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Incêndio atinge área da Embrapa Pecuária Sudeste

Queimadas diminuem a qualidade do solo e aumentam custos da produção, afirmam os pesquisadores da empresa de pesquisa
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No sábado, 24 de agosto, um incêndio foi iniciado na mata do centro de pesquisa da Embrapa Pecuária Sudeste, localizado em São Carlos (SP), às margens da rodovia Guilherme Scatena.

Em pouco tempo, os brigadistas conseguiram conter as chamas, mas o fogo chegou a atingir uma área de pastagem onde estavam vacas de corte da raça Nelore. No entanto, os animais foram retirados a tempo, e levados para outro local de pasto.

Segundo Cesar Cordeiro, presidente da Brigada de Incêndio da Embrapa, foram queimados cerca de 10 hectares de pastagem e 11 hectares de mata. Também houve prejuízo com perda de infraestrutura, como cercas e mourões. Porém, nenhuma pesquisa foi afetada.

Área de queimada na Embrapa Pecuária Sudeste (Foto: Danilo Rocha)

Queimadas aumentam custo da produção

Na última semana, vários focos de incêndio foram registrados no Estado de São Paulo, relata a Embrapa. “Muitas queimadas atingiram grandes proporções, causando morte de animais, perda de culturas agrícolas e prejuízos com infraestruturas rurais e urbanas”, acrescenta.

Além do impacto econômico, social e ambiental, as queimadas afetam as propriedades físicas, químicas e biológicas dos solos. “Grandes quantidades de carbono, nitrogênio, potássio e enxofre são perdidas para a atmosfera por volatilização durante a combustão”, explica a Embraba.

De acordo com o pesquisador Alberto Bernardi, da Embrapa Pecuária Sudeste, especialista em solos, em longo prazo, essa alteração no solo causada pelo fogo tem consequências na biodiversidade e na manutenção de processos ecossistêmicos.

Pesquisas indicam que o fogo compromete a qualidade do solo e a produtividade no decorrer do tempo. “A queima da cobertura vegetal deixa a área descoberta, levando a maior absorção da radiação solar, com ampliação da temperatura e do ressecamento ao longo do dia”, diz Bernard, que acrescenta: “No período da noite, ocorre a perda de calor pela exposição, elevando assim a amplitude das variações térmicas diárias”.

Tais oscilações, continua o especialista, prejudicam a absorção de nutrientes e a biologia do solo. Outro problema é a erosão, pela ação do vento e o impacto da chuva, que leva à compactação ou selamento superficial. O resultado é menor infiltração de água e aumento do escoamento superficial, explica Bernardi.

A recuperação do solo pode levar cerca de três anos, com custos elevados para os produtores, que precisam investir no fornecimento de nutrientes para restaurar a área afetada.

A renovação da vegetação logo após a queimada pode deixar uma impressão positiva, porém o efeito é apenas temporário. “Essa brotação de novas plantas ocorre porque as cinzas são compostas por grande quantidade de nutrientes (cálcio, magnésio e potássio, principalmente) estocados na fitomassa e liberados na superfície do solo com o fogo”.

As cinzas são alcalinas, ou seja, neutralizam a acidez superficial, favorecendo o crescimento de plantas. No entanto, parte das cinzas será levada para fora do local de queima, seja pela ação do vento ou do escoamento superficial pela chuva.

Já, em longo prazo, o estoque de carbono do solo é perdido, porque a baixa disponibilidade de nutrientes levará a maior mineralização da matéria orgânica armazenada.

“Então, vários processos são prejudicados pela perda dessa matéria orgânica, entre eles a capacidade de troca catiônica (CTC), estabilidade dos agregados, porosidade, infiltração de água, atividade e diversidade de micro, meso e macrofauna do solo”, conta o especialista.

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