O governo chinês anunciou nesta sexta-feira (19/6) que sua cota de importação de carne bovina australiana (de 205 mil toneladas) foi atingida em 100%.
Conforme relatado antecipadamente pelo Portal DBO, com base em informações da Beef Central, os exportadores australianos agora estão sujeitos a uma imposição de tarifa adicional 55% em caso de remessas ao mercado chinês, a partir deste sábado (20/6).
Os frigoríficos brasileiros estão prestes a viver o mesmo drama, pois a cota anual chinesa de salvaguarda, de 1,1 milhão de toneladas, também está bem próxima de ser totalmente preenchida.
O Conselho da Indústria de Carnes da Austrália (AMIC) confirmou o fato em 19 de junho, descrevendo-o como um marco crítico com consequências imediatas para os exportadores.
Segundo as agências internacionais de notícias, o CEO da AMIC, Tim Ryan, afirmou que o acontecimento marca um ponto crítico para o setor.
“Atingir 100% da cota é um marco importante e consequente, com impactos imediatos para os exportadores australianos”, disse Ryan.
A AMIC manteve, ao longo de todo o processo, que a cota da Austrália era desproporcional à relação comercial estabelecida, especialmente considerando que a Austrália representa apenas 8% do total das importações de carne bovina da China.
“Uma tarifa dessa magnitude interromperá severamente os fluxos comerciais para um de nossos mercados mais importantes e afetará a capacidade dos consumidores chineses de acessar carne bovina australiana segura e confiável”, afirmou Ryan, acrescentando:
“A combinação de barreiras comerciais externas e o aumento dos custos internos significa que 2026 será um ano excepcionalmente desafiador para o setor.”
Cota brasileira também se aproxima do limite
Com a confirmação de que a Austrália esgotou integralmente sua cota tarifária de carne bovina na China, as atenções do mercado se voltam agora para o Brasil, que também está próximo de atingir o limite estabelecido pelo mecanismo de salvaguarda chinês.
Segundo análise da Agrifatto, o cenário tem gerado forte cautela entre os importadores asiáticos. A consultoria relata que diversas ofertas de carne bovina brasileira têm recebido pouco ou nenhum retorno por parte dos compradores chineses, que aguardam definições oficiais sobre o preenchimento da cota brasileira antes de retomar as negociações. Leia a análise completa sobre a apatia do mercado chinês e seus impactos para a carne bovina brasileira.




