No dia 18 de setembro, o GT de Clima da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável realizou o último webinar da série sobre mercado de carbono. Nesta edição, os especialistas convidados abordaram sobre os impactos e as oportunidades do balanço de carbono para valorizar a pecuária brasileira.
Intitulado “Pecuária e Balanço de Carbono: Impactos e Oportunidades para Valorizar o Setor”, o webinar contou com a participação de Alexandre Berndt, chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, e Renata Branco, pesquisadora do Instituto de Zootecnia (IZ) e coordenadora do Neutropec.
Alexandre discursou sobre como as emissões de gases de efeito estufa (GEE), especialmente metano, estão associadas à pecuária e como as boas práticas de manejo podem reduzir essas emissões.
Além disso, apresentou dados sobre as emissões globais e brasileiras, ressaltando a contribuição da mudança de uso da terra e destacando a importância de compartilhar estes dados e pesquisas. Também abordou a situação do Brasil em comparação com outros países.
“Com 84% dos bovinos abatidos vindos de sistemas de pastejo, o Brasil tem uma oportunidade única de intensificar a produção de maneira sustentável e se destacar como líder global na pecuária de baixo carbono. A ciência brasileira, com dados tropicalizados e tecnologias de vanguarda, está preparada para enfrentar esses desafios, promovendo uma pecuária que concilia segurança alimentar com mitigação das mudanças climáticas”, comentou Renata. Ela também mencionou que, embora o Brasil tenha áreas florestais preservadas, a mudança de uso da terra contribui para as emissões.
A importância da adoção de tecnologias para aumentar a eficiência da produção e melhorar a imagem do setor foi bastante comentada pelos convidados. Alexandre argumentou que a comunicação adequada sobre as práticas agropecuárias é fundamental para a sociedade. Já Renata, enfatizou a importância da redução das emissões de metano gerado pela fermentação entérica em ruminantes, inclusive apresentando exemplos de estratégias para mitigar esses impactos, como a manipulação dietética e o uso de aditivos.
A necessidade de um manejo adequado das pastagens para aumentar a remoção de carbono da atmosfera também foi bastante abordada. Renata ressaltou que a pecuária brasileira tem potencial para ser mais sustentável e destacou a importância de integrar dados e metodologias adaptadas à realidade tropical para aprimorar as métricas de emissões.
Por fim, Alexandre reforçou a urgência de uma gestão técnica e comunicação eficaz para fortalecer a pecuária sustentável no Brasil e Renata destacou a relevância da ciência brasileira em pesquisa agropecuária e convidou à reflexão sobre como melhorar práticas e tecnologias no setor.
“Esta série de diálogos foi fundamental para aprofundar nosso conhecimento sobre o crédito de carbono e os mercados voluntário e regulado, enfatizando sua relevância para a sustentabilidade no campo. Foi possível identificar oportunidades e desafios que surgem com a crescente demanda por práticas agrícolas sustentáveis diante das mudanças climáticas”, comentou, em nota, Caio Dalla Zana, coordenador do GT de Clima da Mesa Brasileira.
Fonte: Ascom Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável




