
Por Ariosto Mesquita – de Camapuã, MS
O pecuarista Elinaldo Paniago conta que, até meados de 2023, tirava semanalmente mais de 10 kg de lodo do principal reservatório de água (para até 250.000 litros) da Fazenda Saltinho, em Camapuã, MS.
Como a estrutura é aberta, a alta incidência solar e a queda de folhas das árvores (que existe em abundância na propriedade) ajudavam a multiplicar o sedimento orgânico no tanque e em toda a rede hidráulica, que se estende por aproximadamente 10 quilômetros, abastecendo todos os pastos. Isso, segundo ele, acabava por reduzir a capacidade de vazão, diminuía a qualidade final da água e exigia manutenção constante.
Porém, de um ano pra cá, Paniago passou a adotar um tratamento de base biológica e a coisa mudou totalmente de figura.
“O líquido escuro, cheio de lodo que a gente encontrava no reservatório, deu lugar a uma água cristalina que permite ver até o fundo do tanque. A qualidade mudou e percebemos até um melhor consumo por parte dos animais”, conta.
O produtor passou a utilizar um produto (Sympec Acqua) a base de minerais, vitaminas, probióticos (microrganismos vivos) e prebióticos (fibras que servem de alimento para bactérias) voltado para a bovinocultura.
“Diluo diretamente no reservatório na quantidade de 0,6 kg por aplicação, três vezes por semana, seguindo orientação do fabricante. Meu investimento é de R$ 500 por 10 kg do composto, suficiente para um mês. Funciona muito bem. O principal mecanismo é o consumo da matéria orgânica, por parte dos microrganismos, evitando a proliferação do lodo”, revela.
A partir desse tanque, a água desce por gravidade para abastecer os pastos. Sua rede hidráulica atende, atualmente, um consumo médio diário que varia entre 50.000 e 60.000 litros.
Prêmio para o carbono
Nos últimos 10 anos, a Fazenda Saltinho saiu da condição de propriedade degradada para se transformar numa espécie de vitrine da moderna pecuária brasileira, com foco em produção intensiva sustentável.
As práticas de conservação e os resultados obtidos sob o comando de Elinaldo, ecoaram até fora do País, pavimentando um caminho aparentemente sem volta. Em março deste ano, ele assinou contrato com a Agoro Carbon Alliance (braço da Yara Internacional, criado em 2021) e entrou para o seleto grupo de pioneiros da pecuária brasileira habilitados a receber remuneração por crédito de carbono. Saiba mais na reportagem de capa da Revista DBO de julho/24.
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