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A homenagem a Fausto Pereira Lima e o seu legado

Neste sábado (12/10), celebração na Esalq marca os 70 anos de formatura da turma do Dr. Fausto.
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O engenheiro agrônomo Fausto Pereira Lima, 94 anos, participa neste sábado, 12 de outubro, de uma homenagem na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba, pelos 70 anos de formatura de sua turma.

Dr. Fausto dedicou boa parte de sua vida ao estudo de bovinos na Estação Experimental do Instituto de Zootecnia (IZ), em Sertãozinho, região nordeste de São Paulo. Ele é de um tempo em que nem existiam balanças para pesar os animais nas exposições agropecuárias; por isso, ele desenvolveu vários estudos sobre metodologias que ajudam a calibrar o “olho” do selecionador.

A despeito de todas as ferramentas que vieram apoiar o melhoramento genético, Dr. Fausto sempre valorizou esse olho do criador. Em março de 2021, juntamente com a filha Maria Lúcia Pereira Lima, engenheira agrônoma como ele, lançou o livro “Nelore e Outros Zebuínos – Avaliação Visual, Criação e Manejo”.

A propósito dos 70 anos de sua graduação, o Portal DBO traz três artigos de sua filha Maria Lúcia, pontuando parte de seu importante legado.

Dr. Fausto: O seu legado

Por Maria Lúcia Pereira Lima
Julgamento no Parque da Água Branca, em São Paulo, 1971, com o Campeão Nelore Dumu, raçador famoso e pai de Gim e Garça, touro que bateu recordes de coleta e venda de sêmen.

Trabalhos em fazendas, consultorias e muitos anos de dedicação acabam por deixar um legado. Dr. Fausto Pereira Lima está completando 70 anos que se formou na ESALQ- USP, de Piracicaba (turma de 1954). Desde menino se dedica à criação de animais e sempre foi um observador da natureza. Ele cresceu e estudou numa época em que o zebu era desacreditado como produtor de carne e leite uma vez que os taurinos selecionados na Europa eram muito bons. Estes taurinos trazidos para o Brasil, vacas e touros, não se adaptavam ao clima e pastagens e degeneravam. Como consequência o zebu passou a ser criado e selecionado.

Durante toda a sua carreira o Dr. Fausto trabalhou na seleção dos zebuínos, viu e participou da transformação do Brasil na potência agropecuária que é hoje.

Muitas pesquisas, publicadas há anos, geraram conhecimentos que no momento são muito atuais, por exemplo:

1 – O peso ao nascer do bezerro e o intervalo entre partos

Com o advento da integração lavoura pecuária ou fazendas que suplementam bem suas vacas, verifica-se que a nutrição deixou de ser a maior ameaça para o retorno ao cio após o parto. Vacas Nelore que parem em boas condições e amamentam bem o bezerro, geralmente voltam logo ao cio desde que o peso ao nascer o bezerro seja baixo ou normal e não prejudique a vaca.

Desta forma, se não há questão nutricional, o fator mais importante para o retorno ao cio é o parto fácil de um bezerro leve. Portanto o peso ao nascer deve ser um fator importante no processo de seleção de touros e matrizes.

2 – O mês do nascimento do bezerro e da bezerra

A natureza influencia muito a criação de bovinos no Brasil e comprovadamente, no Sudeste e Centro-Oeste, o mês de nascimento tem influência no desenvolvimento. Bezerros e bezerras que nascem em agosto e setembro têm melhor desempenho que os demais, por isso, se apartar as bezerras que nasceram nestes meses fica mais fácil produzir novilhas precoces, ou mesmo abater bois zero dente, se der boas condições de manejo.

Misturar todos os bezerros no desmame, de todas as épocas de nascimento (os piores são os nascidos em novembro e dezembro) e dar as mesmas condições na recria gera a um

desperdício da influência natural do mês de nascimento. Deve-se usar a natureza a favor e agilizar o ciclo pecuário fazendo o manejo separado dos animais de agosto e setembro.

3 – CE ou perímetro escrotal de touros não é uma boa medida de fertilidade

A fertilidade dos touros zebuínos deve ser avaliada pelo teste andrológico, que examina o sêmen. Há tempos a circunferência ou o perímetro escrotal é valorizado, mas isso deve ser mudado pois os touros Nelores mais avantajados são prejudicados, não conseguem recolher os testículos nos momentos de calor extremo e deixam de proteger naturalmente os seus testículos, tornando-se inférteis.

No livro “Nelore e Outros Zebuínos, Avaliação Visual Criação e Manejo” (Livraria FUNEP-Jaboticabal), na pag. 90 está descrito um estudo de 20 anos de estação de monta, onde a taxa de prenhez variou entre 0 e 100% e o perímetro escrotal não teve nenhuma relação com a taxa de prenhez. O exame andrológico e libido são os determinantes na taxa de prenhez.

Recentemente isso foi confirmado num estudo muito importante realizado pela equipe do Prof. Bento Ferraz1 da USP de Pirassununga. Ficou demonstrado que CE e exame andrológico não tem correlação (-0,14). O estudo incluiu machos entre 14 e 48 meses de idade, nascidos entre 1999 e 2022 e umas das conclusões foi que as correlações genéticas entre CE e características reprodutivas femininas foram muito baixas, assim como CE e qualidade do sêmen, não sendo adequado para uso no melhoramento genético.


1Carvalho,F.E.; Ferraz, J.B.; Pedrosa, V.B. et al. Genetic parameters for various semen production and quality traits and indicators of male and female reproductive performance in Nellore cattle. BMC Genomics (2023) 24:150 https://doi.org/10.1186/s12864-023-09216-5

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