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OUÇA 🎧 | Melhorando as vacas no ciclo de baixa

A renovação parcial do rebanho de reprodução sinaliza um salto e abre espaço para melhorar a produtividade como um todo. A receita pode vir até dos descartes.
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Muitos consultores da bovinocultura de corte vêm apregoando que, “em tempos de vacas magras, o melhor é investir na qualidade das vacas em reprodução”, justamente aquelas que estarão parindo bezerros de mais qualidade, em 2025, quando um novo ciclo de alta de preços deverá se instalar.

Um deles é Argeu Silveira, consultor da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP). Na sua avaliação, a conjuntura favorece investimentos naquilo que pode fazer diferença lá na frente, quando o mercado estiver remunerando melhor.


“Um rebanho mais produtivo trará grande alento”, reforça.

OUÇA 🎧 abaixo o comentário de Argeu Silveira

Um modelo mais verticalizado – É o que está fazendo Alexandre Coccapieller Ferreira, produtor na região de Brasilândia (MS) e selecionador da grife Brahman Vitória.

Já em meados de 2022, ele implantou um programa de Fertilização in Vitro (FIV) para a produção de 1,5 mil embriões de fêmeas, além de outro de IATF com três protocolos.

O objetivo é incorporar ao plantel fêmeas Brahmanel (Nelore x Brahman) da FIV para produzir futuramente bezerros ½ sangue Brahman; e da IATF, ½ Angus, todas crias pesadas, boas ganhadoras de peso, precoces e que respondem muito satisfatoriamente na terminação em regime intensivo (confinamento).

OUÇA 🎧 abaixo os comentários de Alexandre Ferreira

Ferreira explica que a matriz Brahmanel é tão boa que parte ele destina ao seu programa de obtenção de Brahman PO a partir do cruzamento absorvente.

“Esses animais já são testados aqui em casa há anos. Por isso decidimos multiplicá-los a partir de uma genética mais avaliada. É certo que teremos um grande diferencial produtivo logo mais, na frente”, explica.

Essas fêmeas emprenham com 13 ou 14 meses de idade e não apresentam problemas na reconcepção. Segundo o pecuarista, cravam índices de prenhez de pelo menos 80% e desmama bezerros de 250kg, em média, aos sete meses de vida. Esse peso, aliás, é o mesmo dos ½ sangue Angus.

A carne como objetivo – Os animais de Ferreira conseguem R$ 15 a mais por arroba nos frigoríficos que os recebem, JBS e Marfrig.

Já nas novilhas, os preços praticados são os mesmos dos machos e, aos 20 até 22 meses estão com peso de 18 arrobas, bem-acabadas e com rendimento médio de 54%. “Falamos de carne premium, pelo menos, para ½ sangue Angus ou Brahmanel”, reforça.

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As propriedades se valem da Integração Lavoura Pecuária (ILP) para manter a boa qualidade do pasto oferecido, recebem adubação de cobertura sistemática nas águas e trabalham na toada por três anos até novo ciclo de lavoura. Os bezerros contam apenas com o reforço da mineralização comum.

Segundo o criador, cada prenhez por FIV não ultrapassou o custo de R$ 350 (55% de efetividade). Um dos diferenciais da sua pecuária é realizar o ciclo completo: cria, recria e engorda.

A condição permite que seu planejamento tenha mais liberdade na formação de margem, facilitando a diluição dos custos de FIV e dos protocolos de IATF.

Bezerro meio sangue angus no pé de fêmeas brahmanel (Foto: Arquivo pessoal)

Melhorando com outras ferramentas – Um outro exemplo de antenas ligadas com o futuro próximo é o da Fazenda Boa Vista, em Nova Andradina (MS).

Na sua exploração, ainda é preciso ampliar o rebanho de fêmeas em reprodução e aumentar a participação de gado próprio na terminação confinada ou intensiva em regime de pasto.

Assim, diminui a dependência de animais de fora, da reposição, quando o mercado estiver em alta, novamente.

Foto: Arquivo pessoal

O gestor Douglas Augusto Rodrigues está descartando fêmeas intermediárias para aproveitar a ocasião: disponibilidade por bons preços. Foi ao mercado e incorporou 400 novilhas mais indicadas, geneticamente, ao seu modelo.

OUÇA 🎧 abaixo o comentário de Douglas Rodrigues

 

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