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Nenhum sinal de reconstrução do rebanho de vacas nos Estados Unidos

O plantel norte-americano de matrizes de corte encontra-se no nível mais baixo em 63 anos, registrando o menor estoque de fêmeas desde 1961
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O rebanho norte-americano de vacas de corte encontra-se no nível mais baixo em 63 anos, registrando o menor estoque de matrizes desde 1961. Tal cenário empurrou os preços do boi gordo dos EUA para níveis recordes em 2023-2024.

No entanto, não há indicações de que a reconstrução do rebanho de corte esteja em andamento, relata o analista Derrel Peel, da Oklahoma State University, em artigo publicado pelo portal da Beef Magazine (www.beefmagazine.com).

Como relatado em reportagens publicadas no Portal DBO, o Brasil, assim como outros tradicionais exportadores mundiais de carne bovina – sobretudo a Austrália –, tem elevado fortemente os embarques aos EUA, aproveitando justamente a redução da oferta interna da proteína norte-americana.

Além disso, os países fornecedores da commodity também aproveitam para ganhar terreno em mercados internacionais que tradicionalmente são atendidos pelos exportadores norte-americanos.

É o caso da Austrália, que tem elevado fortemente os seus embarques este ano, ganhando espaço em mercados como o Japão, um cliente de “luxo”, pois paga preços significativamente altos pelos cortes de carne vermelha (o mercado japonês ainda é um sonho dos fornecedores brasileiros, pois, apesar dos esforços do governo federal (e de entidades representantes da indústria), ainda não conseguiu fechar acordo comercial com o país asiático.

“A recomposição do estoque de vacas de corte é fundamental para o mercado bovino nos próximos anos”, relata Peel. Em seu artigo, ele relembra as últimas expansões históricas do rebanho norte-americano.

De 1990 a 1997, o plantel bovino de corte aumentou em 2,864 milhões de cabeças.  De 2014 a 2020, o rebanho bovino de corte cresceu menos: + 2,734 milhões de cabeças (veja gráfico). Por sua vez, o plantel de vacas de corte registrou um acréscimo de 1,2 milhão de cabeças em apenas dois anos, de 2014 a 2016.

“Uma das chaves para a expansão do rebanho é a retenção de novilhas”, observa Peel. Os estoques de novilhas de reposição aumentaram três dos quatro anos antes do início da expansão do rebanho em 1990-1991 e cresceram ao longo de três anos antes da expansão do rebanho em 2014-2015. Ambas as expansões incluíram um ano de retenção de novilhas muito grande, destaca o analista.

A história, continua Peel, fornece algumas dicas sobre o que esperar nos próximos anos. “Primeiro, é o fato de ainda não termos um ano zero (estoque baixo) a partir do qual a reconstrução do rebanho possa começar”, constata.

O abate de vacas de corte, diz ele, é acentuadamente menor, caindo quase 16% nesta parcial de 2024, na comparação com mesmo período 2023. No entanto, esse nível de abate de vacas de corte, combinado com o baixo estoque de novilhas de reposição em 2024, mostra que o rebanho de vacas norte-americano mantém o processo de liquidação.

“Assim, 2025 é o primeiro ano zero para o início da próxima expansão”, prevê Peel. Porém, acrescenta ele, “não há certeza de que uma liquidação adicional não ocorrerá em 2025”.

O artigo do analista apresenta um gráfico (veja abaixo) que aponta o nível de estoques de novilhas de reposição desde o pico cíclico em 2017. “A liquidação dos estoques de novilhas de reposição nos últimos anos significa que não há impulso para a expansão do rebanho em comparação com expansões anteriores”, observa.

Além disso, continua ele, o nível de abate de novilhas em confinamento em 2024 sugere que o inventário de fêmeas de reposição em 2025 deverá apresentar, na melhor das hipóteses, um crescimento modesto.

O gráfico mostra um aumento projetado de 2% de novilhas de reposição de corte em 2025, na comparação com 2024. “Nesse patamar, o rebanho de vacas de corte está limitado a números estáveis ​​ou a um aumento mínimo em 2025”.

Após 2025, acredita Peel, a retenção de novilhas poderá crescer mais, acelerando a expansão do rebanho a partir de 2026. Porém, diz ele, as condições atuais “não sugerem uma alta probabilidade de avanço acentuado da retenção de novilhas tão cedo”.

A ameaça de seca é um dos fatores que limitam o início da expansão do rebanho neste momento. “Caso o desenvolvimento das condições de seca se torne uma realidade nos próximos meses (com o regresso do La Niña), é provável que haja uma liquidação adicional do rebanho e, com isso, a reconstrução do rebanho poderá ser adiada”, alerta.

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