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Luto: morre o pecuarista Maurício Teixeira

O médico veterinário Maurício Acatauassú Teixeira construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao aprimoramento das raças zebuínas; OUÇA depoimentos.
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Foto: Arquivo pessoal

A pecuária brasileira, em especial a amazônica, perdeu um dos seus grandes “conhecedores”. Faleceu na manhã de 4 de fevereiro, em São Paulo, capital, aos 71 anos, Maurício Acatauassú Teixeira, médico veterinário e pecuarista, após longa luta contra uma leucemia.

Associado à ABCZ desde 1994, Maurício construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao aprimoramento das raças zebuínas, com destaque para Guzerá, Nelore e Punganur.

Trata-se de um profundo estudioso do assunto. Sua perda foi sentida e mencionada em diversas redes sociais e grupos de WhatsApp.

Maurício também atuou como membro do Conselho Consultivo da ABCZ, representando o estado do Pará, e integrou o Colégio de Jurados das Raças Zebuínas, tendo avaliado morfologicamente bovinos em importantes feiras do País. Além disso, foi integrante do Conselho Deliberativo Técnico (CDT) da entidade.

A ABCZ, aliás, emitiu extensa nota, onde o presidente Gabriel Garcia Cid se manifestou: “Maurício dedicou sua vida à pecuária zebuína, deixando contribuições para o setor. Seu conhecimento técnico e sua paixão pela seleção genética marcaram sua trajetória, sendo reconhecido e respeitado por todos que tiveram a oportunidade de conviver com ele”.

Também o atual vice-presidente e ex-presidente, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, lembrou que “a família Acatauassú tem uma forte tradição na criação de gado na Ilha de Marajó, onde desempenhou um papel essencial na introdução e no melhoramento do rebanho zebuíno, contribuindo significativamente para o fortalecimento da pecuária local, além de seu trabalho no restante do Brasil”.

Mas também vale lembrar que a família Teixeira é outra muito tradicional na bovinocultura marajoara e paraense.

Quem lembra é Gastão Carvalho Filho, da Fazenda Boi Branco, no Pará. Ele conviveu com Maurício por várias décadas em amizade e profissionalismo.

OUÇA  o depoimento de Gastão Carvalho

Arnaldo Borges, ainda lembra que a competência técnica do médico veterinário e consultor rompeu fronteiras: “Maurício teve uma atuação expressiva na Bolívia, orientando inúmeros criadores e promovendo avanços importantes no desenvolvimento da raça Nelore no país”.

A própria Associação de Criadores de Zebu da Bolívia (Asocebu) emitiu nota, expressando “as mais profundas condolências pelo lamentável” pelo falecimento de Maurício Teixeira, criador e técnico das raças zebuínas. Em 2013, a entidade o agraciou com o “Cebu de Oro”, na categoria Internacional.

Outro nelorista, empresário e amigo, Nelson José Nagen Frota, também carrega uma infinidade de recordações do “grande ser humano” que Maurício construiu nas pessoas, em geral. Foram mais de quatro décadas de convivência e muitas conquistas no trabalho.

OUÇA  o depoimento de Nelson Frota

Apesar da formação de médico, Maurício sempre demonstrou criatividade e entusiasmo suficientes para abrir novos espaços profissionais. Foram vários os leilões que comentou os aspectos técnicos, deu consultoria e até lançou no mercado. Talvez, o mais marcante tenha sido a série Tinga-Uma, conforme lembra Guilherme Minssen, zootecnista e leiloeiro rural.

OUÇA  o depoimento de Guilherme Minssen

O corpo de Maurício Teixeira foi transladado da capital paulista para Belém (PA), na noite dessa terça-feira (4), para as despedidas de familiares e amigos. O sepultamento estava previsto para as 10 horas da manhã de quarta-feira (5), na Capela Max Domini. Maurício deixa a esposa Carla e os filhos Victor Nassry, Thaís e Tally, além de netos e sobrinhos.

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