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Registro recente de doenças transmissíveis

CONFIRA o que está no ‘Radar Sanitário’ em outubro; coluna do médico veterinário e professor Enrico Ortolani trata das rotinas no manejo dos rebanhos de corte
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Por Enrico Ortolani – Professor titular de Clínica de Ruminantes da FMVZ-USP (ortolani@usp.br)

FOCO DE DIARRÉIA VIRAL BOVINA NO PARÁ

Ocorreram quatro mortes de bezerros recém-nascidos da raça Nelore, com quadro nervoso devido ao vírus de diarreia bovina (VDB), no município de Nova Pixuna, Pará. O quadro é proveniente da infecção pelo vírus (DVB) de vacas gestantes, no terço médio da gestação, inibindo o pleno desenvolvimento do cerebelo, que é parte do sistema nervoso central.

Muitas vezes nesses rebanhos, a mortalidade embrionária é maior que a média, assim como existe o risco de morte de bezerros, no final da lactação ou após a desmama, devido a uma diarreia muito intensa, com presença de ulceras na gengiva e em outros locais do sistema digestivo.

Na maioria das vezes o vírus é transmitido pela presença de vacas ou touros que tiveram a doença muito leve e que continuamente eliminam o agente para os bezerros jovens e animais não vacinados. Recomenda-se dupla vacinação das vacas que estão para entrar no período de cobertura, 30 dias e no dia anterior ao início da estação de monta ou da IATF, semelhante ao que se faz com a leptospirose.

A presença de casos de DVB já foi descrita em praticamente todo o Brasil.

Bezerro recém-nascido com quadro nervoso de VBD.


SURTO DE DERMATOFITOSE EM SP

Detectei dois surtos de dermatofitose, causado pelo fungo Trichophyton verrucosum, em garrotes e novilhas de dois rebanhos do município de Sorocaba SP. Alguns poucos animais foram comprados e já vieram com a doença, espalhando para outros animais jovens da propriedade.

A dermatofitose é mais frequente em bovinos jovens, por estes serem mais sujeitos ao estresse e a má nutrição, e por terem a pele mais alcalina. Os casos são mais frequentes no final do período seco, quando as pastagens se tornam mais pobres em nutrientes, em especial em vitamina “A”. A cura pode ser espontânea ou acelerada com uso de certos medicamentos, a serem receitados por seu veterinário de plantão.

A RAIVA CONTINUA MATANDO  

Neste último mês aumentou o número de focos de raiva bovina, comparados com os últimos dois meses, em alguns estados, destacando-se Minas Gerais. Neste estado focos foram identificados nos seguintes municípios: Delfim Moreira, Santo Hipólito (BH), Caraí, Tombos, Muzambinho e Minduri (Fonte IMA).

No estado de São Paulo foram verificados focos de raiva bovina nos municípios de Quintana e Bananal. No processo de captura dos morcegos, para diminuir seu ataque num rebanho, foi isolado de um morcego o vírus rábico, no município de Bofete, na região Central do Estado. Este achado é bastante indicativo que os bovinos desse local tinham alto risco de contrair a doença O morcego também pode morrer de raiva, só que a doença se manifesta mais lentamente nestes animais, podem assim transmitir para muitos bovinos. (Fonte CDA).

No estado do Rio Grande do Sul casos de raiva bovina foram detectados em Cerro Alegre Alto, Santa Cruz e Passo do Sobrado. (Fonte PNCRH-RS). Finalmente, no estado do Paraná constataram casos em Dois Vizinhos e Santo Antônio do Sudoeste (Fonte Adapar).

Em todos rebanhos desses municípios citados deve-se vacinar todos os bovinos acima de 3 meses de idade.

Até o próximo mês. Boa sorte com sua boiada!!!

VEJA TAMBÉM:
Vacinação de vacas contra leptospirose e controle de carrapatos

Você gostou desta coluna? Tem alguma sugestão ou informação nova?  Por favor, me escreva no e-mail ortolani@usp.br.

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