Apesar da postergação das medidas de salvaguarda, a China mantém o baixo interesse em adquirir novas cargas de carne bovina importada, e mantém pressão sobre o preço da proteína, informa relatório da Agrifatto enviado aos seus assinantes.
Historicamente, diz a consultoria, os chineses reduzem as compras externas de carne bovina no final do ano. Além disso, continua a Agrifatto, os estoques da proteína importada se mantêm elevados, um reflexo da lentidão da demanda no mercado interno.
Com isso, a China continua tentando derrubar os preços da carne importada – por enquanto, as cotações da proteína bovina seguem andando de lado, entre US$ 5.400 e US$ 5.600 por tonelada, informa a Agrifatto.
Desempenho menor em outubro/25
As importações chinesas de carne bovina (incluindo todos os fornecedores) somaram 283,96 mil toneladas em outubro/25, uma queda de 11,12% sobre o resultado de setembro/25.
No entanto, o país asiático acumulou compras de 2,41 milhões de toneladas entre janeiro e outubro deste ano, com alta de 3,21% frente ao mesmo intervalo de 2024, mantendo-se como o principal destino da proteína bovina no comércio internacional.
Entre os fornecedores, destaca a Agrifatto, o Brasil permaneceu absoluto, com vendas totais de 1,21 milhão de toneladas até outubro/25, o maior volume já adquirido pelo país asiático.
Considerando apenas o mês de outubro/25, a carne brasileira atingiu 59% de participação no ranking de importação chinesa, a maior fatia da série histórica, com 167 mil toneladas embarcadas ao país. No acumulado do ano, o Brasil embarcou 1,21 milhão de toneladas, o maior volume já adquirido pelo país asiático.
O comportamento dos demais fornecedores mostra um quadro de recomposição gradual, observa a Agrifatto.
A Austrália, diz a Agrifatto, ampliou sua fatia em 3,5 pontos percentuais no acumulado de 2025, impulsionada pela reabilitação de plantas e retomada do fluxo comercial após anos de restrições sanitárias.
Por sua vez, a Argentina perdeu espaço, com retração de 3,8 pontos percentuais, enquanto Uruguai, Nova Zelândia e Estados Unidos mantiveram participações relativamente estáveis – juntos, somaram pouco mais de 20% das importações chinesas, de acordo com os dados levantados pela Agrifatto.
Segundo a consultoria, 2025 foi marcado por mudanças bruscas no ritmo das compras de carne bovina da China.
Em fevereiro/25, as importações mostraram forte recuperação, mas o mês de abril/25 foi marcado por uma correção significativa. Já o segundo semestre alternou meses de expansão e retração nas compras externas de carne bovina da China.
“A queda das importações em outubro/25 parece menos um sinal de enfraquecimento estrutural e mais um ajuste natural de estoques, especialmente após a forte internalização de carga vista entre agosto/25 e setembro/25″, acreditam os analistas da Agrifatto.
A consultoria ressalta: “A China continua calibrando suas compras de acordo com a absorção doméstica, e esse comportamento é típico de momentos em que o país reorganiza a distribuição interna e o nível de armazenagem”.
O comportamento dos preços reforça essa percepção, diz a consultoria. O preço médio pago pela China aumentou para 5,15 US$/kg em outubro/25, enquanto o preço médio da carne brasileira exportada ao mercado chinês ficou em 5,34 US$/kg.
“A diferença permanece estreita, mantendo o produto nacional competitivo em relação aos demais fornecedores”, observa.
Ao mesmo tempo, continua a Agrifatto, “o avanço do preço pago pela China sugere um mercado disposto a remunerar melhor cortes de maior qualidade, o que está alinhado à estratégia recente de recomposição dos estoques voltados aos grandes centros urbanos”.
Dessa maneira, afirma a consultoria, mesmo durante um mês de menor volume total, a competitividade brasileira permaneceu intacta, sustentada pela relação entre preço, regularidade e disponibilidade.
Investigação de salvaguarda
Na avaliação da Agrifatto, talvez, o ponto mais sensível do momento seja o ambiente regulatório. O Ministério do Comércio da China anunciou o novo adiamento da decisão final sobre a investigação de salvaguarda aberta em dezembro/24.
A deliberação, antes esperada para nov/25, foi postergada para 26 de janeiro de 2026.
“O prolongamento desse processo mantém o mercado em compasso de espera e sugere que o governo chinês ainda não encontrou uma leitura definitiva sobre o impacto das importações no setor pecuário doméstico”, analisa a Agrifatto.
A depender da decisão, o cenário pode se alterar significativamente no início de 2026, antecipa a consultoria.
“Caso não haja mudança, o fluxo tende a seguir firme, permitindo ao Brasil consolidar ainda mais sua liderança”, acreditam os analistas, acrescentando: “Se houver aumento tarifário, de 12% para até 20%, o ajuste seria imediato, reduzindo margens e exigindo redirecionamento parcial das exportações”.
Por sua vez, continua a Agrifatto, a adoção de cotas traria previsibilidade, mas limitaria o crescimento da participação brasileira no curto prazo.
“Por ora, apesar da desaceleração pontual nos meses finais do ano, o mercado chinês continua demonstrando demanda firme, preços relativamente estáveis e dependência estrutural dos grandes exportadores”, pondera a Agrifatto.
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