Mundo quer carne bovina, enquanto Brasil segue na crista da onda

As exportações brasileiras no primeiro trimestre de 2024 foram as maiores da história, com 527,14 mil toneladas, informa a Agrifatto

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As importações de carne bovina dos EUA e China foram recordes no primeiro bimestre de 2024, enquanto os embarques de carne bovina brasileira também atingiram os maiores níveis já registrados, relata a Agrifatto.

Como se sabe, o Brasil é o principal fornecedor de carne bovina do mundo, sendo responsável por cerca de 25% do comércio global da proteína bovina.

As exportações brasileiras no primeiro trimestre de 2024 foram as maiores da história, com 527,14 mil toneladas (alta anual de 28,24%) e bons números devem ser registrados ao longo do ano, devido ao fortalecimento das parcerias com outros países, acreditam os analistas da Agrifatto.


Ao longo dos dez primeiros dias úteis de abril/24 foram exportadas 104,33 mil toneladas de proteína bovina, o que representa um avanço de 70,55% em relação ao mesmo período em 2023. “A expectativa é de que as exportações atinjam a casa de 190 mil toneladas ao final do mês, o que seria um recorde para o período”, prevê a consultoria.

Porém, a Agrifatto chama a atenção para a redução dos embarques à China, o principal comprador, disparado, da carne bovina brasileira. As exportações do produto in natura ao mercado chinês passaram por forte redução em março/24, diz a consultoria.

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“Apesar do mês passado ter apresentado um dia útil a mais do que fevereiro/24, as exportações ao mercado chinbês reduziram 15,46% no comparativo mensal”, informa a consultoria. Foi o menor volume embarcado desde maio/23, o que resultou em uma participação de 48,82% da China sobre os embarques totais.

“Essa é a menor participação dos embarques para a China desde maio/23”, compara a Agrifatto, que acrescenta: “Quando consideramos apenas períodos em que nenhuma anormalidade nos embarques estava ocorrendo (caso atípico de “vaca louca” no Brasil), foi a menor participação desde março/20”.

Menor dependência chinesa – A venda de carne bovina brasileira para outros países vem se fortalecendo, o que é positivo para a diminuição da dependência de apenas um mercado, observa a Agrifatto.

Segundo a consultoria, um exemplo disso foi o aumento das vendas para os países do Oriente Médio. No primeiro trimestre de 2024, 75,43 mil toneladas de carne bovina foram enviadas para lá, um aumento de 34,32% no comparativo trimestral e de 86,92% ante o mesmo período em 2023.

Os Emirados Árabes Unidos lideram essa forte expansão, com 40,47 mil toneladas de carne bovina in natura embarcadas nos primeiros três meses de 2024, um avanço anual de 284% – foi o segundo maior parceiro comercial do período e o maior volume enviado para lá em um único trimestre na história.

“O Ramadã também pode ter trazido impactos positivos nessa aceleração de compras, pois é um período em que o consumo de alimentos aumentam consideravelmente na região”, observa a Agrifatto.

Além disso, diz a consultoria, alguns traders estão reportando vendas de dianteiro bovino para o Irã, mas esse volume não aparece oficialmente nos dados divulgados pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), “o que levanta a suposição de que os Emirados Árabes Unidos estariam funcionando como entreposto comercial entre os países, devido ao Irã sofrer sanções comerciais de outras nações, o que poderia comprometer a comercialização direta de algumas empresas e sua imagem no cenário internacional”.

No entanto, um aumento nas tensões no Oriente Médio tem gerado preocupado, afirma a Agrifatto. “O ataque de Irã a Israel trouxe uma apreensão na geopolítica mundial e caso o conflito se estenda pode trazer prejuízos para a comercialização de carne bovina em toda a região”, destaca a consultoria.

No entanto, continua a Agrifatto, das exportações totais brasileiras em 2023, apenas 2,20% tiveram como destinos os mercados do Irã, Israel, Líbano, Jordânia e Palestina. Entre eles, o principal comprador foi Israel, que adquiriu 25,27 mil toneladas de carne bovina do Brasil (1% do total exportado), seguido pelo Líbano, com 11,79 mil toneladas (0,47%), Jordânia, com 10,84 mil toneladas (0,43%), Palestina, com 7,51 mil toneladas (0,30%) e o Irã, sem compras oficiais em 2023.

Na avaliação da Agrifatto, no caso de um possível fechamento de portos israelenses e uma escalada nas tensões, o problema poderia se tornar pior ao Brasil, trazendo consequências maiores para o comércio de carne bovina.

Israel é o 11º maior parceiro comercial nas vendas de proteína bovina in natura em 2024, com 10,20 mil toneladas enviadas para lá e um faturamento de US$ 51,26 milhões no período, representando 1,80% das vendas do ano.

Segundo a Agrifatto, ao ampliar um pouco a visão e pensar no Oriente Médio como um bloco e, em caso de guerra na região, “o comércio global de carne bovina brasileira sofreria um impacto bem maior”.

Foram 11 países que compraram carne bovina do Brasil em 2023 (Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, EAU, Iraque, Israel, Jordânia, Líbano, Omã e Palestina), que adquiriram 192,93 mil toneladas de proteína bovina brasileira em 2023 – isso representa 7,65% do comércio brasileiro de carne bovina no último ano, com receita de US$ 877,84 milhões (ou US$ 73,15 milhões/mês).

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“Em 2024, a participação do Oriente Médio é de 14,31% dos embarques totais de carne bovina in natura, para os mesmos 11 países de 2023”, observa a Agrifatto.

