Nesta sexta-feira, os preços do boi gordo se mantiveram estáveis na maior parte das praças pecuárias do Brasil, embora a oferta de animais terminados tenha aumentado ao longo desta semana, devido à chegada do período seco em grande parte das regiões pecuárias.
“Os produtores já se mostram mais ativos nas vendas, visando tirar o gado dos pastos, com receio de possíveis prejuízos caso os animais percam peso”, relata a Informa Economics FNP.
Com essa maior disponibilidade de boiadas, as indústrias conseguiram preencher, sem pressão, as suas programações de abate para os próximos sete dias, em média, o que possibilitou um maior relaxamento nas ordens de compra dos frigoríficos nesta sexta-feira, segundo apurou a FNP.
Pressão de baixa
Na região Centro-Sul, observa-se uma forte pressão baixista sob a arroba da boiada gorda, devido à menor atuação das indústrias e, ao mesmo tempo, ao crescimento na oferta de animais, decorrente da piora na qualidade das pastagens. Em São Paulo, informa a FNP, o valor do boi gordo registrou leve ajuste negativo nesta sexta-feira, de R$ 1/@, terminado o dia a R$ 199/@, a prazo.
“Sem previsão para chuvas mais consistentes, os pecuaristas se mostram mais dispostos a liquidar o gado terminado e, nesse contexto, alguns frigoríficos tentam emplacar valores mais baixos na arroba”, ressalta a FNP. No entanto, plantas menores ainda pagam preços melhores pela boiada gorda, o que, junto com o ritmo acelerado das exportações, tem dado certo suporte para a arroba em São Paulo.
Nas regiões pecuárias situadas ao Norte do País, as indústrias têm maior dificuldade em obter matéria prima, o que explica os valores maiores pagos pelos lotes de gado, destaca a FNP, citando o Estado do Pará, onde as cotações têm registrado firmeza, sustentadas também pelos níveis consistentes e crescentes das exportações de carne bovina.
“Boi-china”
Os animais de até 4 dentes, chamados no mercado de “Boi-china”, que cumprem requisitos para embarque, possuem valores até R$ 15/@ mais caros que o gado abatido para consumo doméstico, informa a FNP. Além do aumento no preço internacional da carne, os frigoríficos brasileiros conseguem margens atrativas nas vendas da commodity, em função da desvalorização cambial, o que possibilita o pagamento de ágio expressivo aos pecuaristas capacitados para entregar o “Boi-china”. Além disso, essa forte demanda internacional pelos cortes bovinos tem dado suporte para a cotação da boiada gorda no mercado interno, ressalta a FNP.
Nesta primeira semana de maio, o volume exportado de carne bovina “in natura” registrou um aumento expressivo, se comparado ao mesmo período de 2019, indicando um possível número recorde para o mês. A média diária enviada, em quantidade e receita, registrou aumento de 114,5% e 89%, respectivamente, relativos a maio/2019, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O volume de 53,5 mil toneladas enviado nos primeiros cinco dias úteis deste mês de maio representa 43% do total exportado em maio do ano passado. Por sua vez, a receita obtida, de US$ 235,2 mil, representa 49% do total arrecadado em maio de 2019.
Demanda interna continua enfraquecida
O consumo retraído nos principais centros urbanos tem provocado, em alguns casos, excesso de carne entre os distribuidores. Apesar disso, a oferta limitada por partes das indústrias, que diminuíram o nível de abates, tem sustentado as cotações da carne bovina no atacado, relata a FNP.
Na comparação aos valores praticados em anos anteriores, observa-se atualmente uma maior equiparação entre os preços do traseiro e dianteiro de boi, o que demonstra a maior procura por cortes menos nobres, resultado da crise econômica causada pela pandemia da Covid-19.
Segundo dados preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), no primeiro trimestre deste ano, o abate de bovinos recuou 9,2%, se comparado ao mesmo período em 2019. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a redução foi de 10,8%. “Os números de abate confirmam a operação reduzida por parte das indústrias, que regulam sua produção de acordo com o escoamento dos cortes”, relata a FNP, acrescentando que, em função da quarentena, algumas plantas se mantiveram totalmente paradas durante mais de 30 dias.
Giro em outras praças
Em Goiás, nesta sexta-feira, 15 de maio, os negócios envolvendo boiadas foram efetivados a valores menores que as máximas anteriores. Segundo a FNP, os frigoríficos do Estado alegam que, frente ao instável consumo doméstico, preferem regular ao máximo as suas programações de abate, apenas para atender necessidade mais urgentes.
No Tocantins, a disponibilidade de matéria prima no mercado cresceu e as indústrias conseguiram preencher as escalas já para a primeira semana de junho. Com mais lotes de boiada gorda ofertados, os preços também cederam nesta sexta-feira, informa a FNP.
Confira as cotações desta sexta-feira, 15 de maio, de acordo com a FNP:
SP-Noroeste: R$ 199/@ a (prazo)
MS-Dourados: R$ 179/@ (à vista)
MS-C. Grande: R$ 180/@ (prazo)
MS-Três Lagoas: R$ 180/@ (prazo)
MT-Cáceres: R$ 177/@ (prazo)
MT-Tangará: R$ 177/@ (prazo)
MT-B. Garças: R$ 174/@ (prazo)
MT-Cuiabá: R$ 173/@ (à vista)
MT-Colíder: R$ 169/@ (à vista)
GO-Goiânia: R$ 178/@ (prazo)
GO-Sul: R$ 177/@ (prazo)
PR-Maringá: R$ 180/@ (à vista)
MG-Triângulo: R$ 190/@ (prazo)
MG-B.H.: R$ 182/@ (prazo)
BA-F. Santana: R$ 187/@ (à vista)
RS-P.Alegre: R$ 188/@ (à vista)
RS-Fronteira: R$ 186/@ (à vista)
PA-Marabá: R$ 185/@ (prazo)
PA-Redenção: R$ 183/@ (à vista)
PA-Paragominas: R$ 190/@ (prazo)
TO-Araguaína: R$ 180/@ (prazo)
TO-Gurupi: R$ 178/@ (à vista)
RO-Cacoal: R$ 172/@ (à vista)
RJ-Campos: R$ 180/@ (prazo)
MA-Açailândia: R$ 178/@ (à vista)




