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Freio de mão puxado no mercado de reposição, diz analista da Scot

Com as incertezas geradas pelo tarifaço de Trump, recriadores e invernistas se afastam momentaneamente das compras, informa a veterinária Mariana Guimarães
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Na segunda semana de julho (9/7), o anúncio do presidente dos Estados Unidos sobre a aplicação de uma tarifa de +50% sobre produtos importados do Brasil gerou alvoroço no mercado do boi gordo, relata a médica veterinária Marina Guimarães, analista da Scot Consultoria. No entanto, informa Marina, o mercado brasileiro de reposição, até então, não havia sentido de forma significativa os efeitos da polêmica medida anunciada pelo governo Trump.

“De forma geral, o mercado de reposição tende a reagir com menor intensidade e mais lentidão aos movimentos bruscos do mercado do boi gordo, já que o setor está ligado ao planejamento de médio e longo prazo (recria e engorda), enquanto o segmento de animais para abate responde imediatamente à oferta e à demanda”, justifica a analista.

Muitos pecuaristas, ressalta Mariana, compram reposição pensando no confinamento ou na terminação a pasto meses à frente, e não reagem instantaneamente a oscilações pontuais.

No entanto, relata a analista, com a chegada da terceira semana de julho/25, a diminuição das negociações no mercado de reposição foi evidente, com muitos recriadores e invernistas se afastando das compras, preferindo aguardar para observar como o mercado irá se comportar com o passar das semanas.

Além disso, afirma ela, alguns leilões que estavam agendados para ocorrer durante a semana foram desmarcados, com o objetivo de avaliar melhor o cenário.

Dessa forma, para os machos anelorados, a semana foi de queda nos preços para todas as categorias.

De acordo com levantamento da Scot Consultoria, na comparação semanal, o bezerro de desmama foi o que teve o maior recuo (-3,2%), seguida pelo bezerro de ano (-2,4%), pelo garrote (-1,1%) e, por fim, pelo boi magro (-0,5%).

“Caso a taxação imposta por Trump seja mantida, o mercado de bovinos para cocho tende a sentir impactos ainda mais significativos”, observa Mariana, referindo-se à possibilidade de ser colocada em prática a tarifa de +50% a partir de 1º de agosto/25.

Na avaliação da analista, com a carne bovina perdendo competitividade no mercado norte-americano e os possíveis reflexos negativos no mercado interno, o cenário se torna menos atrativo para os confinadores, que acabam adiando ou até mesmo desistindo da decisão de investir na terminação em confinamento dos animais.

Para as fêmeas aneloradas, também na comparação semanal, a cotação da bezerra de ano foi a única que apresentou queda no período (-0,3%). A bezerra de desmama teve alta de 0,3%, a novilha subiu 0,5% e a vaca boiadeira registrou acréscimo de 3,5%, segundo a Scot.

“A demanda por novilhas permanece aquecida, principalmente pela intenção dos pecuaristas de reter essas fêmeas jovens na propriedade, com o objetivo de destiná-las à reprodução no futuro”, observa Mariana.

Quanto à vaca boiadeira, o relato dos agentes-chave é de que a oferta segue restrita, o que tem contribuído para a valorização da categoria, acrescenta ela.

“No curto prazo, os recriadores e invernistas deverão manter atenção redobrada ao comportamento das negociações do boi gordo e aos desdobramentos do tarifaço dos EUA, avaliando os possíveis impactos sobre o setor antes de realizar as compras”, prevê Mariana.

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