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“Bezerro não tão bom rouba na recria e na engorda”, diz consultor

Para o engenheiro agrônomo Maurício Palma Nogueira, sócio-diretor da Athenagro, a qualidade do animal faz total diferença na atividade de cria
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O tema trazido pelo programa “Confraria da Carne”, transmitido nesta segunda-feira (11/7) pelo canal da Zoetis no YouTube, foi “Mais valor na cria”, com participações incisivas de Maurício Palma Nogueira, engenheiro agrônomo, sócio-diretor da Athenagro Consultoria e coordenador do “Rally da Pecuária”; Rogério Fonseca Guimarães Peres, pecuarista e diretor da Associação dos Neloristas do Paraná (ANEL); e Júlia Carvalho, mestre churrasqueira.

Eles ponderaram a evolução da atividade de cria com a entrada no mercado de vasta tecnologia em reprodução assistida, nutrição, manejo, instalações e sanidade animal; comparativamente ao que se pratica, ainda hoje, a média dos produtores envolvidos.

Para os especialistas, os ganhos trazidos pela alta tecnologia se traduziram em garantia de retorno, principalmente em conjunturas onde o valor do bezerro está em xeque. Há praças pecuárias onde eles registraram queda de até R$ 1 mil per capita, em um ano. Porém, há outras, como São Paulo, onde a redução foi muito inferior.

Uma luz à conjuntura – No entendimento de Nogueira, a qualidade do bezerro faz total diferença.

Maurício Palma Nogueira, engenheiro agrônomo e diretor da consultoria Athenagro

“Quando o produto representa maior produtividade de arrobas por hectare, ele é valorizado em todas as etapas da cadeia, independente do ciclo pecuário”.

Em seu depoimento, Rogério Peres, empresário da atividade, concorda com Nogueira e retoma a fala de que “bezerro não tão bom rouba na recria e na engorda”, acrescentando que “bezerro bom até nasce na hora certa”, na primeira leva da estação de nascimentos, elevando todo o desempenho da fazenda. “Rouba porque seu desempenho não nos deixará ganhar na recria e terminação”, reforça.

E eles não caem do céu. Bons bezerros vêm de genética provada, ainda bem um material cada vez acessível devido à ação de uma tecnologia que mudou paradigmas na pecuária de corte.

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Carvalho se refere à Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) que tornou a inseminação artificial (IA) por melhores touros a um número bem maior de vacas do sistema.

Dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) indicam que, em 2021, pelo menos 1/5 das vacas de corte (20%) foram inseminadas, fazendo com que gerassem crias de maior potencial genético do que o de suas próprias mães. Com a IATF, a multiplicação da qualidade passou a ser mais intensa.

Maior rentabilidade sem grandes esperas – Alessandro Cassol, da Fazenda Nascer do Sol, em Rondônia, saiu de um bezerro de 190 kg de peso na desmama, em 2017, para outro de 240 kg, em 2021.

“Buscamos consultoria profissional e, por meio da inseminação artificial vimos a balança saltar”, explica o produtor.

Sua propriedade figurou entre as mais produtivas e rentáveis, em termos de cria, de sua região, do seu país e de outros como Bolívia e Paraguai, segundo informações de uma plataforma privada. Cassol ainda revela que, com uma certa contingência de mercado, a fazenda “rendeu R$ 5,3 mil/ha”. E que “sem a tal contingência, já estaria bom demais fechando nos R$ 2,4 mil”.

Quem deu também passos importantes em seus objetivos foi o veterinário Daniel Tolentino, da Fazenda Barroca que, confessa, há alguns anos nem estação de monta definida tinha. “Os touros ficavam com as vacas o ano todo e nascia bezerro toda hora. Era uma bagunça”, lembra.

Em um modelo assim, não há lotes homogêneos de animais, portanto, nenhuma base de comparação ou ponto de partida para promover melhoramento genético.

A média de peso dos bezerros na desmama era de 180 kg. Tal desempenho o levou, em 2017, a tomar decisões drásticas, porém, bem orientadas.

Reduziu o rebanho de 1,3 mil matrizes para apenas 350 e passou a utilizar IATF. Hoje são até quatro protocolos em estação de monta definida em quatro meses (novembro a fevereiro).

“Nesse ano, são 1,2 mil vacas com crias ao pé, novamente, todas muito mais produtivas com bezerros excepcionais”, afirma Tolentino.

Na última desmama, aos sete meses de idade, a média de peso dos filhotes foi de 260 kg. Muitas das fêmeas dessa safra entraram para um programa de superprecoces e já apresentaram prenhez de 91% na faixa etária entre 14 e 17 meses.

Aprendendo mais – A mestre churrasqueira Júlia Carvalho foi trazendo à lembrança que o motivo final de todos os esforços da bovinocultura de corte é produzir uma carne de melhor qualidade, não só para o mercado gourmet, mas para o dia a dia dos brasileiros.

Para tanto, ela pontuou o quanto essas altas tecnologias que abraçam a pecuária de ponta encurtam o ciclo pecuário e a própria idade dos animais que trabalham no rebanho. “Uma das principais característica de uma carne de qualidade é o fato dela ser proveniente de um animal jovem e, isso, já é a grande revolução que o Brasil assiste”, conclui Carvalho.

A chef não deixou a oportunidade passar e finalizou sua participação nesta terceira edição do “Confraria da Carne” com um bom churrasco de acém. Ela mostrou que, com o miolo da peça, equipamentos na medida e assado no tempo correto (mal passado), a carne é para fazer inveja às melhores peças do traseiro bovino.

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