Reportagem desta semana do jornal Clarín coloca em dúvida a capacidade da Argentina – tradicional concorrente do Brasil no mercado internacional de carne bovina – de atingir a meta de exportar 1 milhão de toneladas em 2026.
“Apesar do aumento da demanda global e dos preços internacionais nos primeiros meses do ano, a oferta local de carne bovina diminuiu a tal ponto que colocou em risco as previsões de exportação de 1 milhão de toneladas; a demanda existe, mas não há novilhos e vacas suficientes”, alerta a reportagem.
Após anos de liquidação do rebanho bovino, a disponibilidade total na Argentina de carne bovina – indicador que mede a oferta total da proteína considerando o consumo interno e o que é exportado pelo país – bateu 62 kg/per capita, um nível muito inferior ao das décadas anteriores, informa o Clarín.
Nos primeiros anos de 1920, quando a Argentina era de longe o maior exportador mundial da commodity e conhecido globalmente como o “rei da carne”, o mesmo indicador apontava um consumo em torno de 100-120 kg por pessoa.
Ao considerar o “consumo real” de carne bovina na Argentina – só o que fica no país, descontando o que vai para fora –, atualmente esse número gira em torno de 50 kg/habitante.
“A diminuição do rebanho e a menor taxa de abate explicam grande parte dessa redução (do consumo), o que limita a oferta de carne e afeta tanto o mercado interno quanto a dinâmica das exportações”, ressalta a reportagem do Clarín.
Atualmente, diz o jornal, há na Argentina aproximadamente 51 milhões de animais para uma população de cerca de 49 milhões, o que se traduz numa proporção de apenas 1,1 cabeça de gado por pessoa.
“Há meio século, essa proporção ultrapassava 2 cabeças por habitante, refletindo uma maior disponibilidade de carne e um maior peso do setor no comércio internacional”, compara o Clarín.
Abates deste ano: menos 600 mil cabeças
De acordo com dados citados pelo Clarín, o abate de bovinos projetado para 2026 poderá ficar abaixo de 13 milhões de cabeças, cerca de 600 mil animais a menos que no ano passado.
“Em termos de carne disponível para abate, a oferta de carne, que caiu 9% em relação ao ano anterior nos dois primeiros meses deste ano, seria reduzida em cerca de 200.000 toneladas”, observa a reportagem, que completa: “Embora a participação de fêmeas permaneça alta – em fevereiro/26, atingiu 47,8% sobre o total abatido –, a queda na oferta em termos absolutos é de tal magnitude que se pode considerar a possibilidade de que a fase de liquidação do rebanho de 2022-2025 esteja chegando ao fim”.
O Clarín destaca que os números de abate de gado em janeiro/26 e fevereiro/26 atingiram o nível mais baixo dos últimos 10 anos.
Em 2016, quando o rebanho bovino aumentou pela última vez em um milhão de cabeças, o abate caiu para apenas 11,7 milhões de cabeças e a produção de carne diminuiu para 2,65 milhões de toneladas, recorda o jornal.




