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Um representante dos Pampas

Joaquim Mello, um gaúcho pioneiro de 76 anos, superou desafios transformando a pecuária gaúcha ao implementar melhorias genéticas, nutrição e integração lavoura-pecuária
Joaquim Mello, um gaúcho que faz história

Por Renato Villela

No início dos anos 70, quando assumiu as rédeas da Estância Santa Eulália, localizada no município de Pelotas (RS), berço das charqueadas do Brasil. Joaquim Mello estava só. Vindo de uma família com tradição centenária na pecuária gaúcha, o jovem produtor, à época com 24 anos, não teve quem lhe passasse o bastão. Todos os homens da geração anterior, que por hábito estariam no comando do negócio, haviam falecido, razão pela qual a propriedade estava arrendada há 40 anos. “O começo foi difícil. A fazenda não tinha aramado (cerca), os pastos nativos eram muito fracos”, recorda. 


Esse gaúcho de 76 anos, que associa tradição com pioneirismo, foi escolhido por DBO para representar a região Sul, nesta homenagem aos pecuaristas brasileiros. Ele carrega o legado dos Pampas, mas também contribuiu para mudar os números da pecuária gaúcha. “Quando eu comecei, os bois eram abatidos com 4,5 a 5 anos; a taxa de prenhez não passava de 50%; as vacas davam cria num ano e no outro não”, lembra Mello, que também testemunhou a saga da febre aftosa. “O rebanho da Santa Eulália sofreu com essa doença por três anos. Os animais ficavam com feridas na boca e no meio dos cascos. Não comiam e tinham dificuldade para permanecer de pé. O emagrecimento era brutal e a morte, uma consequência desse quadro debilitado”, relata.  

Com cautela, mas visão de futuro aguçada, Mello forjou a pecuária a seu modo. Comprou duas liquidações de plantel, uma de Hereford e outra de Braford, e promoveu o cruzamento com outras raças. “Buscava a heterose para produzir novilhos de melhor qualidade”, conta o produtor que, já naquela época, fazia inseminação artificial e reconhecia a importância da genética e da nutrição. “Comecei a plantar aveia com azevém numa pequena área da fazenda. Depois, passei a consorciar soja com pecuária, fazendo o que se chamaria de integração lavoura-pecuária”, diz. 

Nos anos 80, Mello tornou-se um dos primeiros fornecedores do programa “Novilhos selecionados”, iniciativa da então cooperativa de carnes de Bagé, a Sicad. “Os bois eram abatidos com no máximo seis dentes. Até onde sei, foi o primeiro programa de carne de qualidade no Brasil”, diz. Com olhar sempre atento, o produtor percebeu que o Angus se saía muito bem nos pastos de invernada formados por grama boiadeira (Luziola peruviana), forragem que predominava nas áreas alagadiças da Fazenda Santo Antônio, à época também pertencente à sua família, e que passou a administrar. Nascia ali o interesse pela raça.  

Agraciado pela “Medalha Assis Brasil”, honraria concedida pelo governo do Rio Grande do Sul aos que contribuíram para a agropecuária gaúcha, Mello tornou-se um reconhecido selecionador da raça Angus. Liderança destacada, presidiu a Associação Rural de Pelotas (1997 à 1999) e a Associação Brasileira de Aberdeen Angus (2009 a 2010). Hoje, ao lado dos filhos Joaquim Francisco, Eulalie, Simone e Daniel de Souza Mello, ele administra três fazendas, com rebanho total de 7.000 animais.

TRAJETÓRIAS DE SUCESSO

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Desbravando fronteiras

Valdemar Antoniolli, um pioneiro na região de Sinop, superou desafios como a falta de opções forrageiras e a seca para transformar sua fazenda em um negócio rentável de pecuária

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Legado de produtividade

O produtor Bruno Aurélio Ferreira Jacintho, sucessor do renomado pecuarista Chichico, acompanhou de perto a evolução da pecuária, implementando modernizações como o confinamento de bois com melhores resultados de ganho de peso e a divisão dos piquetes para aumentar a lotação da fazenda

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Ousadia com tecnologia

Guilherme Pontieri, da Fazenda AgroPontieri, exemplifica a jornada transformadora de modernização da pecuária por meio de investimento, paciência e abordagens personalizadas, alcançando resultados notáveis e se tornando líder na indústria.

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A vez da conectividade

Natália Martins encontrou sua vocação no departamento financeiro da Fazenda Camparino, onde utiliza o Instagram para estreitar relações com os clientes e criou o quadro “Zezão responde”, onde seu avô, José Humberto Villela Martins, responde perguntas dos seguidores, mostrando a interação entre duas gerações de produtores.

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Geração Sustentabilidade

A nova geração de produtores busca aumentar a produtividade enquanto preserva os recursos naturais, reconhecendo que a sustentabilidade é fundamental para o futuro da pecuária

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