Compras dos EUA – As importações de carne bovina dos EUA (tendo o Brasil entre os fornecedores) seguem em ritmo intenso. “Após atingir um recorde histórico de compras em janeiro/24, os norte-americanos importaram 118,27 mil toneladas em fevereiro/24, o que representou queda mensal de 30,25%, mas avanço de 22,97% no anual, sendo o maior volume importado pelo EUA em um mês de fevereiro na história”, informa a Agrifatto.

Com as importações recordes por dois meses consecutivos, as compras norte-americanas de carne bovina do primeiro bimestre são as maiores da história, totalizando 287,85 mil toneladas e avanço de 31,03% no comparativo anual. “Isso se deve a oferta de carne bovina nos EUA estar mais escassa, fato que não é uma surpresa, visto que essa queda no rebanho já vem sendo informada há alguns meses”, relata a Agrifatto.

O principal parceiro comercial (envolvendo a carne bovina) dos EUA no primeiro bimestre de 2024 foi o Brasil, que foi origem de 70,27 mil toneladas, o equivalente a 24,4% do total, seguido pelo Canadá com 61,01 mil toneladas (21,2%) e Austrália com 54,55 mil toneladas e participação de 19%.

No comparativo anual, as importações norte-americanas de carne bovina do Brasil no primeiro bimestre de 2024 são as maiores da história, informa a Agrifatto. “Esse aumento de apetite significativo fez com que o Brasil esgotasse a cota de exportação (sem impostos) de carne bovina para os EUA em 27 de fevereiro – em 2023, isso ocorreu no dia 02/05. A crescente demanda por carne brasileira nos EUA, aliada à queda na produção doméstica norte-americana, contribuiu para o preenchimento precoce da cota”.

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O Brasil, principal utilizador dessa quota, enfrenta agora tarifa adicional de 26,4%. “Os EUA estabelecem limites (quotas) para a quantidade de bens que importam de outros países, com baixas tarifas, afim de proteger as indústrias domésticas”, afirma a Agrifatto.

Atualmente, 17 países estão habilitados para a exportação de carne bovina ao mercado norte-americano. Entre eles, quatro operam sob suas próprias cotas independentes de Tarifa de Contingente (TRQs) – Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Uruguai. Os demais são agrupados na TRQ de “outros países”.

Os números de exportação do Brasil de março/24 apontam para mais de 5,5 mil toneladas de carne bovina para os EUA completamente fora da cota (pagando 26,4% de imposto). Isso mostra, segundo a Agrifatto, que há demanda norte-americana para a carne brasileira mesmo pagando mais impostos.

A situação de produção norte-americana de carne bovina continua preocupante e não há grandes expectativas de uma melhora consistente no médio prazo. “Ainda que os confinamentos do país estejam mais volumosos que o esperado (baixando o preço do boi gordo na bolsa de futuros dos EUA), o descarte de fêmeas continua intenso e, com isso, a oferta de carne bovina não deve crescer consistentemente no médio prazo”, avalia a Agrifatto.

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Com isso, continua a consultoria, o Brasil deve atingir outro recorde de exportação de carne bovina para os EUA em 2024, mesmo com a redução do ritmo a partir de março/24.

Segundo a Agrifatto, a oferta escassa de boi gordo vem resultando em forte avanço nos preços do animal no mercado doméstico norte-americano – no final de março/24, o boi gordo nos EUA atingiu a máxima histórica em US$ 99,90/@, e mais recentemente passou por ligeiras correções e está próximo de US$ 97,05/@. Com isso, reforça a Agrifatto, “boas oportunidades para o Brasil e outros países exportadores de carne bovina estão surgindo”.

Os EUA são os maiores produtores e consumidores de carne bovina do mundo, além de também estar entre os principais exportadores. “Essa mudança de cenário ocorrida nos EUA altera o mercado global da carne bovina, pois, para suprir esse déficit na oferta do mercado doméstico, eles terão que buscar o produto em outros países como ocorreu no primeiro bimestre de 2024”, acreditam os analistas da Agrifatto.

China protagonista – Com volumes recordes importados nos dois primeiros meses de 2024, a China comprou 528,15 mil toneladas de carne bovina, 24,91% de crescimento sobre o volume registrado no mesmo período em 2023, destaca a Agrifatto. O principal fornecedor segue sendo o Brasil, que foi origem de 233,91 mil toneladas, avanço anual de 18,97%, representando 44,29% das compras totais da China.

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Segundo a Agrifatto, as compras chinesas tendem a ser maiores nos finais e inícios de ano, devido à preparação para as comemorações do Ano Novo Chinês, que este ano ocorreu no dia 10 de fevereiro. “Com isso, podemos ver que o apetite dos chineses pela carne bovina ainda encontra-se elevado, mas, devido ao período de sazonalidade, existe uma tendência de queda nos próximos meses”, observa a Agrifatto.

No entanto, apesar do volume recorde de compras no primeiro bimestre do ano, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) espera que os chineses importem 3,45 milhões de toneladas no ano, queda de 2,82% sobre a estimativa anterior e recuo de 3,55% em relação ao volume computado em 2023. “Caso a expectativa do USDA se concretize, será a primeira queda anual desde 2014”, destaca a Agrifatto.

A China continua pressionando para baixo os preços da carne bovina brasileira. O dianteiro está sendo comercializado na média de US$ 4.250/tonelada, queda de 1,16% em relação aos últimos 30 dias, compara a Agrifatto.

No entanto, diz a consultoria, o dólar valorizou 5,82% sobre o real nos últimos 30 dias, o que vem resultando em um preço recebido pelos frigoríficos no dianteiro em R$ 22,47/kg, o maior patamar desde 24 de janeiro de 2024.

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