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Estimativa USDA: embarques brasileiros de carne suína podem crescer 5% em 2025

Em 2024, o Brasil reduziu as vendas para China, mais elevou as exportações da proteína para outros importantes mercado, como Filipinas, Chile e Japão, destaca o novo relatório
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As exportações de carne suína do Brasil devem crescer 5% em 2025, estimulada pela maior produção e pela forte demanda internacional, de acordo com o relatório de abril/25 do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que foi esmiuçado pela editora-chefe da revista norte-americana Farm Journal´s Pork, Jennifer Shike.

“A posição do Brasil como um fornecedor barato de carne suína, impulsionada por custos de mão de obra e ração relativamente baixos, permitiu que o Brasil expandisse rapidamente as oportunidades de mercado nos últimos anos e espera-se que sustente o crescimento em 2025, apesar das incertezas do comércio global”, escrevem os autores do relatório.

À medida que tarifas e questões de saúde animal alteram a dinâmica do mercado em 2025, espera-se que o Brasil ganhe participação de mercado em mercados sensíveis a preços, relata o texto da revista norte-americana, com base nos números estimativos do USDA.

A China impôs tarifas retaliatórias ao Canadá e aos EUA, o que deve reduzir a demanda por carne suína de ambos os países, acrescenta.

Além disso, a China também lançou uma investigação antidumping contra a União Europeia (UE), que deve ser concluída em 17 de junho/25.

Enquanto isso, surtos de peste suína africana (PSA) na Europa, Filipinas, Vietnã e Coreia do Sul continuam a impactar a produção nesses países, escrevem os especialistas do USDA.

“Assim como outros grandes exportadores de carne suína, o Brasil concentrou-se fortemente no mercado chinês em 2020 e 2021, à medida que a produção chinesa sofria com surtos domésticos de peste suína africana”, afirma o relatório.

A China representou 55% das exportações brasileiras de carne suína em 2020, mas essa participação caiu gradualmente para 18% em 2024, observa o departamento dos EUA.

A queda nas exportações de carne suína do Brasil para a China, continua o relatório, foi impulsionada pela desaceleração do crescimento econômico do país e pela recuperação da produção doméstica da proteína.

Porém, o recente crescimento das exportações do Brasil, observa o USDA, foi sustentado pela capacidade de mudar de mercado rapidamente, como resultado do novo acesso a mercados e da posição do Brasil como um fornecedor de carne suína de baixo custo.

Novo acesso a mercados

O Brasil ganhou acesso a 17 novos mercados de exportação de carne suína em 2024, atendendo mais de 100 países diferentes, diz o relatório.

Apesar da forte queda nas exportações para a China no ano passado, o Brasil mais do que compensou essas perdas com maiores embarques para Filipinas, Chile e Japão.

O Brasil também aumentou as exportações em quase 20% para países fora de seus cinco principais mercados, com avanços notáveis ​​para Cingapura, México, Coreia do Sul, Argentina e República Dominicana.

“A capacidade do Brasil de mudar rapidamente os mercados de exportação será fundamental para sustentar o crescimento das exportações em 2025”, escrevem os autores.

Baixo custo

Apesar do aumento nos preços de exportação da carne suína brasileira ao longo de 2024, o produto permanece com um “desconto” significativo em comparação com outros grandes exportadores, observa o USDA.

Essa competitividade de preços da proteína brasileira, dizem os autores do relatório, impulsionará as vendas para diversos mercados, incluindo o Japão, que deverá ser o segundo maior importador global da commodity em 2025, atrás do México.

A desvalorização da moeda e a inflação interna levaram os varejistas japoneses a começar a comprar mais carne suína congelada importada em 2024, em vez de resfriada.

No ano passado, o Japão aumentou as importações de carne suína congelada em 86.000 toneladas (equivalente em peso de carcaça) e reduziu as importações de carne suína fresca e/ou resfriada em 11.000 toneladas (equivalente em peso de carcaça), segundo o relatório.

O Japão também reduziu as importações da UE, enquanto a participação de mercado do Brasil aumentou quase 4%.

A mudança para produtos mais congelados é importante, visto que a maioria das regiões do Brasil não é reconhecida como livre de febre aftosa sem vacinação e só pode exportar produtos congelados para o Japão, destaca a reportagem da Farm Journal´s Pork.

“Prevê-se que outros grandes importadores globais de carne suína migrem cada vez mais para carne suína congelada, à medida que as economias globais sofrem pressão, o que pode beneficiar o Brasil como fornecedor de carne suína de baixo custo”, escrevem os analistas do USDA.

Especialistas preveem que os EUA continuarão sendo o maior exportador mundial de carne suína, devido à qualidade e confiabilidade da carne suína americana, apesar da expansão projetada das exportações do Brasil.

 

Exportações de Carne Suína do Brasil

Os cinco principais mercados de exportação de carne suína do Brasil

Fonte: USDA

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