É o que a Agroconsult, organizadora do Rally da Safra, sinaliza no fechamento das suas avaliações para a etapa milho safrinha, neste 2024. A consultoria estima a área da safra 23/24 em 16,7 milhões de hectares e produtividade em 100,6 sacos por hectare.
A produção de 100,5 milhões de toneladas, apesar de 10% abaixo da safra anterior, representa um incremento de 4% em relação ao estimado no pré-Rally, em maio, o que significa mais milho à disposição do mercado.

“O Brasil vai produzir mais de 100 milhões de toneladas de milho 2ª safra pela segunda vez em sua história. Ao juntarmos com a safra de verão, a produção total ultrapassa 126,5 milhões de toneladas. Mesmo sendo 15,3 milhões de toneladas menor do que a anterior, ainda é um grande volume e certamente traz desafios para o seu escoamento em um ano que a comercialização segue atrasada”, explica André Debastiani, coordenador do Rally da Safra.
Entre os destaques das estimativas refere-se ao consumo interno de milho. Ele salta de 80,2 milhões de toneladas, na safra 2022/2023, para 85,1, na safra 23/24, sendo que o grão para produção de proteína animal cresceu 1,5%, de 58,6 milhões de toneladas para 60,1, no mesmo período.
Também o destino para a produção de etanol, de onde sai DDG e WDG, cresceu. Na safra passada, 13,3 milhões de toneladas; nessa agora, 16,6.
Se as notícias da produção são positivas, as estimativas para exportações se mostram menos impetuosas, já que a timidez chinesa foi determinante. A Agroconsult estima uma queda de 23%, ou seja, de 54,7 milhões de toneladas registradas na safra anterior, para 42,1 na safra atual. Mas vale observar que os EUA vão registrar queda considerável na sua produção de milho, em 2024.
Produtividade
O Mato Grosso deve colher 118,2 sacas por hectare – ou 1,6% abaixo da safra recorde do ano passado, que foi de 120 sacas. Já a estimativa para Goiás é de 119,4 sacas por hectare (1,9% maior que na safra passada), um novo recorde em produtividade para o estado. No Mato Grosso do Sul e Paraná, as lavouras sofreram com a estiagem e todos os indicadores de campo apresentam queda.
O Sul do Mato Grosso do Sul foi a região mais afetada e apresenta produtividades muito irregulares que variam de 20 a 120 sacas por hectare – diferente do Norte do estado, que apresenta melhores condições, com cenário semelhante, porém em menor intensidade quando comparado ao Sul. A produtividade estimada é de 72,6 sacas por hectare (25,5% inferior à safra passada).
O Norte do Paraná atravessou também um período de forte estiagem que afetou a produtividade. Cenário semelhante ocorre nas regiões de Beira Lago, Medianeira, e as mais próximas do Mato Grosso do Sul.
Em contrapartida, as regiões de Campo Mourão e Cascavel, com plantio antecipado, demonstram melhores resultados. A média de produtividade para o estado é projetada em 91,4 sacas por hectare (6,7% menor que na safra passada).
Maranhão, Piauí, Tocantins e Minas Gerais, mesmo registrando plantio mais tardio dos últimos cinco anos, apresentam bons resultados. A projeção para o MAPITO é de 85,7 sacas (0,6% maior que na 22/23) puxada pelo bom desempenho do Tocantins. Minas Gerais deve alcançar 90,6 sacas por hectare (8% inferior à safra passada).
São Paulo sofre com a irregularidade e baixos volumes de chuva desde janeiro. O estado, que já registrou a menor produtividade na safra de soja, agora também tem o menor resultado no milho, com produtividade de 66,8 sacas por hectare (25% menor que na safra anterior).
Área plantada
Derrubando expectativas anteriores, a queda na área em 23/24, em razão do cenário econômico, não foi tão acentuada. Com a antecipação do ciclo da soja, a janela de plantio do milho acabou sendo muito favorável, em especial nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás, onde o plantio foi o mais adiantado desde 2018/19.
Além disso, houve redução dos custos, em especial no período do final do ano passado até março, levando o produtor a plantar mais.
O Rally estima uma redução de 4,9% na área sobre a safra anterior que, também, já está atualizada pelas análises com imagens de satélite.
Desafios
O trabalho de campo do Rally coletou uma série de variáveis que compõem a produtividade, como população de plantas, número e tamanho de espigas, peso de grãos e condição fitossanitária das lavouras.
Neste ano, todos os estados apresentaram menor população de plantas e número de espigas viáveis, o que pode ser atribuído à redução dos investimentos nessas lavouras, em especial em fertilizantes e sementes e a grande presença de cigarrinha e percevejo.
Em contrapartida, a precocidade de implantação e o bom regime de chuvas, que se estendeu ao longo do mês de abril e maio, levaram ao aumento no peso de grãos, especialmente no Médio-norte do Mato Grosso e Sudoeste de Goiás, duas importantes regiões de produção do milho segunda safra.
Incluindo a etapa soja, ocorrida entre janeiro e março, o Rally percorreu mais de 77 mil quilômetros em 14 estados e o Distrito Federal, com 1.853 lavouras e 395 produtores visitados.




