Apresentado Por:

Argentina eleva importações de carne suína brasileira

Em 2024, o total importado atingiu 20.471 toneladas, um avanço de 55,2% sobre o volume de 2023
Compartilhe:

Continue depois da publicidade

Continue depois da publicidade

As importações da Argentina de vários cortes de carne suína — principalmente paleta — do Brasil cresceram exponencialmente, colocando o setor produtivo local em alerta, informou o jornal Clarín.

Em 2024, o total importado de carne suína brasileira atingiu 20.471 toneladas (gasto total de US$ 55,9 milhões), um avanço de 55,2% sobre o volume de 2023. Os cortes importados mais significativos do ano foram lombo suíno, carne de presunto, músculos e carne de paleta.

Ao longo dos primeiros três meses deste ano, a chegada de cortes tradicionais de carne suína brasileira continuou crescendo, segundo o Clarín.

No primeiro trimestre, foram importadas 13 mil toneladas, com valor superior a US$ 35 milhões, o que representa aumentos de 353% e 377%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2024. O Brasil é o principal importador, respondendo por mais de 95% do total, ressaltou a reportagem.

Segundo Agustín Seijas, diretor da Federação Argentina de Carne Suína, a partir dos últimos meses de 2024, e com a recuperação dos preços da carne suína, o país começou a registrar um crescimento significativo nas importações, que acabaram se consolidando nos primeiros meses de 2025.

Ele esclareceu, apesar do baixo nível de importação em comparação ao volume de carne suína produzido no país, as compras externas de produtos mais baratos do Brasil forçam o repasse do preço de cortes, como a paleta suína, para outros cortes mais acessíveis, gerando um desequilíbrio nas vendas. “No Brasil, a paleta suína é um corte de descarte e não é tão valorizada quanto na Argentina”, comentou.

Além disso, na opinião de Seijas, “os produtores argentinos estão em desvantagem e enfrentam concorrência desleal em comparação aos produtores brasileiros”.

Isso porque, no Brasil, relatou o Clarín, um promotor de crescimento chamado ractopamina é usado na produção, o que melhora a produtividade em 6%.

“Este componente é proibido em mais de 160 países e seu uso não é permitido na Argentina, pois contraria as práticas naturais de produção realizadas localmente”, observou o texto.

Soma-se a isso, ressalta a reportagem, “as complicações de importar produtos congelados, o que pode gerar riscos de serem oferecidos como produtos frescos nas gôndolas”.

Na opinião do consultor Juan Uccelli, mencionado na reportagem do Clarín, os altos valores das toneladas de carne suína importadas afetam diretamente a cadeia produtiva argentina, incluindo produtores e indústrias de abate e açougue.

“A introdução de certos cortes, normalmente os mais valiosos (como contrafilé, presunto, paleta, peito e lombo), a um preço favorecido pelo câmbio, gera um restabelecimento do valor da meia-carcaça, onde os cortes de menor valor (pernas, mãos, cabeça, rabo, gordura, couro) não conseguem absorver de forma alguma a diferença e pressionam o preço do suíno vivo”, alertou.

“Os produtos importados, quando congelados, têm a capacidade de reter água, o que os torna mais competitivos”, completou. Segundo o relatório que Uccelli prepara mensalmente, ele alertou que “há um problema em entender o livre mercado como algo que vale tudo, o que não é o caso”.

Crescimento do consumo

O consumo de carne suína na Argentina cresceu consideravelmente nos últimos anos, informou Seijas. Há cerca de 15 ou 20 anos, os argentinos consumiam apenas de 3 a 4 quilos por habitante por ano, e atualmente, a demanda por habitante por ano é superior a 17 quilos de carne suína.

A carne de porco começou a ganhar espaço nas grelhas de churrasco argentino. “Hoje em dia, um churrasco é inconcebível sem um pouco de carne de porco”, disse Seijas.

Gostou? Compartilhe:

Mais Lidas

1.

Encontre aqui a consultoria ideal para sua fazenda

Vídeos em destaque

Mais Lidas

Colunistas