Não espere o mercado do boi gordo começar a pegar fogo para pensar em seguro de preço da arroba. É o que recomenda o analista Raphael Galo, colunista fixo do prestigiado informativo Boi & Companhia, da Scot Consultoria.
Na sua visão, atualmente, o mercado brasileiro do boi gordo segue relativamente “tranquilo”, sem grandes oscilações de preços.
Nas regras do mercado financeiro, a baixa volatilidade resulta em barateamento nos custos de operações de proteção de preços (hedge) na bolsa B3, seja para o uso de opções Call (seguro contra alta de preços, muito usada na reposição), seja para opções Put (seguro contra queda de preços, para proteger o boi gordo pronto ou futuro).
“Quanto maior a volatilidade esperada, mais caro fica o prêmio da opção; quanto menor, mais barato sai esse seguro”, esclarece Galo.
Portanto, insiste o analista, “o melhor momento para pensar em hedge com opções é justamente quando as oscilações de preços são pequenas e o mercado passa a sensação de tédio”.
“Essa calmaria é o que derruba a volatilidade e, por consequência, barateia o prêmio das puts e calls”, enfatiza ele, acrescentando: “É nessa hora que o pecuarista consegue montar uma estratégia de seguro de preço com custo mais enxuto, travando um piso (ou um teto) de remuneração sem abrir mão de participar de movimentos favoráveis”.
No entanto, Galo, pondera Galo, o pecuarista não deve sair comprando opção em qualquer cenário. “É preciso olhar o conjunto: nível de preço atual, margem projetada do confinamento ou da cria-recria, calendário de abate, necessidade de reposição e fluxo de caixa…”
Porém, continua ele, uma vez que a conta fecha, “a volatilidade baixa funciona como um aliado silencioso, reduzindo o custo para transformar risco em previsibilidade”.
Por fim, diz Galo, o ponto central é mudar a lógica da decisão, ou seja, não correr para a bolsa só quando o mercado já está em pânico, quando vem uma notícia bombástica – embargo de um grande comprador, mudança de tarifa, câmbio disparando, oferta inesperada de boi ou qualquer outro fator que bagunce o tabuleiro.
“Quando ele entende que a calmaria na tela significa opção mais barata, abre-se a chance de blindar a margem de amanhã com um custo muito menor hoje”.




