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Mosca-da-bicheira do Novo Mundo: “Bezerros foram comidos vivos em 48 horas”

Em reportagem da revista Drovers, pecuaristas e veterinários de diferentes partes do mundo compartilham suas experiências com o terrível parasita
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Em reportagem publicada no portal da revista norte-americana Drovers, pecuaristas e veterinários de diferentes partes do mundo compartilham suas experiências com a mosca-da-bicheira do Novo Mundo (New World Screwworm/NWS), parasita carnívoro que se espalhou pelo México e tornou-se uma ameaça real ao rebanho dos EUA, devido aos casos registrados em locais próximos da fronteira entre os dois países.

Veja aqui o depoimento de José Santiago Gallardo Espinosa, de Chiriquí, no Panamá (acompanhe pelo Portal DBO relatos impressionantes de outros agentes da cadeia da carne nesta quarta-feira, 27 de agosto):

“O fedor… é como um animal atropelado cozinhando em infecção”, disse Espinosa à Drovers, ao descrever um animal infectado pela mosca-da-bicheira (NWS, na sigla em inglês). “Você sente o cheiro antes mesmo de ver o animal”, acrescentou.

Espinosa continuou descrevendo a aparência. “Aquele pequeno arranhão que você ignorou? Agora virou um buraco do tamanho de um punho, pulsando com larvas. Não por cima, mas por baixo da pele. Centenas de vermes cor creme com espinhos em forma de parafuso, comendo sua vaca viva.”

Uma praga no Panamá

Espinosa, diz a reportagem, é um especialista panamenho em produção pecuária e ciências animais, com uma formação prática e diversificada em produção de gado, políticas agrícolas e gestão internacional de fazendas.

Atualmente, ele lidera a equipe de assistência técnica na Cooleche, R.L., onde comanda iniciativas estratégicas em produção de gado e extensão técnica.

“Isso não é ‘só mosca’. Já enterramos bezerros que foram comidos vivos em 48 horas”, alertou Espinosa, à Drovers. Ele acrescentou: “Vacas no pós-parto são alvos fáceis. Encontrei uma com larvas profundas na vulva; ela tremia enquanto tentava amamentar o bezerro”.

Na reportagem, Espinosa disse que, para detectar a NWS e conter sua propagação, é preciso realizar inspeções diárias de feridas, incluindo umbigos de recém-nascidos, vulvas de vacas paridas, bainhas de touros, cortes de marcação e ferimentos de brincos.

Alguns sinais de alerta incluem feridas que incham de um dia para o outro, secreção purulenta ou queda repentina na produção de leite.

Um simples arranhão pode ser uma “bomba-relógio”

“Trate cada arranhão como uma bomba-relógio”, alertou ele, completando que, se encontrar uma ferida estranha, deve “abrir as bordas da pele — se vir larvas do tamanho de grãos de arroz com espinhos escuros, soa o alarme”.

Segundo Espinosa, mais de 6.500 casos já surgiram no Panamá, avançando rumo ao norte pela América Central como uma praga.

Durante anos, a barreira EUA-Panamá manteve a NWS afastada”, disse Espinosa. “Víamos talvez 25 casos por ano — era um incômodo, não uma crise. Mas então chegou 2023, e de um dia para o outro nossos pastos viraram zonas de guerra”. No Panamá, continua ele, “estação chuvosa é estação das larvas”.

“Aqui, na região leiteira de Chiriquí, é a tempestade perfeita”, afirmou. “Umidade de 90%, calor de 29°C e moscas por toda parte. Uma única vaca infectada representa perda de $10 por dia em leite — é questão de vida ou morte para pequenas fazendas leiteiras.”

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