Com o aumento na oferta de bovinos e as incertezas geradas pela decisão norte-americana de taxar em +50% os produtos brasileiros exportados, a quarta-feira (16/7) foi marcada pela queda nas cotações do boi gordo negociadas em São Paulo, informa a Scot Consultoria.
Confira as cotações dos animais terminados, apurados no dia 16/7 pela Agrifatto; clique AQUI.
Pelos dados da Scot, o animal gordo sem padrão-exportação e o “boi-China” registrou recuo diário de R$ 1/@, para R$ 304/@ e R$ 307/@, respectivamente.
Por sua vez, também no mercado paulista, a vaca gorda teve baixa de R$ 3/@, para R$ 275/@, e a novilha sofreu retração diária de R$ 5/@, batendo R$ 285/@, acrescenta a Scot.
Segundo o levantamento da Agrifatto, nesta quarta-feira, Hoje, 11 das 17 praças brasileiras monitoradas diariamente apresentaram desvalorização nos preços da arroba: AC, AL, BA, ES, MA, MS, MT, PR, RJ, RO e SC. Nas outras 6 regiões (SP, GO, MG, PA, RS e TO), houve estabilidade nas cotações da arroba.
Os analistas lembram que, mesmo antes das turbulências provocadas pela decisão unilateral e polêmica de Donald Trump, o mercado brasileiro do boi gordo já havia iniciado a segunda quinzena de julho sob intensa pressão sobre os preços da arroba, com negociações conduzidas de maneira cautelosa.
“Em São Paulo, o recuo em torno de 1,5% já era observado na primeira metade do mês, reflexo do aumento da oferta de animais terminados em confinamentos e contratos de parceria, o que estendeu as escalas para cerca de nove a dez dias de abate”, recorda a Agrifatto.
Porém, o cenário de baixa se acentuou após o anúncio dos EUA sobre a elevação das tarifas aplicadas aos produtos brasileiros, decisão prevista para entrar em vigor a partir de 1º de agosto/25.
“Diante da incerteza gerada pela nova tributação, os frigoríficos intensificaram a pressão baixista, enquanto os exportadores retraíram completamente suas operações de compra de boiadas gordas”, relatam os analistas da Agrifatto.
Segundo os analistas da consultoria, mesmo depois do encurtamento das escalas para oito abates, as compras das unidades frigoríficas voltadas ao mercado interno passaram a operar em ritmo de “conta-gotas”, testando valores abaixo da referência de R$ 300/@ no mercado paulista.
Enquanto isso, seguindo o movimento dos preços físicos, o mercado futuro registrou o segundo dia de baixas na terça-feira (15/7), repetindo o pessimismo da segunda-feira.
O contrato com vencimento em setembro/25, que encerrou o pregão da B3 cotado a R$ 309,45/@, com queda de 1,7% em relação ao dia anterior.
Varejo/atacado
No início desta semana, as vendas de carne bovina nos pontos de consumo foram consideradas fracas e não indicavam mudança nesta quarta-feira, embora possam apresentar leve melhora a partir de amanhã, relata a Agrifatto.
“Como reflexo, a distribuição pelo atacado de carne com osso permanece discreta, evidenciada pelo baixo volume de pedidos de reposição por parte do varejo”, acrescenta a consultoria.
Nesta quarta-feira, diz a Agrifatto, todos os tipos de carne com osso seguem disponíveis para venda e entrega ainda nesta semana, mas a demanda permanece bastante contida.
“Até mesmo o dianteiro, que vinha mantendo procuras pontuais, já demonstra perda de ritmo”, observam os analistas da consultoria.




