Mercado internacional mantém aquecido preço da carne bovina, avalia diretor da Conab
Demanda de países asiáticos é o que deverá sustentar os preços da proteína vermelha, destaca Sergio De Zen, diretor-executivo de Política Agrícola e Informações da Conab
O horizonte dos preços das commodities de alimentos pode seguir uma tendência de baixa nos próximos meses, exceto para a carne bovina. E a explicação para isso é a pressão da demanda de países asiáticos por proteína animal, especialmente a carne bovina.
A avaliação é do engenheiro agrônomo Sergio De Zen, diretor-executivo de Política Agrícola e Informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A estimativa, contudo, não leva em conta um possível conflito de guerra entre Rússia e Ucrânia, o que levaria a mudanças profundas com os mercados de alimentos no mundo, impactando a oferta de milho e trigo, assim como o mercado de carnes. A Ucrânia é dos grandes produtores de milho e trigo no mundo.
“Se tudo continuar do jeito que está, vamos ter uma aterrissagem bem suave dos preços. Só o boi não vai reduzir provavelmente porque há uma tendência de consumo global muito forte. Esse consumo vem principalmente da Ásia porque lá a renda está crescendo num ritmo mais acelerado que outras partes do mundo”, explica De Zen.
O diretor da Conab foi o convidado do DBO Entrevista, que foi ao ar na segunda-feira, 21/2, e falou da importância dos dados estatísticos sobre a produção pecuária no País, e como o órgão ligado ao Ministério da Agricutura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está trabalhando para garantir os melhores dados sobre a produção agropecuária, e, futuramente, lançar seus primeiros números da safra de bovinos (confira no final do texto o link para ver o programa na íntegra).
Tecnologia inédita
O diretor da Conab não abriu muitos detalhes, mas revelou que a companhia está prestes a divulgar os primeiros dados da produção de bovinos no País, com informações sobre o tamanho do rebanho, a produtividade e onde os animais estão.
“Nós estamos utilizando uma tecnologia que já foi aplicada em outra situação para saber o número de um outro bem ou serviço que tem um comportamento e tamanho parecido com o boi. Estamos aplicando no boi, pela primeira vez. Se nós conseguimos sucesso aí nós vamos ter o rebanho rapidinho, mas vai custar caro para o governo”, diz De Zen.
De Zen, um dos precursores do Indicador de Boi Gordo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), de Piracicaba (SP), até mencionou que os primeiros dados poderiam ter sido divulgados no final do ano passado, no entanto, ele decidiu validar melhor os números, cruzando com outras fontes de informação, como dados de vacinação e de Guias de Trânsito Animal (GTA).
Se tudo der certo, a tecnologia que permitirá os cálculos do rebanho de bovinos no País terá uma alta acurácia, com chances de até 5% de erro.
“Quando tivermos mais segurança, vamos anunciar. Era nosso plano anunciar em dezembro? Era. Mas nós não temos segurança ainda para anunciar esses dados. Precisamos de tempo para fazer esses cruzamentos. Eu acredito que até o final de 2022 nós tenhamos boas novidades sobre isso”, diz De Zen.
Inflação global
A pandemia do novo coronavírus foi o principal fator que elevou os preços de alimentos, não só no Brasil como no mundo inteiro, avalia o diretor da Conab.
A injeção de recursos governamentais em diversos países, manteve, de certa forma, empregos e renda à população, consequentemente manteve aquecida a compra de alimentos.
“Por isso que tivemos nesse momento um surto inflacionário global. Muitas pessoas apontam que isso é acontece só no Brasil, mas isso é no mundo inteiro. Agora com o câmbio voltando, provavelmente, vamos voltar para um patamar muito próximo dos Estados Unidos da Europa”, diz De Zen.
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