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Boi futuro: tela da B3 aponta alta de R$ 10/@ na arroba; “é hora de garantir esse ágio”, recomenda analista

Para Raphael Galo, a estratégia racional para o produtor agora não é ficar exposto ao mercado físico reagir, e sim ‘travar’ (hedge) essa margem exposta pela bolsa paulista
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Nos últimos dias, enquanto o indicador físico do boi gordo cedeu para R$ 317,02 em São Paulo, pressionado pela ressaca sazonal do varejo (menos dinheiro no bolso, menos carne bovina nos carrinhos dos supermercados), a curva futura inteira da tela de preços futuros da B3 ignorou esse ajuste negativo e ganhou inclinação, precificando os contratos acima de R$ 327,50. 

Segundo analista Raphael Galo, articulista do prestigioso informativo semanal Boi & Companhia, da Scot Consultoria, o mercado futuro saiu de um cenário de espera para um cenário de convicção, oferecendo hoje um ágio de mais de R$ 10, sustentado por dois pilares: margem de varejo e volume de exportação. 

Essa reprecificação fez o ágio, que rodava na casa dos R$ 5 a R$ 6 no início de janeiro, praticamente dobrar de tamanho na mesa de negociação”, destaca Galo, que acrescenta: “Para o gestor/produtor atento, esse movimento de alta na B3 – que puxou não só o curto prazo, mas alongou os prêmios por toda a curva do primeiro semestre – não é especulação, mas sim a antecipação da capacidade de pagamento da indústria”

Segundo o analista, o mercado financeiro “leu” que, embora a arroba tenha cedido no curral, os preços da carne no atacado (especialmente o dianteiro e a carcaça casada) e nas gôndolas mostraram uma resiliência surpreendente, sustentando as margens operacionais dos frigoríficos. 

“Quando somamos essa “gordura” interna ao ritmo fortíssimo das exportações, que seguem com médias diárias elevadas, enxugando a oferta de bovinos prontos, a conclusão é matemática: a indústria está fazendo caixa e terá necessidade de compra”, antecipa Galo. 

Ele continua: “A tela futura, sendo mais ágil que o balcão físico, já precificou que esse spread da indústria eventualmente poderá ser repassado para garantir as escalas de fevereiro e março”

Na avaliação de Galo, a estratégia racional para o produtor agora não é ficar exposto aguardando o físico reagir, mas sim travar (hedge) essa margem que a tela já paga antecipadamente. 

“Garantir esse ágio agora é monetizar a eficiência do mercado futuro antes que a convergência natural dos preços feche essa janela de oportunidade”, alerta o analista, que reforça a recomendação:  “Pode ser que o mercado continue subindo? Claro, o mercado é soberano, mas não espere esse movimento de braços cruzados sem ao menos proteger uma margem satisfatória”.

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