
Por Renato Villela
Aliar o aumento da produtividade com a preservação dos recursos naturais é quase um mantra para a nova geração de produtores. Essa prerrogativa não reflete apenas o respeito às normas gerais estabelecidas pelo novo Código Florestal, mas sobretudo uma mudança de postura de toda a cadeia produtiva, que já enxergou que o futuro da pecuária passa, necessariamente, pela sustentabilidade. “Minha geração não abriu áreas de mata. Não há mais espaço para o desmatamento”, relata Felipe Balestreri (33 anos), que está à frente da Fazenda Guarani, localizada no município paraense de Paragominas.
O jovem produtor fala com conhecimento de causa. Tem na memória da infância o registro da derrubada de árvores, atividade que décadas atrás não apenas era legal, mas também incentivada pelo governo como forma de “povoar” as localidades até então mais inóspitas do País. Consciente de que a prática era recorrente, muito em virtude da boa fertilidade dos solos nos primeiros anos de cultivo, Balestreri entendeu a necessidade de mudar esse jeito de pensar. “Tiramos essa visão do negócio e passamos a olhar somente para as áreas abertas”, diz.
Quando assumiu a fazenda, em 2010, o produtor tinha nas mãos um modelo de pecuária extensiva. Teve de abandoná-lo para conseguir competir com a agricultura e o plantio de eucalipto, principais culturas da região. A transição, no entanto, foi feita de modo planejado e progressivo, atuando em várias frentes. Balestreri visitou projetos País afora na busca por uma pecuária mais moderna e profissional. Em 2013, a fazenda entrou num programa de melhoramento genético da Cia de Melhoramento. Em seguida procurou uma consultoria de pastagem. “Precisávamos melhorar nossa eficiência na colheita do capim”, conta.
Nesse processo de melhoria contínua novos desafios foram surgindo. “A partir do momento em que aumentamos nossa taxa de lotação para acima de 2,5 UA/ha, a seca virou um problema”, conta. Em 2015, a fazenda construiu um confinamento que entrou no sistema como uma ferramenta de manejo para engordar os animais que não eram terminados a pasto. Quatro anos mais tarde, mais um passo foi dado. “Já tínhamos os pilares da genética, manejo de pastagem e estratégia da seca. Faltava ter os números nas mãos para saber se nosso trabalho estava, de fato, dando resultado. Foi então que procuramos o Instituto Inttegra”, relata.
A “gestão dos números”, como o produtor se refere a essa etapa do projeto, foi confiada ao consultor Antônio Chacker, coordenador do instituto. Para este ano, o objetivo é implantar um novo modelo de “gestão de pessoas”. “Estamos melhorando a infraestrutura do nosso alojamento, as casas dos vaqueiros, além de um plano de desenvolvimento para nossa equipe de colaboradores”, conta. Até mesmo uma escola está sendo montada na fazenda. “É para os filhos dos funcionários e também para os meus filhos, que vão estudar nessa escola”, diz. Atualmente, a fazenda conta com um plantel de 17.000 animais, faz ciclo completo e vende tourinhos.





