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UE se move para adiar regra de desmatamento após enorme resistência dos exportadores

A comissão sugeriu um atraso de 12 meses na aplicação das regras que buscam coibir o desmatamento em países que exportam produtos como café, cacau, soja e carne bovina
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A Comissão Europeia decidiu adiar a execução de sua lei de combate ao desmatamento global, após enorme pressão dos países produtores de commodities e das indústrias, conforme noticiou nesta quarta-feira (2/10) a agência Bloomberg.

A comissão sugeriu um atraso de 12 meses na aplicação das regras que buscam coibir o desmatamento em países que exportam para o bloco europeu produtos essenciais, como café, cacau, soja e carne bovina.

Pesos pesados ​​da agricultura global, entre eles o Brasil, criticaram ferozmente o novo regulamento da União Europeia – que deveria entrar em vigor em 30 de dezembro de 2024 –, alegando que tais exigências ambientais prejudicariam pequenos agricultores e restringiriam as exportações.

Em comunicado, a comissão reconheceu que, “três meses antes da data de implementação pretendida, vários parceiros globais expressaram repetidamente preocupações sobre seu estado de preparação”.

Porém, observou a comissão, o adiamento daria tempo extra para as partes se prepararem, mas “de forma alguma coloca em questão” os objetivos da lei.

Grande alívio

“Um atraso traria um grande alívio às cadeias de valor da União Europeia, do cacau ao óleo de palma — e não menos importante aos consumidores europeus já afetados por uma crise de custo de vida”, disse Carlos Mera, analista do Rabobank em Londres, segundo a reportagem da Bloomberg.

As regras exigem sistemas de rastreamento complexos, com importadores obrigados a coletar dados precisos para identificar os lotes de terra onde os produtos foram cultivados.

Por sua vez, as empresas devem garantir que os produtos importados não foram feitos em áreas desmatadas ou degradadas após 2020.

“As incertezas causadas agora devem ser uma razão para simplificar fundamentalmente a regulamentação novamente e não impor burocracia adicional aos países com proteção florestal eficaz”, disse o secretário-geral do DBV, Bernhard Krüsken.

No entanto, grupos ambientalistas ficaram consternados com a proposta, dizendo que as florestas do mundo precisam urgentemente de mais proteção, relatou o texto da Bloomberg.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, “poderia muito bem ter empunhado a motosserra ela mesma”, disse o diretor de política florestal da UE do Greenpeace, Sébastien Risso. “As pessoas na Europa não querem produtos de desmatamento nas prateleiras dos supermercados, mas é isso que esse atraso lhes dará”, acrescentou.

Peter Liese, um legislador alemão que coordena questões ambientais no Partido Popular Europeu, saudou a proposta da UE, dizendo a “entrada em vigor em 30 de dezembro de 2024 teria mergulhado o bloco em um caos irresponsável”.

(Com Bloomberg)

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