Ao folhear as seções do mercado internacional do novo Anuário DBO 2025, em circulação neste mês de fevereiro/25, o leitor poderá constatar que o Japão ainda segue fora da mira dos exportadores brasileiros de carne bovina in natura, mas o Brasil segue em negociações avançadas com o governo japonês para abrir o tão almejado (e disputado) mercado asiático.
Enquanto os exportadores brasileiros ainda batalham por algum espaço na terra de origem do gado Wagyu, outros grandes fornecedores mundiais da proteína bovina “deitam e rolam” no mercado japonês, que é hoje o terceiro maior importador mundial da commodity, atrás da China e EUA.
Os principais importadores mundiais de carne bovina (1) |
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| País | 2025 | 2024 | 2023 |
| China | 3.825 | 3.775 | 3.577 |
| EUA | 2.007 | 1.988 | 1.690 |
| Japão | 720 | 725 | 702 |
| Coreia do Sul | 575 | 570 | 595 |
| Reino Unido | 415 | 400 | 384 |
| União Europeia | 355 | 370 | 363 |
| Chile | 350 | 355 | 356 |
| Rússia | 295 | 300 | 275 |
| Arábia Saudita | 265 | 260 | 220 |
| Canadá | 255 | 270 | 241 |
| Egito | 250 | 245 | 245 |
| Outros | 1.868 | 1.867 | 1.675 |
| Total | 11.180 | 11.125 | 10.323 |
| (1) Em milhões de toneladas equivalente-carcaça. Os dados de 2025 são previsões e os de 2024, preliminares (Fonte: USDA, out./2024. Adaptação: DBO) | |||
Reportagem publicada no site www.porkbusiness.com mostra o avanço dos EUA em um dos nichos de mercado no Japão explorados hoje pelos grandes exportadores mundiais de carne bovina – e que, no futuro próximo, também pode fazer parte da rotina dos vendedores de proteína do Brasil.
Trata-se das importações japonesas direcionadas para atender a demanda da “indústria yakiniku” (junção das palavras “yaki”, que significa “assar, grelhar”, e “niku”, “carne” em japonês), uma espécie de churrasco japonês.
“Yakiniku se refere a um estilo de cozinhar carne e vegetais em pequenos pedaços em grelhas ou chapas sobre uma chama de carvão de madeira“, explica o texto.
No Japão, os restaurantes especializados em yakiniku utilizam uma ampla variedade de cortes de carne bovina e suína – incluindo língua e intestinos – e os próprios clientes preparam o churrasco, usando as grelhas de mesa exclusivas dos restaurantes.
“Este segmento é um grande consumidor de cortes variados de carnes, como língua bovina, língua de porco, intestino (grosso e fino)”, disse Tom Kasatani, diretor de marketing da Federação de Exportação de Carne dos EUA (USMEF, na sigla em inglês).
Representantes da USMEF participaram da Feira de Negócios Yakiniku, realizada recentemente em Tóquio, uma das feiras comerciais anuais mais importantes para o setor de restaurantes do Japão.
A programação de expositores da feira inclui fornecedores de carne, fabricantes de equipamentos, empresas de temperos e molhos e organizações culinárias, explica Kasatani.
A feira também é um local preferido para muitos concorrentes de carne vermelha dos EUA no Japão, incluindo associações comerciais nacionais, bem como fornecedores da Austrália e do México.
Agora, é o Brasil que se esforça para também participar do atraente mercado japonês, quem sabe fornecendo o chamado “boi-Japão”, que, com certeza, chegará ao país asiático a preços bastantes competitivos – lembrando que os compradores locais pagam valores altamente generosos pela proteína importada, muito acima das cotações médias oferecidas por outros tradicionais compradores mundiais da commodity, como a China.
Na avaliação da zootecnista Isabella Camargo, analista da HN Agro, caso o Brasil consiga acesso ao mercado da carne bovina do Japão, os frigoríficos brasileiros não terão dificuldade para se adaptar ao padrão de importação vigente hoje.
“O Brasil já tem o ‘boi-China’, o mesmo tipo de animal exigido pelo Japão aos seus grandes fornecedores”, diz ela, referindo-se ao gado abatido mais jovem, com até 30 meses de idade.
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