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ARTIGO | Porque a carne brasileira está barata e o que esperar

LEIA o artigo do pecuarista José Artur, diretor de marketing da Associação Brasileira do Santa Gertrudis (ABSG)
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Por José Artur – Pecuarista e diretor de marketing da Associação Brasileira do Santa Gertrudis

A produção de carne bovina segue um ciclo entre 3 a 5 anos, dependendo de fatores como a produtividade do rebanho. Esse ciclo inclui desde o planejamento de emprenhar as fêmeas até a carne chegar a mesa do consumidor.

As etapas são definidas conforme o tempo e a performance dos animais, são elas: Estação de monta (3 a 5 meses), gestação (8 meses), desmame (9 meses), desenvolvimento (9 meses), terminação (3 meses), e abate e distribuição (1 mês), totalizando 33 meses. Ou seja, a carne que consumimos hoje começou a ser produzida em 2021.

Recentemente, os preços da carne no Brasil caíram devido a um aumento recorde na oferta. No primeiro trimestre de 2024, o IBGE registrou o maior volume de abates desde 1997, 24,6% a mais que no mesmo período de 2023, com 46,2% desse total sendo fêmeas.

As exportações ajudam a escoar a produção, mas os preços pagos por arroba estão mais baixos que no ano passado.

Com esse cenário de baixo faturamento, os produtores têm abatido mais animais para gerar caixa, já que suas margens estão menores e manter o boi no pasto, gera um custo cujo retorno é cada vez menor com o passar do tempo.

Esse excesso de oferta é resultado dos altos preços da carne entre 2020 e 2022, impulsionados também pelos custos baixos, que incentivaram o aumento dos rebanhos e a entrada de novos produtores. No entanto, agora chegamos ao ponto baixo do ciclo.

O que nos faz crer que estamos neste ponto baixo do ciclo? Internamente, a alta participação de fêmeas nos abates em 2024 indica uma futura redução na produção de bezerros, diminuindo a oferta de carne nos próximos anos.

Externamente, o preço por arroba internacional da carne brasileira está defasado (US$ 40,26 – Brasil; US$55,80 – Austrália; US$ 103,65 – EUA). Quando se analisa os maiores produtores e exportadores de carne, como EUA, Austrália e Argentina, vemos que todos estão em fase de recomposição de rebanho, diminuindo a comercialização de fêmeas, para o aumento da produção de bezerros.

Nos EUA, o rebanho de fêmeas em 2023 foi o menor desde 1962, segundo a USDA, o que contribuiu para a maior a importação de carne brasileira. Na Austrália, há também excesso de oferta e preços baixos. Na Argentina, uma seca intensa no ano passado reduziu o rebanho.

Esses fatores apontam para uma tendência de alta nos preços da carne, que deve atingir seu pico em 2025 e durar até 2027, quando enfim impactará a mesa do consumidor.

Em momentos como esses de dificuldade a qualidade do rebanho é um grande diferencial para os produtores. Animais que conseguem entregar produtividade com menos investimentos (ganho de peso, conversão alimentar, precocidade e rusticidade) saem na frente e garantem a sobrevivência no negócio durante esses ciclos de baixa.

A escolha de raças e animais provados, como o Santa Gertrudis que entregam esses quesitos, protegem os pecuaristas do prejuízo na baixa e maximizam os lucros na alta.

* José Artur 

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