A atividade de confinamento na Austrália chegou bem perto de ultrapassar, pela primeira vez, a marca de 1,5 milhão de cabeças no final de março/25 (segundo dados oficiais revelados trimestralmente), informa reportagem do portal australiano beefcentral.com.
O número oficial atingiu 1.497.325 cabeças, estabelecendo um novo recorde na atividade e dando continuidade a uma forte tendência de crescimento iniciada em dezembro de 2023, com novos recordes sendo registrados na maioria dos trimestres desde então, relata o texto.
A mais recente contagem de gado confinado na Austrália (até final de março/25) superou em 142.000 cabeças o resultado registrado no mesmo período do ano passado, e ficou 47.000 acima da quantidade observada em dezembro/24, compara a Beef Central.
Segundo recorda o portal, a possibilidade de um novo recorde na atividade de confinamento já havia sido antecipada com a divulgação, há duas semanas, dos dados mensais de exportação de carne bovina de abril/25, que mostraram as exportações de proteína oriunda de animais confinados em um nível histórico de 37.038 toneladas.
Outro fator que ajudou a atingir esse novo recorde, diz a Beef Central, foi a maior utilização dos currais disponíveis, que chegou a 90,3% no trimestre terminado em março/25, ante 87,5% no trimestre encerrado em dezembro/24.
“Utilizações acima de 90% são consideradas difíceis de manter comercialmente, devido a necessidades de manutenção, limpeza dos currais e outras atividades”, observa a reportagem.
A Beef Central citou declarações do presidente da Australian Lot Feeders Association (ALFA), Grant Garey, que destacou “o ganho de produtividade dos confinamentos australianos e a produção australiana de carne bovina de alto valor para atender à forte demanda global”.
Ao mesmo tempo, acrescentou Garey, os confinamentos “se mostram essenciais para o acabamento do gado durante períodos de seca, reforçando sua importância em uma cadeia de abastecimento resiliente”.
“Os confinamentos do Sul adaptaram seus programas de terminação para lidar com as condições secas, permitindo uma rotatividade rápida de animais, enquanto, no Norte, a crescente demanda internacional por carne bovina confinada está impulsionando ganhos de produtividade em todo o sistema”, afirma Garey.
Também citada na reportagem da Beef Central, a analista sênior da Meat & Livestock Australia, Erin Lukey, afirmou que a competitividade da Austrália nos mercados globais tem sido favorecida por fatores cambiais e pela adaptabilidade da cadeia de suprimentos.
“Com os Estados Unidos entrando em uma fase de reconstrução do rebanho bovino, a Austrália aumentou o volume de exportações para mercados de ‘carne confinada’ de alto valor”, diz Lukey, acrescentando que isso remodelou os programas de confinamento em Queensland e Nova Gales do Sul para atender às expectativas de exportação.”
No primeiro trimestre de 2025, as exportações de carne bovina oriunda de animais confinados chegaram a 90.329 toneladas, 8% acima do mesmo período do ano passado, segundo ela.
Segundo a analista, o crescimento da classe média na China também impulsionou a demanda por carne bovina de alta qualidade produzida na Austrália.
Além disso, continua ela, o mercado coreano cresceu 17% em relação ao ano anterior, enquanto os volumes para o Japão diminuíram devido ao aumento nos níveis de armazenamento refrigerado doméstico.




