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Milho com superprodução e minipreços pela frente, prevê Agroconsult

Cenário deve favorecer a produção de proteína animal, aponta a equipe de analistas da empresa realizadora do Rally da Safra 2023
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Segundo a 20ª edição do levantamento, mesmo com atraso no plantio, a colheita do milho safrinha deve render 102,4 milhões de toneladas do grão. O Estado do Mato Grosso é o grande destaque na produção, provavelmente superando, pela primeira vez, a marca de 50 milhões de toneladas. A largada para a etapa do milho 2ª safra, do Rally da Safra, aconteceu em evento virtual no dia 23 de maio.

Contudo, apesar das boas notícias do campo produtivo, há uma série de desafios rondando os negócios. As cotações do grão estão ladeira abaixo. A voracidade chinesa está arrefecida. O dólar se desvalorizou. A capacidade de armazenagem está ainda mais limitada e o mercado interno dificilmente dará conta de excedente, com consumo previsto em pouco mais de 80 milhões de toneladas.


Driblando o calendário – O excesso de chuvas observado no período de colheita da soja estendeu seu ciclo e provocou a implantação mais tardia das lavouras de milho, aumentou em muito os riscos aos produtores. Assim, consequências negativas para a safrinha de milho, na avaliação da Agroconsult, batem na porta.

A primeira delas diz respeito ao crescimento da área de plantio. No primeiro levantamento, o potencial de expansão de mais de 700 mil hectares no Brasil não ocorreu devido às reduções de áreas em importantes estados produtores como Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

No Mato Grosso, porém, a fotografia é diferente. Com o terceiro melhor ritmo de plantio de sua história, o estado deve apresentar um crescimento de mais de 400 mil hectares na área plantada, contribuindo para que a total plantada no país se mantenha nos mesmos 16,7 milhões de hectares da temporada passada.

Contando com São Pedro – A segunda consequência do plantio tardio são os riscos climático. Por volta de 70% das lavouras do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais foram implantadas na janela de alto risco, geralmente associada a plantios ao longo dos meses de março e abril.

Assim, no Paraná e no Sul do Mato Grosso do Sul, o potencial produtivo de pelo menos 60% das lavouras ainda não está definido e as produtividades estão sujeitas à seca e às geadas ao longo de junho, quando ao menos 10% da área plantada nos dois estados estarão em período de pendoamento.

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No momento, graças as chuvas que se estenderam até o início deste mês de maio e a perspectiva de geadas apenas para o final de junho, as estimativas de produtividade para essas regiões são positivas. No Paraná, 96 sacos por hectare, 6% acima da safra passada; e no Mato Grosso do Sul, 91 sacos por hectare, 3% abaixo da safra passada.

Trocando em miúdos – Minas Gerais, com produtividade estimada em 92,4 sacos por hectare, 43% acima da anterior, é o estado que apresenta o maior potencial de recuperação em relação à safra passada. Junto com Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, responde por 31% da produção nacional de milho 2a safra, mas possuem 20 milhões de toneladas ainda suscetíveis ao comportamento climático.

No Mato Grosso e em Goiás, com a safra mais adiantada, a maior parte do potencial produtivo está consolidada e será muito difícil ocorrer quebras. A boa distribuição de chuvas ao longo dos meses de março e abril indica o bom potencial da safra, o que deve levar os dois estados a baterem recordes de produtividades.

No Mato Grosso, a produtividade deve alcançar 116 sacas por hectare, contra 104,5 sacas na temporada passada. Em Goiás, a expectativa é de 114 sacas por hectare, contra 81,3 sacas na safra anterior. Nesse cenário, a produção da segunda safra de milho é estimada em 102,4 milhões de toneladas, incremento de 11% em relação a 2022.

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Empate ou até derrota, no bolso – As cotações do milho estão girando a faixa de R$ 35 a R$ 50 a saca. Porém, com a entrada safra de meio de ano, a expectativa é que ela caía ainda mais, podendo até exigir intervenção do Governo Federal para garantir preços mínimos, conforme assegura a Lei. O cenário é bastante favorável ao setor pecuário e à crescente indústria do etanol a partir do grão.

Com a produção do milho primeira safra estimada em 29,9 milhões de toneladas – 15% acima da safra anterior – em uma área plantada de 5,3 milhões de hectares (queda de 3%), o Brasil deverá colher 132,3 milhões de toneladas nesta temporada.

Uma vez consolidada essa produção recorde, passaremos a ter dois grandes desafios pela frente. O primeiro é dar destino interno a essa produção. A Agroconsult estima, atualmente, o consumo de milho em 80,4 milhões de toneladas, 8,2% acima da safra passada.

“Temos um bom momento do mercado de carnes que, com a queda de preços do milho, passa a ter melhores condições de adquirir o produto. E há também incremento na produção de etanol de milho, que já soma 13,6 milhões de toneladas”, diz o coordenador do Rally, André Debastiani.

O excedente para a venda – Quanto ao produto destinado à exportação, a China vem se mostrando comedida nos últimos meses, ainda mais com as notícias de boa produção de milho vindas dos Estados Unidos.

Os especialistas analisam que a potência oriental vai barganhar muito, embora, no mínimo, deva repetir o volume de compras de 2022.

O segundo desafio será o logístico, para armazenar toda a produção, especialmente no segundo semestre: com os armazéns repletos de soja, o milho será armazenado a céu aberto. E com o volume recorde também de exportação de soja, de farelo de soja e de açúcar, o sistema portuário brasileiro será colocado em teste.

Como alento aos produtores, até diante de um Real mais valorizado, os preços de produção caíram de modo que os mais produtivos ainda terão margens apertadas de lucro. “No entanto, quem não estava ‘bem-arrumado’ pode empatar ou mesmo perder dinheiro com a safrinha”, alerta o analista.

Rally abrindo porteiras – As equipes do Rally estarão em campo em um momento importante da safra, avaliando o potencial das lavouras implantadas tardiamente, bem como toda a expressão do potencial das regiões onde o clima e tecnologia favorecem recordes de produtividade. É o que explica Debastiani, mantendo a otimismo.

As duas primeiras equipes técnicas da etapa milho começam a avaliar as lavouras entre 21 e 28 de maio no Médio-Norte e no Oeste do Mato Grosso, passando pelas regiões de Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Tapurah, Sorriso, Sinop, Campo Novo do Parecis e Sapezal.

De 29 de maio a 4 de junho, a expedição percorrerá o Sudeste e Leste do Mato Grosso e Norte do Mato Grosso do Sul; no início de junho chegará ao Sudoeste de Goiás. As duas últimas equipes viajarão em junho pelo Sul do Mato Grosso do Sul e Oeste do Paraná.

Em sua 20ª edição, a expedição conta com mais de um milhão de quilômetros percorridos e 32 mil lavouras avaliadas nas 19 edições anteriores. Patrocinam a 20ª edição do Rally da Safra: FMC, Prometeon, OCP Brasil, Santander e SoyTech.

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