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Precursores da polêmica pecuária de alta lotação explicam a técnica em live

Os produtores Marcos Spinella e Aline Kehrle, da Agropecuária Kehrle, participam do programa “Revista DBO em Foco” e tiram as dúvidas de como chegar a lotações de mil animais em apenas 1 hectare
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Enquanto a lotação média é de cerca de um bovino por hectare na pecuária brasileira, muitos produtores tentam ganhar mais produtividade, multiplicando até quatro vezes esse número. Agora, já imaginou multiplicar essa lotação em até 3 mil vezes?

O tema, que é muito novo e polêmico no País, foi tema da capa da Revista DBO na edição de novembro, e ganhou uma live na semana passada, no programa Revista DBO Em Foco. A conversa com um dos precursores da técnica de pastejo ultradenso no País: os produtores Marcos Spinella e Aline Kehrle, da Agropecuária Kehrle, no município Aliança do Tocantins (TO), a qual é dedicada a esse sistema.


Numa área de 300 hectares, de uma área total de 3,5 mil hectares de pasto, o casal chega  a lotar, em média, de 800 a 1.000 animais, por hectare. O plano inclui aumentar essa área e chegar até a 1.000 hectares no sistema de criação ultradenso ainda este ano. O modelo, chamado de pecuária regenerativa e que foi estabelecido pelo biólogo Allan Savory, tem suporte no aproveitamento máximo das pastagens e no trabalho de fertilização com o esterco animal.

“Estamos falando de uma quantidade imensa de esterco. Imagine que com cerca de mil animais, estaremos jogando na área cerca de 30 a 40 toneladas de esterco”, diz Spinella.

Durante a live, foi apresentado um pequeno vídeo feito por um drone, o qual mostra a cena impressionante do gado saindo de um piquete e ocupando um outro. Em pouco tempo, os animais se distribuem uniformemente e instantaneamente na nova área, aproveitando todo a área de capim em um manejo de adensamento de animais que chegou a exatos 2.369 animais – 1.517 unidade animal (UA) – uma lotação impensada na pecuária tradicional brasileira. Spinella lembra que há lotações até maiores, chegando até 3 mil bovinos por hectare.

Momento em que os animais passam de um piquete para outro na Agropecuária Kehrle

Dá certo?

O fator impensado foi o que tornou a matéria uma das mais polêmicas do ano passado. Quando a reportagem, “Imitando a natureza para produzir mais”, do repórter Renato Vilela, foi publicada, em novembro de 2020, inúmeras perguntas foram feitas nas redes sociais da DBO. Entre elas, se o sistema dava certo e se o gado realmente engordava.

“Respondendo às perguntas dos leitores, sim, o gado ganha peso. O sistema é ajustável. Se o que queremos é um sistema que dá mais dinheiro, então precisamos aumentar a taxa de lotação”, diz o produtor.

Aline lembra que tudo foi sendo, aos poucos, lapidado na fazenda. Desde a análise da área, a qualidade das pastagens e as instalações de cercas.

Interação animal, solo e pastagem é o grande passo para se desenvolver um projeto de adensamento e garantir boa produtividade

“Mais do que pensar no tamanho do piquete, é pensar a relação entre o animal, o solo e o pasto. Como essa interação se dá da melhor maneira possível. É melhor e mais fácil pensar assim do que calcular um tamanho fixo do piquete”, diz Aline.

Convencimento

A fazenda que mantém um rebanho de cerca de 4 mil animais, sendo 2 mil matrizes Nelore, tem conseguido achar o ponto certo de ajuste, num sistema muito recente. Na propriedade, que há sete anos conseguia sustentar uma lotação de até 60 UA por hectare, há cerca de oito meses já aumentou para a 1,5 mil UA por hectare.

“Contra fatos não há argumentos. Então, quando as pessoas vão percebendo que de fato existe uma melhora, que aquilo tá evoluindo, elas embarcam na sua ideia e eu acredito que isso é um  dos maiores indicadores, para mim, de que tá dando certo”, afirma Aline.

Ficou curioso sobre esse sistema? Clique aqui e confira a reportagem completa.

Veja a entrevista da íntegra:

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