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Com obstáculos persistentes na China, EUA desviam cortes para o mercado da Coreia do Sul

A maior parte da produção norte-americana de carne bovina está inelegível para o mercado chinês, tornando urgente encontrar compradores alternativos, diz a USMEF
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Com grande parte da produção de carne bovina dos EUA atualmente inelegível para exportação à China, a federação dos exportadores locais (USMEF) lançou uma campanha para impulsionar a demanda por short plate (parte inferior do dianteiro) na Coreia do Sul, segundo relatou o portal norte-americano www.beefmaganize.com, com base em informações da própria USMEF.

A demanda internacional é fundamental para o escoamento do short plate processado nos EUA – quase toda a produção (95%) é exportada.

Os principais destinos desse corte incluem Japão, China, Coreia do Sul e Taiwan, onde normalmente o produto é fatiado, marinado e servido em pratos como hot pot e churrasco coreano.

O short plate dos EUA tem um valor significativamente maior nesses mercados asiáticos em comparação ao mercado doméstico, diz a federação. No entanto, ele é apenas um dos cortes de carne envolvidos no atual impasse comercial com a China.

Quando a China impôs contramedidas em resposta às tarifas “recíprocas” anunciadas pelos EUA no início de abril/25, a taxa total sobre a carne bovina norte-americana disparou para até 147%, relata a USMEF.

Embora os dois países tenham acordado uma trégua em maio/25, reduzindo temporariamente a tarifa para 32%, essa taxa ainda é muito superior aos 12% aplicados à maioria dos fornecedores mundiais da proteína.

Além dessa desvantagem tarifária, diz a federação, a carne bovina norte-americana enfrenta outro obstáculo: a Administração Geral de Alfândegas da China não renovou os registros de frigoríficos e unidades de armazenagem dos EUA, muitos dos quais expiraram em meados de março/25, quando o Acordo Econômico e Comercial da Fase Um completou cinco anos.

Como resultado, a maior parte da produção norte-americana de carne bovina está inelegível para o mercado chinês, tornando urgente encontrar compradores alternativos, ressalta a USMEF.

“Na Coreia, o preço do short plate norte-americano caiu 20% em meados de abril/25, e esperavam-se quedas maiores”, disse Junil Park, diretor da USMEF na Coreia. “Para sustentar os preços, implementamos uma campanha promocional exclusiva com uma das principais redes de hipermercados do país”, acrescentou.

Embora o short plate norte-americano já seja popular no setor de restaurantes coreano, Park explica que a USMEF também está promovendo o corte como opção para o dia a dia, que pode ser preparado em casa.

“A demanda pelo short plate dos EUA é forte no food service e, nos últimos anos, trabalhamos com importadores para incluir esse corte em kits de refeições e refeições prontas para o lar”, afirmou Park, acrescentando: “Também acreditamos que há potencial de demanda no varejo como uma opção versátil para o preparo doméstico”.

Diante disso, a USMEF deu início à promoção na Coreia proclamando 3 de maio como o “Dia do Short Plate”.

Foto: Reprodução / USMEF

Em maio/25, a USMEF lançou uma promoção de sete semanas em 105 lojas da rede de varejo coreana Lotte Mart, que ampliou os pontos de venda desse corte em seus estabelecimentos e destacou o produto em seus folhetos semanais impressos

Com um aumento médio de 75% nas vendas do corte short plate durante a campanha da Lotte Mart, outras grandes redes de varejo coreanas passaram a realizar ações similares, como a E-Mart Traders, E-Mart e GS Super.

Os dados mais recentes de exportação, divulgados pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), destacam a necessidade urgente de restaurar o acesso ao mercado chinês.

Em abril/25, as exportações de carne bovina para a China despencaram quase 70% em relação ao ano anterior, chegando a apenas 5.326 toneladas.

“Já esperávamos que os embarques para a China fossem interrompidos em abril/25, devido à combinação de tarifas mais altas e registros vencidos de plantas”, disse Dan Halstrom, presidente e CEO da USMEF.

Ele acrescentou: “Estamos esperançosos de que esses problemas sejam resolvidos em breve, e vemos com otimismo a retomada das negociações comerciais com a China. Enquanto isso, seguimos firmes na diversificação de mercados e no desenvolvimento de destinos alternativos para os cortes que normalmente iriam à China”.

Apesar da incerteza quanto às tarifas e barreiras comerciais, a demanda global por carne bovina dos EUA tem se mantido firme em 2025.

De janeiro a abril deste ano, as exportações norte-americana de carne bovina e miúdos ficaram 3% abaixo do ritmo do ano passado, totalizando 411.027 toneladas. O valor exportado caiu apenas 1%, para US$ 3,35 bilhões.

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