Os preços do boi gordo sem padrão-exportação e do “boi-China” recuaram R$ 2/@ na praça de São Paulo, para R$ 348/@ e R$ 353/@, respectivamente (valores brutos, no prazo), segundo apuração desta quarta-feira (17/6) da Scot Consultoria, que acompanha diariamente os negócios em mais de 30 regiões brasileiras.
Pelo levantamento diário da Agrifatto, das 17 praças monitoradas, as cotações da arroba recuaram em 6 delas: MS, MT, PR, RJ, RS e SC. Nas demais regiões, os preços ficaram estáveis.
No dia anterior (16/6), a Agrifatto havia detectado queda em 10 das 17 regiões acompanhadas: SP, AL, GO, MG, MS, MT, PA, PR, RO e SC.
Na avaliação da Scot, tanto os frigoríficos de maior porte quanto os menores desaceleraram as compras de boiadas gordas, forçando negócios abaixo das referências.
“Essa postura reflete as incertezas do mercado em relação à demanda externa por carne bovina e ao aumento dos excedentes no mercado interno, diante da proximidade do cumprimento da cota de exportação para a China (medida de salvaguarda, que prevê tarifa adicional de 55% após o esgotamento da cota)”, afirma os analistas da Scot.
Para a equipe de especialistas da Agrifatto, o mercado físico do boi gordo vive um embate entre a pressão negativa dos frigoríficos e a oferta restrita de animais.
“Embora as indústrias testem preços menores, a retenção por parte dos pecuaristas e as escalas curtas limitam quedas mais agressivas, mantendo o cenário de incerteza, que é acentuado pela volatilidade na B3”, observa a consultoria.
No mercado futuro, que vinha de três dias de perdas expressivas, ensaiou uma alta na terça-feira (16/6), mas abriu majoritariamente em baixa nesta quarta-feira, embolando o “meio de campo” e elevando a cautela dos agentes, relata a Agrifatto.
No pregão da última terça-feira da B3, o vencimento de julho/26 foi o destaque positivo, cotado a R$ 335,80/@, com valorização de 0,55% frente ao fechamento anterior.
Mercado do boi gordo entra em zona cinzenta
A proximidade do esgotamento da cota chinesa de importação de carne bovina tem aumentado a cautela de frigoríficos e pecuaristas, gerando dúvidas sobre o comportamento da arroba nos próximos meses. Para César de Castro Alves, consultor do Itaú BBA, o mercado vive uma espécie de “zona cinzenta”, marcada pela falta de visibilidade sobre as exportações para a China, o consumo interno e a capacidade de absorção da oferta prevista para o segundo semestre.
Em entrevista ao programa Mercado Pecuário, da DBO, o especialista analisa os impactos do possível “tarifaço” chinês, as perspectivas para o mercado do boi gordo e os fatores que podem influenciar os preços da arroba no curto prazo. Assista à entrevista completa:
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