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Ciclo pecuário: tendências entre os principais atores mundiais

Agrifatto faz um resumo do cenário de oferta, produção, consumo e estoques de carne bovina no Brasil, EUA, Austrália e Argentina
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Enquanto no Brasil a produção pecuária bate recorde atrás da recorde, o mesmo não pode ser dito dos EUA, relata a Agrifatto, que fez um balanço resumido do atual comportamento do ciclo pecuário em alguns dos principais atores mundiais do setor da bovinocultura de corte – além dos dois países, a consultoria apontou dados da Austrália e da Argentina.

Os norte-americanos fecharam 2023 com uma produção de 12,29 milhões de toneladas, 599 mil toneladas a menos do que em 2022 e a menor produção desde 2017.

“A expectativa do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para 2024 é de mais uma nova redução na produção, dessa vez com uma queda anual de 391 mil toneladas sobre 2023, chegando a um total de 11,90 milhões de toneladas, o que seria a menor oferta desde 2016”, observa a Agrifatto.

A queda de 1 milhão de toneladas na produção de carne bovina norte-americana entre 2022 e 2024 está atrelada principalmente à redução do rebanho bovino norte-americano (menos animais, menos carne produzida).

Desde 2018, o rebanho de bovinos nos EUA vem caindo e deve fechar 2024 no menor nível da história, com 87,4 milhões de cabeças.

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Os motivos iniciais que levaram a redução do rebanho de bovinos nos EUA foram os preços “ruins” do bezerro e do boi gordo entre 2018 e 2020, justifica a Agrifatto.

No entanto, as cotações desses animais vem subindo vertiginosamente desde 2021 e ainda assim não houve perspectiva de aumento no rebanho de bovinos nos EUA, devido sobretudo ao fator climático.

Segundo recorda a Agrifatto, em 2020, as condições de pastagens nos EUA terminaram o ano no pior nível desde 2012. “O problema é que isso não terminou em 2020; durante os anos de 2021 e 2022 essas condições continuaram péssimas”, lembra a consultoria.

Diante de tal condição, o pecuarista norte-americano foi “obrigado” a encaminhar os seus animais (inclusive fêmeas) para a linha de abate.

Austrália – Em um contexto relativamente parecido com o Brasil, mas um pouco mais “atrasado”, a pecuária australiana fechou 2023 com um aumento considerável no volume de bovinos abatidos no país, puxado pelas fêmeas, informa a Agrifatto.

Foram 5,18 milhões de cabeças abatidas entre janeiro e setembro de 2023, 18,09% a mais do que o registrado no mesmo período de 2022, acrescenta.

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As fêmeas, continua a Agrifatto, tiveram um incremento de 28,12% no total abatido em 2023, chegando a 2,42 milhões de cabeças e uma participação de 46,71% do total.

“Ou seja, os pecuaristas australianos começaram a aumentar a liquidação das suas fêmeas e, com isso, tomam um rumo de fechar 2024 já com uma participação das fêmeas sobre o abate total acima da média histórica”, relata a consultoria.

Argentina – As problemáticas fora e dentro da porteira continuam na Argentina, observa a Agrifatto. O país vizinho fechou 2023 com o maior abate de bovinos da história, encaminhando para os ganchos 14,5 milhões de cabeças.

“Isso ajudou para que as exportações de carne bovina do país batessem recorde e o consumo interno de carne bovina voltasse a ficar acima dos 50 kgs hab/ano”, destaca a consultoria.

No entanto, a produção cresceu graças ao aumento no abate de fêmeas – de janeiro a novembro, avançou 16,38% no comparativo com 2022 e atingiu o maior patamar desde 2009, informa a Agrifatto.

“Com isso, a participação das fêmeas sobre o total abatido chegou a 48,25%, o maior nível desde 2019 e 3,75 pontos percentuais acima da média histórica”, acrescenta a consultoria.

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Segundo os analistas da Agrifatto, há um indicativo de que as margens para a atividade pecuária estão mais apertadas na Argentina, o que favorece o descarte de fêmeas.

“Porém, os reajustes constantes da taxa de câmbio complicam a visão completa sobre a situação da pecuária argentina neste momento, mas os preços da pecuária estão longe das suas máximas, o que pode ser um indicador de que o descarte (de fêmeas) ainda está ocorrendo e, no longo prazo, uma fase de retenção se aproximará”, observa a consultoria.

Confira abaixo um resumo da situação de cada país:

  • Brasil

Foto: Divulgação

# Maior produção de carne bovina da história;

# Abate de bovinos atinge maior patamar desde 2014 e pode ser ainda maior em 2024;

# Abate de fêmeas cresce mais de 25% e é o propulsor da produção recorde brasileira;

# Margem da cria ainda não estimula a retenção.

 

  • EUA

# Menor rebanho da história;

# Pecuaristas norte-americanos ainda não começaram a reter fêmeas;

#Problema de oferta nos EUA se estenderá no mínimo até 2025.

 

  • Austrália

Foto: Pixabay

# Abate volta a crescer e puxa preços domésticos da carne bovina para baixo;

# Diferença de preços entre EUA x Austrália atinge maior nível da história.

 

  • Argentina

# Participação das fêmeas no abate argentino é a maior desde 2019;

# Preocupações com inflação e preços ainda são latentes.

 

Produção de carne bovina / previsão USDA – Agrifatto (milhões/t)

                   2022     2023      2024      (2024 versus 2023)

EUA          12,89       12,29      11,90               -3,1%

Brasil         10,35       10,56     10,84             +2,6%

Argentina  3,14          3,30        3,03             -8,2%

Austrália   1,88          2,22         2,35              +6,1

 

Consumo de carne bovina

                  2022         2023        2024     (2024 versus 2023)

EUA          12,80         12,65           12,36          -2,3%

Brasil         7,52           7,72            7,92           +2,6%

Argentina  2,32          2,43             2,13           -12,1%

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