Em reportagem realizada no munícipio de Xinguara, no Pará, a Reuters publicou texto em 9 de junho/25 em que relata o atual engajamento do pecuarista Roque Quagliato – conhecido como o “Rei do Gado” do Brasil – no movimento de recuperação da floresta amazônica.
A reportagem diz que, Quagliato, hoje com 85 anos,“se tornou o rosto do movimento para reformar a pecuária na Amazônia, um dos maiores motores do desmatamento global”.

Segundo a Reuters, o gado de Quagliato foi o “primeiro a receber chips nas orelhas como parte de um programa do governo para tornar milhões de bois rastreáveis no Estado amazônico do Pará, coincidentemente no período em que líderes mundiais chegarão à região para a cúpula climática da ONU em novembro/25”.
“O que esperamos é que, no final, o mercado internacional pague um preço melhor ao Brasil”, disse ele, à Reuters.
Quagliato, esclarece o texto, está de olho na exportação para mercados mais exigentes e lucrativos como os Estados Unidos, Europa e Ásia — alguns dos quais compram de Estados brasileiros, mas evitam o Pará, em parte por preocupações com a saúde animal e o vínculo com o desmatamento.
“O Brasil está correndo para abrir mercados de alta demanda como Japão e Coreia do Sul, e melhorar seu sistema de rastreabilidade é uma das etapas-chave para alcançar esse objetivo”, disse, também à Reuters, o analista de mercado sênior da S&P Global, Renan Araújo.
O Pará, relata a reportagem, possui um rebanho bovino de 26 milhões de cabeças — “praticamente o tamanho do rebanho da Austrália”. O Estado, continua o texto, tem como meta identificar todo o seu gado com chips até 2027.
No entanto, diz a Reuters, o início do projeto “tem sido pouco promissor”. “A lei, aprovada no final de 2023, exige que os pecuaristas do Pará identifiquem seu gado até o fim de 2026. Mas, até maio/25, os produtores haviam etiquetado apenas cerca de 12 mil animais”, diz o texto.
Porém, a adesão de grandes pecuaristas como Quagliato dissipou temores de que “haveria uma rejeição em massa” à política, disse à Reuters Andy Jarvis, diretor do programa Future of Food do Bezos Earth Fund, que doou US$ 16,3 milhões para o projeto do Pará. “O sucesso dessa iniciativa depende do apoio dos próprios agricultores e pecuaristas”, ressaltou.
Esse movimento ambicioso, se bem-sucedido, pode representar um ponto de virada na luta para deter a destruição da maior floresta tropical do mundo, destaca a reportagem.
Embora a proposta do Pará de rastrear individualmente o gado não seja uma solução mágica contra o desmatamento, representa um avanço que muitos consideravam impensável até pouco tempo atrás, observou o texto.
“Muitos pecuaristas resistem ao programa, temendo que ele leve alguns deles à falência, e poucos acreditam que o governo cumprirá as metas deste ano”, diz a reportagem.
No entanto, vários grandes fazendeiros entrevistados pela Reuters estão apoiando a política, acrescentou. “Há um custo”, disse Quagliato. Mas, quando os pecuaristas se reúnem para discutir o assunto, simplesmente concluem que “temos que fazer”.
A maioria dos grandes pecuaristas entrevistados pela Reuters vê a identificação do gado como um caminho inevitável, embora alguns achem que o Pará está avançando rápido demais para que os produtores se adaptem e gostariam que a política fosse suavizada.
Porém, os pecuaristas disseram “que estão esperando para cumprir a norma mais perto do prazo legal, pois querem ter certeza de que ele não será adiado — como muitos observadores esperam”.
Alguns pecuaristas, diz a reportagem, “também reclamaram de falhas técnicas no sistema de registro do gado, o que o governo nega”.




