se corrige a ingestão de proteína, minerais e aditivos.

No período das águas, essa lógica se inverte. O pasto é muito atrativo, com boa oferta e qualidade, e o boi se entretém pastejando. Se o suplemento continuar muito salgado e com ureia alta, o consumo cai.

Por isso, o proteinado de águas precisa ser mais palatável, com menos sal e ureia, mantendo-se mais atrativo para garantir aquele ganho extra de 150–200 g/dia.

Os 5 pilares para a eficiência da suplementação na recria e para uma terminação em 24 meses

1 – Programação da época de nascimento dos bezerros.
2 – Estrutura de cocho: essencial para os animais procurarem o cocho sem restrição. Devem ser cobertos, o ano todo, para proteção contra chuva e sol.
3 – Água em abundância e de qualidade, considerando os aspectos químico, físico e microbiológico.
4 – Oferta de boa pastagem, pois a suplementação não substitui o pasto. Ela apenas o complementa.
5 – Escolha correta do suplemento: para uma recria eficiente, suplementos básicos não são indicados. Deve-se priorizar os proteinados.

VEJA TAMBÉM: Agroceres Multimix estrutura divisão focada em aditivos de alta performance

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