O comportamento da demanda doméstica de carne é a grande incógnita para 2022; seu avanço ficará na dependência de uma suposta recuperação na economia

Por Denis Cardoso
Com base nas conversas com analistas de mercado, o Anuário DBO de 2021 antecipou, com elevado grau de acerto, qual seria o comportamento do mercado ao longo do ano. Ou seja, seguiria caminho semelhante ao observado em 2020, com ritmo forte das exportações de carne bovina, oferta escassa de animais terminados, retenção maior de fêmeas e, consequentemente, preços nas nuvens para o boi gordo.
Só um fator inesperado e pouco provável de se imaginar aconteceu: quando o valor da arroba já estava na casa dos R$ 320, em São Paulo, no período de julho e final de agosto, dois casos atípicos de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) foram confirmados em Minas Gerais e no Mato Grosso, o que motivou a China – entre outros países importadores – a suspender suas compras do Brasil.
A suspensão, num primeiro momento, é fato corriqueiro quando ocorrem casos de “vaca louca”. O que não se esperava era a forte resistência do governo chinês em reabrir novamente seu mercado ao Brasil, mesmo diante da conclusão da OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) de que os dois casos de EEB não representavam risco para a cadeia pecuária.
Os 111 dias de duração (de 4 de setembro a 15 de dezembro) do embargo chinês travaram o mercado no País, fazendo o preço do boi gordo despencar rapidamente. Em fins de outubro, a arroba desceu ao piso de R$ 255 no mercado paulista.
VEJA TAMBÉM | Anuário DBO: Consumo interno baixo é preocupante
Depois de atingir o fundo do poço, porém, a cotação do boi gordo foi se recuperando lentamente, até retomar a trajetória consistente de alta, o que culminou em novos recordes da arroba, que encerrou 2021 com o valor nominal histórico de R$ 336,50 (indicador Cepea, praça paulista).
Para Leandro Bovo, sócio da Radar Investimentos, de SP, o período de 75 dias – entre início de setembro e meados de novembro – ficará na memória dos pecuaristas, que, em tão pouco tempo, saíram de uma situação de euforia para um quadro de “desespero e prejuízos recordes”. Segundo ele, ficou para trás aquela conversa de que o boi gordo sempre foi a commodity com menor volatilidade dentre todas as negociadas na bolsa B3.
“O nível de volatilidade apresentado em 2021 foi, sem dúvida, o maior da história, não deixando nada a desejar aos mercados mais voláteis do mundo”, reforça.
Não à toa, o boi brasileiro ganhou o apelido de “boitcoin”, em alusão à moeda virtual, um dos ativos mais voláteis do mercado financeiro.
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Por Denis Cardoso
Com base nas conversas com analistas de mercado, o Anuário DBO de 2021 antecipou, com elevado grau de acerto, qual seria o comportamento do mercado ao longo do ano. Ou seja, seguiria caminho semelhante ao observado em 2020, com ritmo forte das exportações de carne bovina, oferta escassa de animais terminados, retenção maior de fêmeas e, consequentemente, preços nas nuvens para o boi gordo.
Só um fator inesperado e pouco provável de se imaginar aconteceu: quando o valor da arroba já estava na casa dos R$ 320, em São Paulo, no período de julho e final de agosto, dois casos atípicos de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) foram confirmados em Minas Gerais e no Mato Grosso, o que motivou a China – entre outros países importadores – a suspender suas compras do Brasil.
A suspensão, num primeiro momento, é fato corriqueiro quando ocorrem casos de “vaca louca”. O que não se esperava era a forte resistência do governo chinês em reabrir novamente seu mercado ao Brasil, mesmo diante da conclusão da OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) de que os dois casos de EEB não representavam risco para a cadeia pecuária.
Os 111 dias de duração (de 4 de setembro a 15 de dezembro) do embargo chinês travaram o mercado no País, fazendo o preço do boi gordo despencar rapidamente. Em fins de outubro, a arroba desceu ao piso de R$ 255 no mercado paulista.
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Depois de atingir o fundo do poço, porém, a cotação do boi gordo foi se recuperando lentamente, até retomar a trajetória consistente de alta, o que culminou em novos recordes da arroba, que encerrou 2021 com o valor nominal histórico de R$ 336,50 (indicador Cepea, praça paulista).
Para Leandro Bovo, sócio da Radar Investimentos, de SP, o período de 75 dias – entre início de setembro e meados de novembro – ficará na memória dos pecuaristas, que, em tão pouco tempo, saíram de uma situação de euforia para um quadro de “desespero e prejuízos recordes”. Segundo ele, ficou para trás aquela conversa de que o boi gordo sempre foi a commodity com menor volatilidade dentre todas as negociadas na bolsa B3.
“O nível de volatilidade apresentado em 2021 foi, sem dúvida, o maior da história, não deixando nada a desejar aos mercados mais voláteis do mundo”, reforça.
Não à toa, o boi brasileiro ganhou o apelido de “boitcoin”, em alusão à moeda virtual, um dos ativos mais voláteis do mercado financeiro.




