Nesta sexta-feira (22/1), o mercado físico do boi gordo manteve o tom de firmeza de preços, ditado pela dificuldade na compras de animais prontos para abater, além do bom ritmo das exportações de carne bovina, informam as consultorias de mercado IHS Markit e Scot Consultoria.
Nas praças paulistas, o movimento foi de estabilidade na comparação com o dia anterior. O boi gordo está sendo negociado a R$ 297/@, preço bruto e a prazo, segundo dados da Scot. Animais que atendem à demanda externa são vendidos na faixa de R$ 300/@. Durante a semana, a cotação do boi gordo subiu 3,5%, na comparação com a semana anterior, relata a Scot.

Como já mencionado anteriormente, lotes com alguma diferenciação, como volume maior, maior qualidade de acabamento, gordura mediana, precocidade ou proximidade das plantas frigoríficas alcançam naturalmente preços diferenciados, sobretudo pelo fato de se encaixar em algum padrão que atenda especificações para exportação da proteína bovina, destaca a IHS Markit.
No entanto, boa parte das indústrias frigoríficos continua a cadenciar o ritmo de suas compras de gado gordo, optando por operar com capacidade de abate reduzida ou intercalando os dias de abate por meio da realocação de suas
programações com base em ofertas adquiridas anteriormente.
Em média, as escalas de abate perfazem entre três a quatro dias uteis, mas há plantas frigoríficas trabalhando para preencher lacunas para próxima terça-feira (26), informa a IHS.
Segundo a consultoria, a extrema cautela das indústrias reside na inconsistência do consumo doméstico, que sofre impactos gerados pelo típico efeito sazonal (período de menor poder aquisitivo da população), com adição do momento crítico vivido pelo País (como elevado nível de desemprego, fechamentos redes de restaurantes e hotelarias – tudo isso reflexo gerado pela pandemia da Covid-19). Mesmo com o maior fluxo das exportações, frigoríficos alegam muita dificuldade de repasse dos custos operacionais, diz a IHS.
Giro pelas praças
Nesta sexta-feira, as altas ficaram mais concentradas na faixa central do Brasil, mais especificamente nos Estados de MT, GO e MG. Boa parte das indústrias locais alegaram conseguir estender suas escalas de abate por meio da elevação de suas indicações de compra, relata a IHS.
No MT e MG, as unidades de abate passaram a trabalhar com escala pronta até o final da próxima semana.
Em Goiás, as escalas de abate atendem três dias uteis.
Na região Norte, destaque para modestas altas em Tocantins e Pará, visando fechar lacunas na escala de abate da próxima semana, relata a IHS.
Nas demais regiões pecuárias do País, o ambiente foi de preços estáveis nesta sexta-feira,em função da ausência de negócios em volumes mais significativos. No entanto, os poucos lotes que aparecem foram negociados a preços mais altos.
Atacado da carne segue firme
No mercado atacadista, em relação à oferta de carne bovina, não se observa alterações significativas de melhora quanto ao volume, ou seja, segue reduzida, contudo não havendo falta específica de mercadoria, informa a IHS.
Para os próximos dias, o quadro de produção deve-se manter inalterado devido à manutenção das apertadas e irregulares escalas de abate das indústrias frigoríficas. “Tal fato deve garantir no mínimo suporte a manutenção dos atuais patamares de preços dos cortes bovinos, mesmo diante do avanço da segunda quinzena de mês ou optação por migrar para outras proteínas mais baratas”, prevê a IHS, acrescentando que as exportações firmes geram suporte adicional ao mercado atacadista.




