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Pecuaristas precisam estar atentos para não perder as oportunidades de compra do milho, alerta analista

A seca no Sul do País e a consequente quebra de parte relevante da safra de verão colocaram ainda mais pressão nas cotações do grão, relata Leandro Bovo
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Os recriadores e invernistas brasileiros seguem bastante preocupados com a nova onda de valorizações nos preços do milho e do farelo de soja, tanto no mercado interno quanto no externo.

“O milho tem sido a dor de cabeça de todos que dependem dele como insumo para a produção de proteína animal”, afirma o médico veterinário Leandro Bovo, sócio e diretor da Radar Investimentos, com sede na capital paulista.

A seca no Sul do País e a consequente quebra de parte relevante da safra de verão colocaram ainda mais pressão na commodity e os preços caminharam rápido no rumo dos R$ 100/saca na praça de São Paulo, relata Bovo.

Além da alta no Brasil, o milho em Chicago também vem subindo forte, refletindo a situação dos estoques apertados do cereal no mundo, destaca o analista.

Desde o início do ano, a alta do milho na bolsa americana superou os 10%.

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Segundo Bovo, a quebra da safra brasileira de verão e a alta do milho na bolsa de Chicago tem levado o produtor brasileiro a segurar o estoque de milho disponível, apostando em maiores altas à frente.

“A queda de braço entre consumidores e produtores tem sido grande, já que muitas operações de aves e suínos estão perdendo dinheiro e não têm condições de absorver mais nenhum aumento no custo de produção, diminuindo muito os volumes negociados e deixando o mercado muitas vezes com indicações de preço apenas nominais e sem referência em negociações concretas da mercadoria”, observa Bovo.

De acordo com analistas da consultoria IHS Markit, com sede em São Paulo, em média, “os gastos com ração chegam a 25% do custo total no confinamento no Brasil, mas essa representatividade pode aumentar caso a escalada dos preços dos grãos persista diante de aperto nos estoques e riscos de fornecimento como o visto em 2021”.

Na avaliação de Bovo, o que pode vir a ser o fiel da balança nessa queda de braço entre produtores e consumidores é o recente recuo das cotações do dólar, atualmente oscilando em torno de R$ 5,15.

“Outro ponto que pode levar o produtor a ficar mais ativo nas vendas do grão nas próximas semanas é a colheita da safra de verão, que por mais que tenha havido quebras relevantes, ainda trará ao redor de 25 milhões de toneladas de milho ao mercado, ajudando a dar um fôlego aos consumidores até o início da colheita da safrinha”, relata o analista da Radar Investimentos.

De acordo com ele, os baixos estoques de passagem no Brasil e também no mundo impedem um movimento de queda mais acentuada no milho.

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Porém, a alta também fica limitada pelo baixo apetite dos compradores, observa o analista.

“Ninguém vai querer ampliar as compras ou fazer estoques no nível atual de preços do milho”, avalia ele, que acrescenta: “O mais provável é que o mercado físico siga andando de lado no curto prazo e, à medida que a produtividade da safrinha for ganhando corpo, o apetite vendedor também pode ir melhorando, trazendo alívio às cotações”.

Caso isso aconteça, continua Bovo, o mercado futuro também reagirá de forma negativa e, como sempre, pode exagerar no movimento de baixa, abrindo oportunidade para fixação de preços ou compra de seguro de preços máximos.

“É bom ficar atento, pois com a alta volatilidade do mercado de milho, as oportunidades surgem e vão embora de forma muito rápida”, alerta Bovo.

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